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Concurso em Blumenau elege melhores rótulos e melhores cervejarias do Brasil

Quarta edição do Concurso Brasileiro de Cervejas teve avaliação mais rigorosa e reforçou prestígio dos gaúchos

09 março 2016 | 01:02 por Carolina Oda

Especial para o Estado

Pela quarta vez, o Concurso Brasileiro de Cervejas, realizado em Blumenau, mobilizou o mundo cervejeiro. Nesta terça-feira, 8, o aguardado ranking de melhores rótulos e melhores cervejarias foi anunciado. Os dois grandes prêmios da noite foram para os gaúchos: a Maniba Red “Meth”, de Novo Hamburgo, foi eleita a melhor cerveja do ano; e a Tupiniquim, de Porto Alegre, foi eleita pela segunda vez a melhor cervejaria do País (veja o ranking abaixo). 

 

  Foto: Divulgação

O Concurso contou com 50 jurados de 14 países, que passaram os últimos três dias avaliando 1.469 cervejas de 222 cervejarias (sendo 86 novas), divididas em 135 estilos diferentes. Os estados com maior representação foram São Paulo, com 60 cervejarias e 357 rótulos, e Rio Grande do Sul, com 50 cervejarias e 442 rótulos - cenário que foi refletido no quadro de medalhas.

GALERIA:

+ As melhores cervejas do Brasil, premiadas em Blumenau

Sul e Sudeste concentram a maior quantidade de títulos de melhores cervejas, e são os gaúchos que, assim como ano passado, dominam o topo das listas. O Rio Grande do Sul levou não só o maior número de medalhas do campeonato, mas também o título de território da melhor cervejaria, a bicampeã Tupiniquim.

A programação em Blumenau segue nesta quarta, 9, com o início do Festival Brasileiro de Cervejas, principal evento cervejeiro do País, que reúne as melhores cervejas nacionais para serem provadas e conhecidas. 

+Veja os bastidores dos três dias de concurso 

O nível subiu. A qualidade da cerveja brasileira está crescendo. Com o aumento da produção nacional e melhores oportunidades de contratos com distribuidoras, o acesso a ingredientes, como lúpulos e leveduras, de melhor qualidade também cresceu. E isso é bastante notável nas cervejas apresentadas no concurso - rótulos muito bons, com lúpulos nitidamente mais frescos e aromáticos, apareceram com mais frequência em relação a anos anteriores. 

Porém, proporcionalmente, o número de medalhas caiu em relação a 2015. Apesar do aumento de 73% na quantidade de cervejas inscritas, o número de medalhas de ouro se manteve igual (59 em 135 possíveis) e o total de medalhas subiu somente 20%. E isso tem uma explicação fácil: 21 jurados internacionais, vindos de países com história cervejeira centenária, subiram a régua da avaliação.

A popularização do assunto e o crescimento de um novo modelo de negócio – cervejarias ciganas, onde qualquer um pode comprar espaço numa cervejaria com capacidade ociosa e produzir a sua receita -, entre outros fatores, têm feito o mercado ser inundado por novos rótulos - alguns muito bons, outros tantos muito ruins. Carl Kins, renomado jurado belga que roda o mundo avaliando cervejas nos principais campeonatos há mais de 10 anos, é famoso por ser bem rigoroso e não passar a mão na cabeça do mestre-cervejeiro nas avaliações.

Para ele, as cervejas brasileiras têm muito a melhorar. “Pelo menos metade do que julguei estava ruim, sendo 80% dos problemas vindos de produção.”

Os vencedores das categorias Best of Show e Melhor Cervejaria sobem ao palco.

Os vencedores das categorias Best of Show e Melhor Cervejaria sobem ao palco. Foto: Divulgação

Experimentais. Até o ano passado, para ser inscrita, uma cerveja só precisava ter o pedido de inscrição no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e não necessariamente estar à venda em lojas. A regria causava polêmica, pois permitia que uma cerveja fosse premiada e nunca chegasse ao consumidor. Já este ano, os produtos que não foram lançados até janeiro de 2016 foram avaliados juntos com os rótulos comerciais, mas não contavam pontos para eleger a melhor cervejaria.

Novidade do ano. A grande novidade desta edição foi a categoria “Cerveja Brasileira”, que, segundo o regulamento do concurso, é “a que utiliza ingredientes e/ou técnicas de processo característicos brasileiros. Estes ingredientes podem ser frutas, condimentos, especiarias, leveduras, lúpulo e madeiras.” As cervejarias tiveram que enviar uma amostra do ingrediente adicionado ou, caso fosse perecível, um processado, para que o jurado pudesse conhecê-lo e identificá-lo.

A gaúcha Tupiniquim foi eleita pela segunda vez a melhor cervejaria do Brasil

A gaúcha Tupiniquim foi eleita pela segunda vez a melhor cervejaria do Brasil Foto: Divulgação

OS VENCEDORES 

 

Veja a lista completa aqui!

 

BEST OF SHOW:

Os jurados internacionais se reuniram para escolher as melhores cervejas dentre todas as medalhas de ouro e prata, definindo as grandes estrelas do campeonato.

Comerciais

1º. Maniba Red “Meth” - Novo Hamburgo/RS

2º. RedCor Ryequeoparta  - produzida na Cervejaria Araucária, Maringá/PR

3º. Urwald Dortmunder Export - São Vendelino/RS

Experimentais

1º. Backer Old Ale - Belo Horizonte/MG

2º. Opera Brazilian Beer - Araraquara/SP

3º. Backer Fruit Beer - Belo Horizonte/MG

 

MELHORES CERVEJAS BRASILEIRAS:

Categoria criada este ano, para cervejas que levam ingredientes ou usam técnicas nacionais: 

1º. Ópera Seven´r Inn – Araraquara/SP (experimental)

2º. Amazon Beer Bacuri – Belém/PA (comercial)

3º. Amazon Beer Red Ale Priprioca - Belém/PA (comercial)

 

MELHORES CERVEJARIAS: 

As cervejarias são rankeadas de acordo com a pontuação obtida no quadro de medalhas dos rótulos. 

1º. Tupiniquim – Porto Alegre/RS (bicampeã)

2º. Heilige – Santa Cruz do Sul/RS

3º. BodeBrown – Curitiba/PR

 

MEDALHAS POR ESTILOS

O Concurso julga dezenas de estilos (a lista completa está aqui), entre eles: 

American IPA - Swamp Brewing Hop Bite (estilo com o maior número de inscrições)

Barley Wine - Bohemia Reserva 2012

Imperial Stout - DUM Petroleum

American Pilsen - Kirin Ichiban

Saison - Das Bier Saison

Fruit Wheat - Júpiter Tanger

Bock - Bierland Bock

German​ Pilsen - Blondine 5º Elemento

Wild Beer - Gang Bang (colaborativa das cervejarias paulistas Urbana, Júpiter, Mea Culpa e Dogma com as holandesas De Molen e Kaapse)

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