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Só de birra

Heloisa Lupinacci

E não é que são boas?

A entrada da Ambev nas cervejas especiais era temida no mundo dos cervejeiros

26 novembro 2014 | 17:32 por Heloisa Lupinacci

Vamos direto ao que importa: das novas cervejas da Bohemia, a IPA e a witbier são boas. A belgian blonde, menos (veja a descrição a seguir). Os “ingredientes brasileiros” usados nas receitas aparecem sutilmente – servem mais para puxar papo (o que tem um lado bom: tenho certeza de que quero uma boa cerveja, não sei se quero que ela tenha gosto de jabuticaba, pimenta rosa ou erva-mate). Nessa primeira etapa, com lançamento oficial hoje, chegam só em chope (há planos de lançar garrafa em 2015).

A entrada da Ambev nas cervejas especiais era esperada e temida. Aí está. A Bohemia vai se transformando a passos bem largos na marca de cerveja especial da gigante. Depois da barley wine a R$ 120, chegam os estilos para três perfis: os fãs de amargor (IPA, R$ 13, 420 ml), os que gostam de acidez (witbier, R$ 11, 330 ml) e os que curtem doce (belgian blonde, R$ 13, 420 ml).

Copos. Em primeiro plano, Bela Rosa (wit) e Caã-Yari (blonde); saindo da torneira, Jabutipa. FOTO: Alex Silva/Estadão

Até a segunda semana de dezembro, elas só podem ser provadas em três endereços: Astor, Pirajá e Original, os bares da Cia. Tradicional de Comércio. Depois, vão para 50 bares em São Paulo, Rio, Ribeirão Preto, BH e Curitiba – inclusive Empório Alto dos Pinheiros, templo cervejeiro paulistano.

Ficou com água na boca?

O impacto do lançamento é na escala Ambev: bares que antes só tinham chope Brahma claro e escuro pulam de duas torneiras para cinco, mais do que dobram a oferta. Agora eu fico aqui torcendo para o próximo passo: uma cerveja boa de garrafa a um preço legal no boteco sujo que fica perto de casa.

JABUTIPA

O que é: india pale ale com jabuticaba

Preço: R$ 13 (420 ml)

“É um coice que abraça”, definiu um cliente do bar Original que provou a cerveja no balcão. É preciso fazer a ressalva: trata-se de um cara acostumado a chope Brahma. Mas a definição que ele fez é precisa. É uma IPA – que, arrisco dizer, vai se sair bem em testes às cegas. A jabuticaba é bem sutil. O amargor é destacado – são 55 IBUs. Para quem está acostumado com as IPAs americanas, ela vai parecer uma session. É muito fácil de beber. E é bom poder tomar uma cerveja assim fora do circuito cervejeiro.

BELA ROSA

O que é: witbier com pimenta rosa

Preço: R$ 11 (330 ml)

É a mais refrescante das três. E a que mais tem chamado a atenção – ficou em segundo lugar na votação do público como melhor cerveja no Mondial de la Bière Rio (leia abaixo). A witbier é a receita belga de cerveja de trigo com casca de laranja e semente de coentro. A Bela Rosa leva pimenta rosa, que aparece menos que o cítrico e se insinua no final do gole, com uma nota bem delicada. É a mais aromática das três. A espuma cremosa parece concentrar o aroma. Com nada de amargor, é a menos alcoólica – 5,2%.

CAÃ-YARI

O que é: belgian blonde ale com erva-mate

Preço: R$ 13 (420 ml)

Com o nome mais esquisito – Caã-Yari é a figura mitológica indígena protetora da erva-mate –, é a que menos se destaca. Nela, prevalece o doce. É, de cara, o que mais aparece. E isso é característico do estilo, tudo bem. Assim como as notas frutadas típicas dos fermentos belgas. A erva-mate não aparece muito. Também tem pouco amargor – são 17 IBUs –, mas é mais alcoólica: tem 6,5%. E é, do trio, a que tem a menor drinkability – é um pouco enjoativa. Mas vai acertar em cheio quem gosta de doce.

Ficou com água na boca?