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Mineralidade: jargão do vinho entra para o 'Oxford Companion to Wine '

Termo frequentemente usado por degustadores agora está em enciclopédia

13 janeiro 2016 | 18:49 por Redação Paladar

Algum palpite sobre qual é a palavra da moda no mundo do vinho hoje? O termo vive na boca dos degustadores e é usado a torto e a direito para descrever características misteriosas de vinhos sofisticados. Se você pensou mineralidade, acertou.

Prova de que o termo pegou é que foi uma das adições mais importantes da nova edição do Oxford Companion to Wine, a enciclopédia do vinho escrita por Jancis Robinson. Uma das maiores críticas de vinho do mundo, ela diz que é mais fácil explicar o que não é mineralidade do que definir o termo: não é frutado, não é vegetal, não é animal.

Relacionada principalmente a vinhos brancos, como na clássica nota de pedra de isqueiro dos Rieslings, ou de calcário dos Chablis e dos Sancerre, a mineralidade virou jargão entre produtores, sommeliers e entusiastas.

E diferentemente de outros termos comuns nas fichas técnicas – notas de frutas negras, de chocolate ou de manteiga não denotam a presença deles na composição do vinho de forma alguma –, tende-se a levá-lo ao pé da letra, presumindo que os aromas ou sabores minerais vêm de um terroir com essa característica.

Ficou com água na boca?

Ainda se sabe pouco sobre o que faz um vinho ter mineralidade. Jancis, em seu Oxford Companion to Wine, afirma que análises sensoriais e químicas apontaram que esses vinhos têm alta acidez, possivelmente relacionada a solos alcalinos. E, ainda, pode estar ligada à presença de componentes relacionados a enxofre.

O sommelier Luís Antonio Amaral, do Kaá, sabe que o assunto é polêmico e conta que ao perguntar o que é mineralidade a 20 profissionais do vinho ouviu 20 explicações diferentes. “Minha melhor definição é o reflexo do solo na taça.” Para quem quer tirar suas próprias conclusões, ele indica três vinhos.

Da Alemanha, um Riesling “encantador”, o Weingut Schloss Lieser seco, da região do Mosel (R$ 106 na Weinkeller).

Da França, o Chablis Domaine de Guatheron 2014 (R$ 128 na De La Croix), com aromas florais e paladar fresco.

 

E do Chile o Riesling Meli (R$ 59,90 na La Charbonnade), com boa tipicidade.

>> Veja a íntegra da edição de 14/1/2016

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