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Só de birra

Heloisa Lupinacci

Não existe um público cervejeiro – mas vários

Veja roteiro de bares onde a cerveja é bem tratada, armazenada em câmara fria, servida em linhas de chope limpas, em copos limpos como há bem pouco era raro

29 novembro 2017 | 19:39 por Heloisa Lupinacci

O que Ambar, Barley e Cateto têm em comum? Os três são excelentes bares de cervejas especiais. Lugares em que a cerveja é bem tratada, armazenada em câmara fria, servida em linhas de chope limpas, em copos limpos – chegam ao bebedor de um jeito que, poucos anos atrás, parecia sonho ou exceção. Perfeitas, como o cervejeiro imaginou, como o bebedor nem sabia que queria.

Dentro do copo, parecidos. Agora, fora do copo, tudo muda. Da história de cada um desses bares deriva um pouco seu público. Assumindo que todo estereótipo é injusto (eu mesma frequento os três), o Ambar é arrumadinho, o Barley é cervejeiro barbudo e o Cateto é hipster. E assim, olhados como um trio, ilustram uma mudança no público cervejeiro.

Ambar. Torneiras da cervejaria concorrida de Pinheiros

Ambar. Torneiras da cervejaria concorrida de Pinheiros Foto: Márcio Fernandes|Estadão

O público cervejeiro só aumenta. Veio crise, piorou crise, ficou pior ainda, e mesmo assim só fez crescer a quantidade e variedade de pessoas interessadas em trocar a cervejinha do boteco por um copo de cerveja artesanal, ainda que só de vez em quando. Resultado: surgem cada vez mais bares que refletem esse crescimento. Vai ficando mais fácil encontrar um lugar que tenha a sua cara. 

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Lançamentos que antes eram concentrados sempre no mesmo bar – o Empório Alto dos Pinheiros – passaram a se espalhar por outros endereços. A Ruradélica apresentou sua Crocodilo Double IPA no Cateto. A Trilha apresentou a Melonrise no Âmbar. A Treze engatou a Baleia Triple IPA pela primeira vez no Barley. “Não faz sentido toda cerveja ser lançada aqui. As cervejarias que entenderem seu público e souberem a qual bar ele vai saem ganhando”, diz Paulo Almeida, dono do EAP, que ainda faz nove entre dez lançamentos em São Paulo mas aprova a diversificação. 

“Não existe mais ‘o público cervejeiro’, existem públicos cervejeiros, ocupando bares cada vez mais legais”, comemora um dos pioneiros desse mercado. Nesta semana, escolhi alguns endereços para ajudar você a encontrar o seu.

CHOPE BEM SERVIDO 

Lembra aquela história de chope bem tirado, com colarinho alto, cremoso, que fazia todo mundo descambar para a rua Aurora pra formar fila na porta do Bar Léo no centro de São Paulo? É uma boa memória (alguém sabe dizer se a comida do Del Mare continua boa?), mas fica cada vez mais caricata diante da rápida evolução do mercado. Inaugurado recentemente na Santa Cecília, o bar Cerveja a Granel funciona assim: você carrega um cartão com créditos e usa esse cartão em máquinas de autosserviço – pode colocar quanta cerveja quiser no copo. Você paga por volume e bebe até acabar o crédito. O modelo é o mesmo do Bar da Avareza, na Augusta. 

 

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