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Com a lasanha, deu Chianti. Claro!

A prova, às cegas, era harmonizar vinhos com a lasanha do Girarrosto, vencedora do Prêmio Paladar 2013. Seis casamentos foram propostos. Não deu harmonia perfeita, mas nem divórcio. O Chianti Clássico saiu-se melhor

18 junho 2014 | 19:43 por redacaopaladar

Por Guilherme Velloso

Lasanha vai bem com o clima frio – e melhor ainda quando acompanhada de um bom vinho. O recheio de carne da receita clássica pede um tinto e a força do prato requer um vinho à altura. Para tentar encontrar as melhores combinações, montamos a prova deste mês. A lasanha escolhida não poderia ter sido outra: a do Girarrosto, eleita a melhor da cidade pelo Prêmio Paladar 2013.

FOTOS: Fernando Sciarra/Estadão

Com a deliciosa tarefa de saborear a lasanha campeã, nos reunimos numa sexta-feira fria para o almoço no restaurante: a editora do Paladar, Patrícia Ferraz, a sommelière Daniela Bravin e eu, tendo como convidada a jovem sommelière do próprio Girarrosto, Marina Bertolucci.

Ficou com água na boca?

Para a prova, selecionei quatro vinhos. Daniela trouxe mais um e Marina escolheu um da própria carta do restaurante. Dessa vez, dispensamos a cerveja, que perderia feio.

Os seis tintos foram provados às cegas duas vezes e avaliados duas vezes. Sozinhos e na companhia do prato.

A lasanha do Girarrosto é delicada, elegante e essas características favoreceram a harmonização com os tintos menos encorpados e de taninos mais finos, ou seja, menos perceptíveis no palato. A acidez dos vinhos foi suficiente para sustentar a lasanha, que tinha tomate bem sutil, e sobrou álcool na seleção.

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No cômputo geral, nenhuma das harmonizações propostas resultou num casamento perfeito. Nenhuma, também, em divórcio irreconciliável. Não por acaso, o preferido foi o Chianti Clássico, vinho que dificilmente se dá mal quando, no prato, estão presentes ingredientes como algum tipo de massa, queijo, tomates e um pouco de carne. Confira os bastidores dos casamentos.

Essa degustação você poderá repetir em casa, fácil. Se não quiser provar os seis vinhos, escolha no quadro ao lado seus favoritos. E prepare a lasanha com a receita do chef Paulo Barros, do Girarrosto, que está abaixo.

Teroldego 2008

Produtor: Angheben

Preço: R$ 53 (Vinci)

A fruta já bem madura (“cozida”, na opinião da Daniela) e as notas animais e empireumáticas (“alcatrão”, definiu Patrícia) revelaram que esse era o vinho mais evoluído do painel, o que se confirmou com um pouco de secura na boca, indício de que parte da fruta se perdeu. No conjunto, ficou um vinho mais pesado, que não combinou com a leveza do prato.

Colonia Las Liebres Bonarda 2012

Produtor: Altos Las Hormigas

Preço: R$ 43 (World Wine)

A cor rubi e a explosão de frutas vermelhas no nariz (com notas de especiarias que Daniela identificou como “pimenta”) moldaram o perfil de um tinto jovem. Na boca, boa acidez, fruta fresca e taninos presentes, com uma ponta de álcool a mais (13,9%). Foi bem com a lasanha, mas vinho e prato não cresceram juntos.

Bardera D’Alba 2011

Produtor: Massolino

Preço: R$ 109 (Grand Cru)

Rubi vivo e intenso, com boa palheta olfativa (fruta vermelha, leve floral e um pouco de madeira tipo cedro). Na boca, mostrou-se um vinho de corpo médio (“macio e suave”, comentou Patrícia), simples, mas muito gostoso. Para Marina, foi o tinto que se saiu melhor na harmonização com o prato, entre todos os provados. Por uma razão, ou outra, de modo geral, agradou a todos.

Chianti Clássico 2010

Produtor: San FabianoCalcinaia

Preço: R$ 115 (Decanter)

Confirmou a tese de que os vinhos italianos (e, em particular, os de Sangiovese, como os Chiantis) crescem com a comida. Na boca, mesmo com álcool (14,5%) a mais, mostrou-se redondo e equilibrado: ótima acidez, muita fruta e taninos de boa textura, com um final gostoso e frutado que agradou a todos.

Barbera Garagem 2012

Produtor: Atelier Tormentas

Preço: R$ 120 (venda na vinícola)

Daniela, que trouxe o vinho, que para Marina lembrou um Gamay. Mostrou bom equilíbrio entre nariz e boca, com taninos bem integrados, corpo médio e, talvez por isso, bem gastronômico. Foi um dos que mais harmonizaram com a lasanha. Pena que só esteja à venda na vinícola e só tenham sido produzidas 1.060 garrafas.

Barbera D’asti Superiore ‘Le Orme’ 2011

Produtor: Michele Chiarlo

Preço: R$ 89 (Zahil)

Mais simples que seu vizinho Barbera d’Alba, exibiu muita fruta no nariz e na boca, com boa acidez, corpo médio e taninos (um pouco rústicos) ainda pegando um pouco. Marina, Patrícia e Daniela comentaram que “sobrou álcool”. Para Guilherme, o vinho apareceu mais do que o prato, o que tirou pontos na harmonização.

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 19/6/2014

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