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Estudo mostra como música e luz alteram percepção do vinho

Pesquisador da Universidade de Oxford analisou a reação de pessoas ao tomarem a mesma bebida em ambiente com diferentes cores e música, além de copos desiguais

20 julho 2016 | 17:40 por Isabelle Moreira Lima

Sempre se falou - e a maioria dos amantes de vinhos defende - que a taça certa pode melhorar o que se bebe. Há até uma cruzada contra determinados modelos, como a flûte. Mas e o que dizer da influência da luz do ambiente em que se bebe este vinho? Da música que se ouve à medida que o líquido passeia na boca? Um pesquisador da Universidade de Oxford, na Inglaterra, defende que há, sim, interferência de elementos externos, aparentemente alienígenas à experiência de degustação.

O pesquisador Charles Spence faz estudos polêmicos

O pesquisador Charles Spence faz estudos polêmicos Foto: Divulgação

Charles Spence, do departamento de Psicologia Experimental da universidade inglesa, um entusiasta do vinho, é o responsável pelas descobertas. Na última década, transformou sua paixão em objeto de estudo. Em entrevista ao Paladar, ele contou algumas de suas descobertas, incluindo as da pesquisa que mobilizou 3.000 pessoas degustando um vinho tinto na taça preta em um ambiente de características mutantes. Os resultados são, no mínimo, polêmicos. 

A seguir, destacamos as descobertas mais surpreendentes do estudo:

MÚSICA E LUZ

Na maior pesquisa de Charles Spence, considerado o maior exercício multissensorial do mundo, foi testado o poder da música e da luz no consumo do vinho. Em quatro dias, em um centro de convenções de Londres, 3.000 participantes tiveram acesso a uma salinha onde um Rioja tinto era servido em uma taça preta.

Neste “laboratório”, a iluminação mudava da luz branca para a verde e para vermelha e o áudio de uma música melodiosa para um som seco cheio de notas em staccato.  O estudo concluiu que, para os participantes, o vinho mostrou-se leve e fresco a luz verde e com o som seco, mas mais prazeroso sob a luz vermelha e com a música melodiosa.

TAMANHO

Já o tamanho e o peso de um copo influenciam a maneira que se bebe, diz outra pesquisa de Spence. Taças maiores fazem com que se subestime o tanto de bebida que carregam. Consequentemente, bebe-se mais. O consumidor também fica disposto a pagar mais caro quando avalia que o recipiente em que é servido é “equivalente” à bebida. Ou seja, uma taça mais bonita pode levar à ideia de que a bebida é melhor.

COR E FORMA

A forma e a cor de um recipiente exerce influência no sabor que as pessoas associam a uma bebida. É o que se chama de transferência de sensação, informa o pesquisador. Um experimento com degustadores amadores e profissionais mostrou que toda vez que um vinho era servido em taças bojudas ele alcançava notas mais altas. “Assim, pode-se concluir que a forma de uma taça também pesa no gosto do consumidor”, afirma Spence. Segundo ele, é a intensidade do aroma, e não sua natureza, que muda.

Quanto à cor, Spence diz que um painel de degustação elegeu vencedores dois tintos servidos em taças azuis e deixou os que estavam em taças transparentes no grupo dos preteridos. Outro grupo de degustadores profissionais preferiu rótulos de Porto e Bordeaux servidos em taças vermelhas.

Resultados semelhantes foram observadas com outras bebidas, como chocolate quente, que se saiu melhor na xícara branca que na laranja; e como o café, que foi servido em uma mesma temperatura em xícaras de quatro cores. A vermelha foi considerada a mais quente, seguida pela amarela, pela verde e finalmente pela azul.

PESO

Segundo estudo que Spence realizou com a pesquisadora Betina PIequeras-Fiszman, da Engenharia de Projetos da Universidade Politécnica de Valencia, há dois atributos que os consumidores levam em conta na hora de comprar um vinho: o primeiro diz respeito ao tamanho, cor e forma da garrafa e o segundo ao tipo de fechamento (rolha, screw cap etc.).

Mas o que pesa mesmo é o peso: se a garrafa é pesada há a ideia de que o conteúdo dela é de boa qualidade. O peso, segundo o pesquisador, influenciaria inclusive na disposição do consumidor de gastar mais, de acordo com a pesquisa que avaliou 275 rótulos de cinco países.

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