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Malbec de R$ 2,3 mil pode envelhecer por até 30 anos, estima enólogo

Vinho Cobos Chañares Vineyard Malbec 2014 é produzido pelo norte-americano Paul Hobbs com uvas cultivadas em altitude em Mendoza, na Argentina

12 julho 2017 | 23:15 por Isabelle Moreira Lima

O norte-americano Paul Hobbs foi um pioneiro da Malbec na Argentina e, nesta semana, lança seu Malbec ícone, o Cobos Chañares Vineyard Malbec 2014. Importado pela Grand Cru, o rótulo será vendido a R$ 2.349 após alcançar pontuações de 99 pontos por James Suckling e 95 por Robert Parker. Elaborado com uvas cultivadas em altitude, passou por estágio em carvalho durante 17 meses e está na garrafa desde novembro de 2015. Promete ser um novo objeto do desejo. Ainda assim, perguntei ao produtor, por que tão caro? 

Leia abaixo a entrevista.

O enólogo Paul Hobbs

O enólogo Paul Hobbs Foto: Viña Cobos|Divulgação

O que faz de Viña Chañares tão especial e caro? 

Ficou com água na boca?

Os vinhedos de Chañares são muito pequenos (16 hectares plantados de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Malbec), as vinhas mais antigas têm dez anos e é um dos mais ocidentais de Mendoza, localizado no vale de Uco, no departamento de Tunuyan, na vila de Los Arboles, a 1.200 metros de altura. É isolado e de difícil acesso. Inicialmente desenvolvido por três professores da Universidade de Mendoza, também conta com uma pequena quantidade de uvas Montepulciano. Plantado em círculos concêntricos e triângulos, tem seis bosques de vegetação natural intocada, incluindo as árvores chamadas chañares. Respeitamos a biodiversidade desse lugar selvagem, assim as vinhas são plantadas sem enxerto e cultivadas sem herbicidas. Preservamos a vegetação nativa dentro do vinhedo, o que inclui uma grande variedade de ervas como tomilho e alecrim, além de cactos e mato… Os solos são compostos por grandes pedras graníticas e rochas incrustadas com calcário extremamente bem drenadas. A água usada para irrigação vem de um poço de 165 metros de profundidade, puxando de um antigo aquífero que é quase  tão intocado quanto a paisagem. O vinhedo fica no limite de fronteira com os Andes. Trata-se de uma produção mínima, de um frutado intenso, de estrutura excepcional e de taninos dulcíssimos. Eu envelheço o vinho em carvalho francês 100% novo por 17 a 19 meses. Prevejo um potencial de envelhecimento de 30 anos ou mais e acredito que seja um dos melhores Malbecs contemporâneos já feitos.

Alguns falam do fim da era Malbec, que estaria deixando de ser uma queridinha nos EUA e no Reino Unido graças a uma massificação do Paladar. Mas nós vemos grandes investimentos como o seu e de outras pessoas indo a França. O que acha da Malbec hoje?

A Malbec está viva e muito bem, com um futuro brilhante pela frente. Há 20, 25 anos, muitos especialistas previram o fim do Chardonnay da Califórnia. Formou-se até um grupo chamado ABC, Anything But Chardonnay (qualquer coisa menos Chardonnay). O que aconteceu? A Chardonnay, todos esses anos depois, está mais forte e continua dominando. Isso não significa que não há ameaças como as que você apontou, falta de alma em vinhos massificados e comerciais que podem prejudicar a categoria. 

O que imagina do futuro da Malbec?

Nós temos que lutar, ela é uma casta nobre, fácil de se produzir, versátil, adaptável e que se transforma em vinhos complexos. E agora com Cahors em ascensão, e com outras regiões aumentando sua produção, a qualidade e a diversidade vão se elevar. Só há boas novas para a Malbec.

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