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Não jogue vinho fora. Jogue argônio nele

Equipamentos usam esse gás inerte que não reage com o vinho e prometem conservar a garrafa depois de aberta. Fizemos o teste: acompanhamos três vinhos mantidos com diferentes métodos, inclusive o velho Vacu Vin

25 fevereiro 2015 | 17:08 por marcelmiwa

Uma garrafa de vinho aberta e inacabada é um problema. Terminar à força é crime. Guardá-la de qualquer jeito, pior ainda. Desperdiçar um bom vinho, nem pensar. Vários acessórios prometem manter tintos e brancos em bom estado depois de abertos e resolvemos testar e comparar a eficácia de três aparelhos. Dois deles usam um gás inerte que não interage com o vinho e tem gerado boa impressão, o Private Reserve e o Coravin. O primeiro injeta o gás, que é pesado, dentro da garrafa, formando uma barreira entre o vinho e o oxigênio.

O Coravin é mais complicado, é uma espécie de mini Enomatic (aquela máquina que permite aos restaurantes manter os vinhos abertos e servi-los em taças). O aparelho doméstico permite servir o vinho sem abrir a garrafa. Consiste em uma agulha e uma cápsula de gás: a agulha fura a rolha e injeta gás ao mesmo tempo em que suga o vinho, vertido por um bocal. Porém é caro, ainda não é vendido no Brasil, não funciona em tampa de rosca e não deve ser usado em garrafa com trinca. Como ele altera a pressão na garrafa, vem inclusive com um protetor de neoprene para prevenir que ela quebre.

O terceiro equipamento testado foi o tradicional vacu vin, uma bomba manual com rolhas de borracha com válvulas que elimina parte do ar na garrafa.

Testamos os três aparelhos durante um mês, com o mesmo vinho, o Altano 2010 (R$ 67, safra 2012, na Mistral), tinto do Douro com perfil de vinho de dia a dia, cheio de aromas de frutas negras maduras e violeta.

Ficou com água na boca?

PROVA

Abrimos as três garrafas e testamos os vinhos para ver se estavam bons e iguais entre si. No 1°, 2°, 3°, 7°, 14° e 30° dias retiramos e provamos uma taça de cada um.

Vacu Vin

Descrição. Mais popular entre os três, é uma rolha de borracha com uma válvula. Com uma bomba manual, retira-se o ar da garrafa, diminuindo a velocidade de oxidação da bebida. Vem com duas rolhas. Se quiser guardar mais vinhos abertos, dá para comprar mais rolhas.

Avaliação. O vinho até melhorou no dia seguinte, com aromas mais abertos e os taninos mais redondos. No entanto, a partir daí começou a decair. No 3º dia os aromas perderam intensidade e uma ponta de ácido acético (vinagre) já dava as caras. No 7º dia foi para o lixo.

Prós. Barato e de fácil manejo, funciona com todo tipo de garrafa (exceto espumante).

Contras. Conserva o vinho por poucos dias e só permite manter dois por vez.

Coravin

Descrição. Uma agulha penetra na rolha e extrai o vinho ao mesmo tempo que injeta gás argônio, que não reage com a bebida. Ou seja, você toma o vinho sem abrir a garrafa. É tirar a meia sem tirar o sapato.

Avaliação. Foi o melhor na avaliação. O vinho ficou totalmente conservado até o 30º dia. Duas ressalvas: é difícil aprender a usar o Coravin e os aromas ficam mais fechados quando preservados com o argônio – o mesmo vale para o Private Reserve. Mas é só girar a taça que eles abrem.

Prós. Muito eficaz. Não precisa retirar a rolha da garrafa, que pode voltar a ser guardada na posição horizontal.

Contras. Funciona só com garrafas arrolhadas. Exige esforço de aprendizado para ser usado. É caro e não é vendido oficialmente no Brasil.

Private Preserve

Descrição. Um tubo borrifa gás argônio dentro da garrafa (três borrifadas). Em seguida, fecha-se a garrafa com a própria rolha ou tampa de rosca. O argônio, que não reage com o vinho, forma um colchão de proteção.

Avaliação. O vinho ficou bem conservado até o 14° dia. Aromas e boca mantiveram-se com a mesma expressão ao longo das duas semanas. No 30° dia, os aromas estavam apagados e, embora não houvesse grandes traços de avinagramento, o tinto do Douro não estava mais o que fora dias antes.

Prós. Bastante eficaz, é muito fácil de usar e funciona em qualquer tipo de garrafa (exceto espumantes).

Contras. As garrafas, depois de abertas, precisam ser mantidas na vertical. Apesar de ser eficaz, não conservou o vinho integralmente até o final da prova.

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 26/2/2015

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