Paladar

Bebida

Bebida

Melhor Pêra-Manca do século 21

Um dos mais prestigiados vinhos portugueses, o Pêra-Manca tinto só é feito em anos de grandes safras – critério estabelecido desde 1990. Chega agora ao Brasil a edição 2011, da melhor safra portuguesa deste século

25 novembro 2015 | 17:31 por Guilherme Velloso

A maior novidade da safra 2011 do Pêra-Manca talvez esteja fora e não dentro da garrafa deste famoso tinto português, um dos preferidos dos brasileiros (o Brasil é seu maior mercado fora de Portugal).

O vinho, que estará à venda no País no início de dezembro, foi apresentado em primeira mão ao Paladar por Pedro Baptista, enólogo responsável, e José Mateus Ginó, diretor comercial da Fundação Eugênio de Almeida (FEA), detentora da marca e responsável por sua produção desde 1987.

A novidade é a presença de um selo de segurança, desenvolvido pela Casa da Moeda de Portugal, cuidado que se justifica pelo preço de quase R$ 2,3 mil cobrado por uma única garrafa.

Guarda. Adega da Fundação Eugênio de Almeida, onde estagiam os vinhos Pêra-Manca, no Alentejo. FOTOS: Divulgação

Ficou com água na boca?

Trata-se de um código numérico associado a uma imagem holográfica incorporada à cápsula da garrafa. Os dados ali contidos podem ser confirmados no site da empresa para atestar a autenticidade do produto.

Além do preço, a providência se explica pela fama que o vinho adquiriu ao longo de seus mais de 600 anos de existência e por sua histórica ligação com o Brasil. Há registros de que havia barricas do Pêra-Manca nas naus comandadas por Pedro Álvares Cabral na viagem que o trouxe às costas da Bahia.

Fora do mar, no entanto, não foram poucas as turbulências enfrentadas pelo vinho. A marca só reapareceu no mercado português no século 19 e ganhou prêmios nas feiras de vinho de Bordeaux em 1897 e 1898. Mas, nessa mesma época, a crise da filoxera dizimava os vinhedos do país, a exemplo do que estava ocorrendo em praticamente toda a Europa.

Na esteira da crise que se seguiu, o vinho deixou de ser produzido, até que, em 1987, o herdeiro da antiga Casa Soares, detentora da marca, ofereceu-a à FEA, que tem na produção vinícola o principal esteio de suas atividades beneméritas. Já com a ideia de fazer um vinho à altura do prestígio associado ao nome, a primeira safra dessa nova fase foi lançada em 1990. E definiu-se que o vinho só seria produzido em grandes safras. Foram só 12 até hoje, a anterior em 2010. A que acaba de chegar ao Brasil foi considerada uma das melhores do século 21 em Portugal (veja abaixo).

O Pêra-Manca é feito com uvas de apenas três parcelas do vinhedo: duas de Aragonez (um dos nomes da Tempranillo em Portugal) e uma de Trincadeira. O vinho estagiou por 18 meses em carvalho francês e, já engarrafado, ficou mais dois anos nas caves do mosteiro da Cartuxa, que dá nome a outra gama de vinhos da FEA.

Em suas várias linhas, a Fundação produz mais de quatro milhões de garrafas por ano. A mais nova, Vinea, cuja segunda safra também está chegando ao Brasil, ocupa a base da pirâmide em cujo topo reina o Pêra-Manca tinto (também é produzido um Pêra-Manca branco), do qual foram produzidas só 30 mil garrafas na safra 2011.

Em tempo: o nome do vinho não vem da fruta e significa simplesmente “pedra manca” ou “pedra que oscila” no antigo dialeto alentejano.

VINEA CARTUXA TINTO 2013

Origem: Alentejo (Portugal)

Preço: R$ 55,90 na Adega Alentejana

É a segunda safra da linha que pretende ser a porta de entrada dos vinhos da FEA. Embora o foco seja o mercado português, esse “primo pobre” do Pêra-Manca chega ao Brasil no momento certo. Focado na fruta, é um vinho simples e direto, de cor rubi viva, com boa acidez, corpo leve e álcool equilibrado, que entrega o que promete: boa qualidade a preço atraente. Recomenda-se servi-lo levemente resfriado.

PÊRA-MANCA TINTO 2011

Origem: Alentejo (Portugal)

Preço: R$ 2.298 na Adega Alentejana

Trata-se de um corte de Aragonez (55%) e Trincadeira (45%). O pequeno halo violáceo atesta que é um vinho muito jovem, mas já apresenta grande complexidade aromática: fruta escura tipo cereja madura, delicadas notas tostadas de tabaco e café, e de especiarias, além de um elegante herbáceo final. Na boca, é muito concentrado (fruta madura/madeira/taninos), mas o que chama a atenção é, principalmente, a excelente acidez e enorme frescor, características pouco comuns em vinhos de regiões vinícolas mais quentes como o Alentejo, só possíveis numa safra praticamente perfeita como 2011. É potente sem ser pesado e nem os 15% de álcool comprometem seu equilíbrio. Em que pese o investimento necessário para comprá-lo, recomenda-se aos interessados aguardar de três a cinco anos antes de abrir a garrafa, de preferência acompanhado de pratos tradicionais da culinária portuguesa como um bom cozido ou uma chanfana, de cabrito ou de carneiro.

>> Veja a íntegra da edição de 26/11/2015

Ficou com água na boca?