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Morre a baronesa do vinho mítico

Nada muda nos vinhos do Château Mouton Rothschild, Opus One e Almaviva com a morte da baronesa Philippine de Rothschild. A comandante do império que comercializa 30 milhões de garrafas anualmente, entre elas o mítico Château Mouton Rothschild (que não sai por menos de R$ 4.500), morreu dia 23 de agosto, aos 80 anos de idade, após complicações resultantes de uma cirurgia – essa foi a única informação divulgada pela família.

04 setembro 2014 | 01:00 por marcelmiwa

FOTO: Don Emmert/AFP

O pulso firme e a forte liderança como presidente do conselho de administração da Baron Philippe de Rothschild S.A. fizeram-na ser chamada de “La Grande Dame” de Bordeaux.

Philippine Mathilde Camille de Rothschild foi atriz profissional por 30 anos e perdeu a mãe prematuramente em 1945, quando agentes da Gestapo a levaram para o campo de concentração de Ravensbrück. Em 1988, após a morte do pai, o Baron Philippe de Rothschild, Philippine assumiu o controle dos negócios da família, que incluem mais dois châteaux Cru Classé: D’Armailhac (5ème Cru) e Clerc Milon (5ème Cru). O Château Mouton Rothschild, que até sua adolescência era apenas uma casa de férias, passou a ser um grande negócio.

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Além disso, Philippine tinha também participação majoritária na Baron Philippe de Rothschild S.A., que hoje produz vinhos em diversas regiões francesas, no Chile (linhas Escudo Rojo e Almaviva) e na Califórnia (Opus One). A empresa é igualmente responsável pela produção da popular linha de vinhos Mouton Cadet, o vinho com denominação Bordeaux AOC mais vendido no mundo, com cerca de 12 milhões de garrafas/ano.

A forte personalidade da baronesa, somada ao poderoso sobrenome, já geraram hipóteses de conexão com a seita secreta Illuminati e os pingentes com formas variadas de carneiro (mouton, em francês), que sempre utilizava em aparições públicas, eram considerados cultos às doutrinas obscuras.

Polêmicas à parte, a baronesa Philippine ficou marcada por ser autora de uma das mais célebres frases do mundo do vinho: “Fazer vinho é um negócio razoavelmente simples. Difícil são só os primeiros 200 anos”. Sob o comando da baronesa, o Château Mouton-Rothschild lançou seu Bordeaux branco, chamado Aile d’Argent em 1991 e o segundo vinho de Mouton Rothschild, o Le Petit Mouton, em 1993.

Conhecida pelo amor às artes, Philippine prosseguiu com o projeto iniciado pelo pai de ilustrar os rótulos de Mouton com obras de grandes artistas e criou uma mostra itinerante com a coleção completa das obras originais que ilustram as garrafas do Château Mouton Rothschild desde 1945. Em sua gestão, Keith Haring (1988), Francis Bacon (1990) e Anish Kapoor (2009) foram alguns dos autores dos rótulos.

Dois dos três filhos de Philippine, Philippe Sereys de Rothschild e Julien de Beaumarchais de Rothschild (filho do segundo casamento da baronesa), já integram o conselho de administração da empresa Baron Philippe de Rothschild S.A.; com a terceira filha, Camille Sereys de Rothschild, dividirão a fortuna deixada por Philippine, estimada em A 750 milhões pela revista francesa Challenges.

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 4/9/2014

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