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Jura que é Jura?

Por Marcel Miwa

04 junho 2014 | 21:13 por redacaopaladar

O Jura, departamento francês entre Borgonha e Suíça, é conhecido pelo raro e cobiçado Vin Jaune – que quer dizer vinho amarelo, é feito de uvas brancas da variedade autóctone Savagnin e lembra Jerez Fino. É um vinho de fama grande, produção ínfima e preço bem alto.

Agora, aos poucos, outra variedade do Jura vem conquistando fãs em Paris, Londres e Nova York e começa a chegar ao Brasil: são os vinhos da casta tinta Trousseau.

Essa uva dá tintos mais claros, com aromas de frutas frescas, em vez de maduras, acidez refrescante e taninos apenas suficientes para o vinho não parecer manso demais. Segue o estilo Pinot Noir, Nerello Mascalese e alguns Mencías.

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Autóctone. Vinhedo na região do Jura, que dá uma casta tinta pouco conhecida: a Trousseau. FOTO: Christian Michel/CDT Jura/Divulgação

Com essas características, são vinhos que pedem por comida. E esse é mais um fator a impulsionar sua recente popularidade: Trousseaus são muito versáteis à mesa. Funcionam com carnes vermelhas, aves, molhos mais ácidos ou amanteigados.

O conjunto é atraente: vai bem com comidas, trata-se de uma casta pouco conhecida e de uma região inesperada e com preço que, se não é razoável, ainda é menor do que o dos bons Nerellos e o de Borgonhas nível “villages” – e confronta em igualdade o preço dos Mencías.

Reunimos no restaurante Bravin os sommeliers Manoel Beato e Daniela Bravin para provar vinhos feitos com Trousseau. Comparamos dois que estão disponíveis no Brasil, uma garrafa trazida de fora e duas de Bastardo, que é como os portugueses chamam a Trousseau, cultivada no Douro. 

DOM. TISSOT TROUSSEAU SINGULIER 2010 – Ótimo

Origem: França

Preço: R$ 110 (Delacroix)

Estava um pouco fechado no início, mas logo se mostrou bem definido. No nariz, cerejas frescas, notas herbais e de cogumelo. Os taninos finos, com alguma garra, e o frescor mantêm a mesma frequência. É o modelo a ser seguido.

DOM. DE LA TOURNELLE TROUSSEAU DES CORVÉES 2010 – Bom

Origem: França

Preço: US$ 35 (Chambers St. Wines, NY)

O mais selvagem do painel. Notas aromáticas dos vinhos chamados “naturais”: cogumelo, levedura, azeitona preta e frutas vermelhas frescas. Destaque para os taninos finíssimos.

DOMAINE ROLET 2006 – Ok

Origem: França

Preço: R$ 139,50 (Decanter)

De cor clara, próximo ao rosé. No nariz, fruta vermelha ácida e até toques cítricos. Na boca, notas de cogumelo e folhas secas. Textura delicada, com taninos amaciados pelo tempo. Boa acidez.

CONCEITO BASTARDO 2009 – Ok

Origem: Portugal

Preço: R$ 266 (Vinissimo)

O álcool aparece um pouco no nariz, com notas de fruta vermelha madura e defumado. Tem boa vivacidade e leve salgado.

Os taninos são mais intensos e a acidez suficiente. Final exótico, com caramelo, canela e cardamomo. Preço

desaponta.

NIEPOORT PROJECTOS BASTARDO 2008 – Bom

Origem: Portugal

Preço: 28 euros (Garrafeira Nacional, Lisboa)

Fruta vermelha madura e algo floral (violeta). Aroma limpo e com um toque de caramelo. Taninos polidos. A boa acidez deixa o conjunto vivo, reforçado por leve mineral salgado e metálico. O final é um pouco quente, mas sem comprometer a qualidade.

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 5/6/2014

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