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Coquetéis de nuestra América

Por Ana Freitas

22 outubro 2014 | 21:09 por redacaopaladar

Para quem cansou dos drincões tradicionais com forte sotaque inglês, bartender do Suri lança carta de coquetéis à base de ingredientes típicos da América Latina: pisco, rum, tequila, cachaça, mezcal, tamarindo, folha de coca…

Os coquetéis andam em alta e ingredientes da América Latina começam a ganhar espaço nas coqueteleiras. Até agora, quase todos os drinques feitos com bebidas típicas latino-americanas reconhecidos pela lista oficial da Associação Internacional de Bartenders (AIB) foram criados por gringos que migraram dos Estados Unidos fugindo da Lei Seca. Uma das raras exceções é a caipirinha.

FOTOS: Rogério Voltan/Divulgação

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Mas, se depender do bartender Fábio Doliveira, do restaurante Suri, a situação deve mudar. Ele acaba de lançar uma carta de drinques à base de ingredientes típicos da América Latina. “Não gosto de releituras. Usei ingredientes regionais e apliquei técnicas europeias clássicas de coquetelaria”, conta.

VEJA AS RECEITAS:

+ Andino

+ Pajarito

+ Guarapo Suri 

Combinou pisco, mezcal, rum, tequila, fingni e cachaça com folha de coca, tamarindo, physalis, agave, hibisco… “Queria criar uma carta toda original”, diz.

Andino

Faz quatro meses que Fábio pode ser visto atrás do balcão do Suri, às voltas com garrafas, folhas, frutas e infusões. Até 13 anos atrás, o argentino vivia em Buenos Aires e trabalhava como técnico eletrônico. Resolveu mudar de vida e acabou atraído por um curso de coquetelaria. Depois de passar por casas noturnas e por um restaurante de cozinha asiática, ganhou uma bolsa para um curso na AIB, que o trouxe a São Paulo. Só que o curso acabou e ele decidiu ficar.

Com fala pausada, ponderada e explicação minuciosa dos detalhes, Fábio foi falando dos drinques enquanto ia preparando os três que considera mais representativos da nova carta.

Pajarito

Começou pelo pajarito, que leva pisco, licor artesanal de toranja, geleia artesanal de physalis, limão-taiti, pimenta rosa e licor DOM Bénédictine. Ao primeiro gole, era um coquetel forte e levemente adstringente, mas foi ganhando aroma, enriquecido pelo perfume de água de flor de laranjeira. O sol de la paz chegou servido sobre uma toalha boliviana. Leva molho salgado de manga e cachaça, licor de folha de coca e um mix de maracujá e limão-siciliano. É um drinque perfumado e refrescante, equilibrado e aveludado.

Guarapo Suri

Por último, chega o guarapo suri, ótimo cartão de visitas para o fermentado artesanal levemente alcoólico e muito doce, típico da Colômbia. “A Colômbia tem guaraparias, com barris de guarapos preparados em dias diferentes. As pessoas escolhem um deles e mais um destilado e tomam juntas”, conta. Na versão do Suri, ele é feito de casca de abacaxi e rapadura e fica fermentando por uma semana. O drinque leva também rum, maracujá e açúcar líquido.

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 23/10/2014

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