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Já ouviu falar no termo "brosé"?

Lá fora, rosé leva apelido infame, é coisa de 'brother' , mas no Brasil, a bebida é mais apreciada pelos homens que pelas mulheres

11 novembro 2015 | 15:45 por Isabelle Moreira Lima

Cada vez mais popular entre os homens, a moda do vinho rosé ganhou até o infame apelido de “brosé”, para mostrar que ele é coisa de “brother”. A hashtag pegou nas redes sociais, com fotos de bonitões sorvendo rosados nos mais diferentes cenários no Instagram e no Facebook. Até George Clooney entrou nessa. Até o Brasil.

Segundo pesquisa Focus da OIV, Organização Internacional da Vinha e do Vinho, e da Vins de Provence (CIVP), órgão que reúne os produtores da região, célebre por seus pálidos rosados, o Brasil é o único país do mundo em que os homens – 27% dos que consomem vinhos tranquilos – bebem mais rosé que as mulheres. E os fãs dos rosados são bem jovens: mais de 30% têm entre 18 e 24 anos.

A tendência é comprovada por números impressionantes. O crescimento das importações dos rosés da Provence em volume nos últimos oito anos –, de 2006, quando começou a campanha, a 2014 –, foi de 1.046%. Em valores, a alta é de 1.104% no mesmo período.

FOTO: Marcelo Barabani/Estadão

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Raphael Allemand, que representa a CIVP no Brasil, lembra que há dez anos os rosados praticamente não tinham espaço no Brasil, o que pode explicar números tão expressivos. “As pessoas pensavam que eram vinhos de má qualidade, misturas de brancos com tintos”, diz.

E nem a crise econômica parece ter segurado a sede dos rosados: nos primeiros seis meses deste ano em relação ao mesmo período no ano passado, o crescimento das vendas ao Brasil dos rosé da Provence é de 45%.

O sommelier do Bardega, Gabriel Raele, diz que a procura por vinhos rosados fez que o bar programasse um festival do Rosé para o verão. “Já cheguei a servir mesas com dez homens em que todos beberam rosé do começo ao fim”, conta. Para ele, a moda do brosé está de mãos dadas com a procura por vinhos leves, refrescantes e frutados, cada vez maior.

Outra curiosidade é que o fato de a bebida ser tomada em grupos de amigos fez que também crescesse a popularidade de garrafas magnum.

E, se por muito tempo o vinho rosado foi mal visto e mal amado fora da França, por causa da exportação de bebida de má qualidade, hoje, há quem diga que beber certos rosés, como os da Provence, por exemplo, acaba funcionando como um símbolo de status. E quanto mais pálida a bebida, melhor.

Globalmente, nos últimos 12 anos, o consumo de rosé subiu 20%, enquanto a produção cresceu 16%. E ao que tudo indica, os números devem aumentar: o movimento do “brosé” é forte em países como Estados Unidos, Inglaterra, Rússia e Austrália, onde os homens bebem tanto quanto as mulheres.

>> Veja a íntegra da edição de 12/11/2015

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