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Heloisa Lupinacci

É bom ou ruim?

A entrada da Ambev no mercado de cervejas especiais polariza opiniões

08 julho 2015 | 20:51 por Heloisa Lupinacci

A entrada da Ambev no mercado de cervejas especiais polariza opiniões. De fato há pontos positivos e pontos negativos.

O lado ruim da corporação

A Ambev é criticada ampla e abertamente por eliminar competidores de bares e eventos à base da compra de exclusividade. Então é ingênuo esperar da gigante o apoio irrestrito à cultura cervejeira – embora exista uma mudança na postura (anunciaram, por exemplo, uma colaborativa entre Bohemia e Therezópolis, da St. Gallen). O lance é esperar para ver até onde vai a mudança.

Mas não é artesanal

Ficou com água na boca?

Use a palavra que quiser (cerveja boa, gourmet, diferenciada, o que for), mas não diga artesanal quando se referir a uma cerveja de uma marca de um grande grupo. Nem especial serve. Pela lei do imposto sobre a cerveja, apresentada em maio, que define descontos para cerveja especial, o limite de produção é de 10 milhões de litros, somando o volume de todas as marcas (ou seja, no caso da Wäls e da Colorado, somando toda a produção da Ambev).

FOTO: Fernando Sciarra/Estadão

Vantagens da gigante

Distribuição e processos são o forte da Ambev. A Colorado é uma potência criativa, mas conhecida no mercado por sua desorganização. Ganha o consumidor que deve ter mais regularidade e acesso às cervejas da marca. E há sempre a promessa de mais cerveja boa a preço menor.

Mais apreciadores

e as três variáveis funcionarem e cervejas diferentes chegarem mais facilmente ao grande público, amplia-se o universo de pessoas interessadas em conhecer cerveja e todos saem ganhando.

É para valer

A AB-Inbev tem um núcleo de cervejas especiais desde janeiro. Ele é comandado por Pedro Earp, vice-presidente de “craft” global. No Brasil, a equipe, que tem cerca de 20 pessoas, é chefiada por Daniel Wakswaker. O braço americano da AB-Inbev tem um núcleo “craft” desde 2005 (e já comprou quatro cervejarias de 2011 para cá). Aqui no Brasil, o núcleo é responsável pela nova linha de Bohemias, pela Wäls e Colorado além das importadas Patagonia (Argentina), Hertog Jan (Holanda), Leffe e Hoegaarden (Bélgica), Franziskaner (Alemanha) e Goose Island (Chicago).

Você decide

Polarizações à parte, no limite é o bebedor de cerveja que decide como vai gastar seu dinheiro. Apoia o cervejeiro artesanal? Ótimo, compre a cerveja dele. Quer simplesmente beber cerveja? Compre aquela que gosta. É contra a Ambev? Não compre as cervejas dela.

Ficou com água na boca?