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Isabelle Moreira Lima

Conheça os vinhos do melhor enólogo português do ano

Jorge Serôdio Borges faz, no Douro, vinhos inspirados na Borgonha

30 agosto 2017 | 20:34 por Isabelle Moreira Lima

Demorou para Jorge Serôdio Borges ocupar este espaço. Ele foi eleito o enólogo do ano (neste mesmo, da graça de 2017) pela prestigiosa Revista de Vinhos portuguesa e já estamos em fins de agosto. E, como é de se esperar de um enólogo do ano, faz vinhos incríveis no Douro, onde sua família vive há gerações. Vem de uma linhagem de produtores de Porto, mas saiu da faculdade bem quando a revolução dos tranquilos surgiu por ali. Entrou na onda.

Poucos anos depois de tomar um empréstimo para montar a Wine & Soul, sua própria vinícola, com a mulher, a também enóloga Sandra Tavares, já co-assinava um ícone contemporâneo, o Pintas, que homenageia o primeiro cachorro do casal. A safra 2013 deste vinho (R$ 775, na Adega Alentejana), feito com mais de 20 castas típicas, explica bem seu sucesso: gire a taça e sinta fruta negra madura, aroma de especiarias e de caixa de charuto. Ponha na boca e sinta os taninos finíssimos e abundantes, a alta adstringência, a concentração e a duração longuíssima. E uma fruta discreta, que não assusta, mas instiga. Esse já é unanimidade, então vale mais a pena falar de outro. Ou melhor, outros, que exemplificam bem os microclimas durienses, com nuances e variações de estilo.

Trio. Os enólogos Jorge e Sandra com o cachorro Pintas

Trio. Os enólogos Jorge e Sandra com o cachorro Pintas Foto: Wine & Soul

Vide o Manoella Vinhas Velhas 2012 (R$ 775), um fenômeno e um “incompreendido”, como afirma Borges. “Pensa-se na região e espera-se fruta madura, concentração.” Mas o que ele entrega mesmo é flor, jasmim para ser mais preciso, e chá verde. Delicado e elegante, é desses que fala baixinho com precisão, há de se prestar atenção e certamente haverá recompensa. Suas uvas vêm de um vinhedo que está na propriedade da família desde 1838 e que é cercado por florestas, o que dá um caráter totalmente distinto da pungência do Pintas, um Douro clássico. E, por isso mesmo, vem na garrafa de Borgonha.

Na mesma linha, o Guru Douro White 2014 (R$ 374), um corte criado para ser um branco que se diferenciasse como (mais uma vez) os Borgonha, para envelhecer. Seu aroma de pavê de abacaxi não denúncia a acidez que dará o ar da graça na boca.

Mas, como o preço das belezuras descritas acima não ajuda muito, sugiro que se dê uma chance ao caçula da Quinta da Manoella, o Manoella Tinto (R$ 184), feito à moda do Douro com pisa a pé em lagares, que traz a cereja como estandarte. Ou ainda o rótulo de entrada da Wine & Soul, o Passa Douro 2014 (R$ 114), que é alegre e fácil, frutinha negra no nariz, veludinho na boca.

O caçula da Quinta da Manoella, o Manoella Tinto (R$ 184), feito à moda do Douro

O caçula da Quinta da Manoella, o Manoella Tinto (R$ 184), feito à moda do Douro Foto: Divulgação