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Mondial de la Bière premia as 15 melhores cervejas do país

A paulista Cervejaria Colorado e a mineira Wäls Cervejas Especiais compartilharam a medalha de platina do Mondial de La Bière Rio de Janeiro

16 novembro 2013 | 13:37 por Redação Paladar

Por Thaise Constancio

Especial para o Estado

A rapadura de Ribeirão Preto e o café de Belo Horizonte dividiram e conquistaram os sete jurados do MBeer Contest Brazil, competição que escolheu os 15 melhores rótulos e as sete melhores cervejarias brasileiras (veja a lista completa abaixo). Nessa sexta-feira, 15, a paulista Cervejaria Colorado e a mineira Wäls Cervejas Especiais compartilharam a medalha de platina do Mondial de La Bière Rio de Janeiro.

Feita com malte, lúpulo e rapadura queimada, a Colorado Ithaca Oak Aged é envelhecida em barris de carvalho, como o próprio nome explica. De alta fermentação, com teor alcoólico de 10,5%, encorpada e de cor escura, ela é uma legítima imperial stout. Marcelo Carneiro, dono da Colorado e ganhador de duas medalhas, explica que o equilíbrio entre amargor e doçura da cerveja harmoniza bem com carnes de caça, queijos duros bem maturados, presunto cru e sobremesas caramelizadas.

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Já a Wäls Petroleum é uma cerveja do estilo russian imperial stout, com 12% de teor alcoólico e cor escura. José Felipe Carneiro, dono da Wäls e vencedor cinco medalhas, conta que a ideia de combinar aromas de café, chocolate belga e caramelo e a maturação com cacau extra bruto e maltes torrados surgiu a partir de um receita da cervejaria paranaense DUM. A sensação viscosa e o amargor da cerveja mineira combinam com carnes vermelhas e sobremesas de chocolate e sorvete de baunilha.

FOTO: Reprodução

A escolha das campeãs ficou por conta dos brasileiros Kátia Jorge, Tatiana Spogis e Gustavo Henrique Miranda, dos italianos Giovanni Campari e Teo Musso, o americano Tony Forder e o canadense Serge Noël, que assumiram a missão de escolher às cegas as melhores cervejas do concurso. Após provarem as amostras, classificaram as bebidas de acordo com o estilo identificado e deram suas notas. As cervejas com as mais pontos absolutos venceram o festival.

Opinião internacional. Conhecedor do mercado cervejeiro brasileiro, Teo Musso, da cervejaria italiana Baladin, percebe uma grande mudança na produção local nos últimos anos. “Pela primeira vez, os brasileiros estão fazendo cerveja de maneira diferente da forma tradicional. Acho que esse é um começo muito interessante para os produtores que querem crescer”.

“As cervejas brasileiras estão ganhando competições internacionais e levando essa personalidade mundo afora. Isso significa que os cervejeiros daqui são bons e que o mercado tem tudo para crescer e conquistar o mundo”, afirmou a presidente do Mondial, a canadense Jeannine Marois.

Editor do site Ale Street News e presidente do júri, Tony Forder ficou muito impressionado com a criatividade brasileira. “Os brasileiros importaram o estilo americano de fazer cerveja, mas deram um toque pessoal. Estou gostando muito do que vejo por aqui”.

Crítico do uso massivo do lúpulo americano, o italiano Giovanni Campari, do Birrificio del Ducato, defendeu o equilíbrio entre tradição, inovação e criatividade: “As vencedoras são realmente muito boas. Sugiro que os produtores daqui sejam ainda mais criativos, mas sem extremismos porque o equilíbrio é o segredo para uma cerveja bem sucedida”.

Estreia nacional. O Mondial já existe há 20 anos, mas esta é a primeira vez que acontece uma edição na América do Sul, e o Rio de Janeiro foi escolhido para sediar o encontro de cervejeiros e amantes de cerveja. O festival começou na quinta-feira, 14, e se estende até o domingo, 17, reunindo cerca de 450 rótulos de 60 cervejarias na Praça Onze, centro do Rio.

Um dos três maiores produtores de cerveja do mundo, o Brasil possui hoje 200 microcervejarias especiais, responsáveis por 3,4 litros dos 67,4 litros de cerveja que os brasileiros consomem por ano. Somente em 2012, o segmento faturou R$ 39,6 bilhões e tem planos para aumentar esse valor em quatro vezes até 2015.

Vencedores do MBeer Contest Brazil

Medalhas de Platina

Cervejaria Colorado: Colorado Ithaca Oak Aged, Ribeirão Preto

Wäls – Cervejas Especiais: Wäls Petroleum, Belo Horizonte

Medalha de ouro

Cervejaria Colorado: Colorado Ithaca, Ribeirão Preto

Cervejaria Coruja: Labareda, Porto Alegre

Cervejaria Dortmund Ltda.: Nostradamus, Amparo

Cervejaria Invicta: Invicta Imperial India Pale Ale, Ribeirão Preto

Cervejaria Noi: Noi Nera, Niterói

Cervejaria Bodebrown: Bodebrown Black Rye IPA, Curitiba

Cervejaria Bodebrown: Bodebrown Hop-Weiss, Curitiba

Cervejaria Bodebrown: Tripel Montfort, Curitiba

Wäls Cervejas Especiais: Stadt Jever, Belo Horizonte

Wäls Cervejas Especiais: Wäls Quadruppel, Belo Horizonte

Wäls Cervejas Especiais: Wäls Trippel, Belo Horizonte

Wäls Cervejas Especiais: Wäls Witte, Belo Horizonte

Cervejaria Bodebrown / Stone Brewing Co.: Cacau IPA , Colaboração Brasil e EUA

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