Paladar

Bebida

Bebida

Só de birra

Heloisa Lupinacci

Neste verão, aposte nas cervejas artesanais brasileiras em lata

Primeira cerveja artesanal brasileira em lata de 350 ml chega ao mercado paulista no dia 21

02 dezembro 2015 | 15:10 por Heloisa Lupinacci

Só quem ainda não provou uma boa IPA ou, melhor ainda, uma bela session IPA saída de uma latinha ainda guarda birra da embalagem metálica.

É verdade que foram anos e anos tomando cerveja sem graça em latinhas meio salgadas tiradas de isopores com gelo em festas, mas já tem tempo que isso vem mudando – especialmente nos Estados Unidos.

Agora, as latas começam a ser cheias de também cerveja artesanal brasileira.

No Mondial de la Bière, festival que reuniu o mundo cervejeiro no Rio em meados de novembro, a Mistura Clássica, de Volta Rendonda (RJ), apresentou sua linha de latas de 1 litro.

Ficou com água na boca?

São cinco rótulos: pilsen, Georgia (uma lager clara com dose extra de lúpulo), Euforia (saison) e as novas Hop Rio (session IPA) e Verolme (american wheat, versão americana de cerveja de trigo com, claro, dose extra de lúpulo). A linha completa chega amanhã ao Empório Alto dos Pinheiros, em São Paulo, a R$ 48 (1 litro).

Além disso, a partir do dia 13 de dezembro, começa a funcionar a primeira envasadora móvel de latas no Brasil, a Da Lata.

Primeira latinha. A Venice Beach Session IPA, da Dádiva, vai ser a primeira cerveja artesanal brasileira em lata de 350 ml. FOTO: Divulgação

O empreendimento dos sócios Alexandre Levorin e Rodrigo Fernandes da Costa funciona assim: a cervejaria contrata os serviços da Da Lata. A Da Lata imprime o rótulo (que é como uma cápsula que é grudada à lata), carrega um caminhão de 6 metros de comprimento com a máquina de enlatar e as latinhas já rotuladas e vai até a cervejaria (ou a fábrica de qualquer bebida que possa ser enlatada, como café gelado, refrigerante, drinques prontos). Chegando lá, monta a máquina, engata no tanque, enlata a cerveja e vai embora.

Em uma hora, a máquina enche 2.400 latas, são 1.000 litros de cerveja – descontado o tempo para limpar a máquina antes de começar o processo, para garantir que não tenha contaminação, e depois. O preço varia conforme o volume contratado e o tamanho da lata (hoje há disponíveis a de 350 ml e a de 470 ml, a empresa já estuda ter também a de 269 ml).

A primeira cerveja que vai ser enlatada, e que marca o início das operações, é a Venice Beach Session IPA, da Dádiva – com receita desenvolvida pelo cervejeiro Victor Pereira Marinho, que está por trás de diversas boas cervejas disponíveis no mercado. Foram feitos 2.000 litros.

Segundo Luiza Tolosa, sócia da Dádiva, a ideia de lançar a Venice Beach, como o nome indica, veio da praia mesmo. “Os consumidores de cerveja artesanal têm dificuldade de tomar cerveja artesanal na praia. Vidro é pesado, não é prático, é volumoso… Com a chegada da Da Lata ao mercado, decidimos lançar essa cerveja.” A Venice Beach será lançada no dia 21 também no Empório Alto dos Pinheiros (ainda sem preço). É o sexto rótulo da cervejaria.

As latas são especialmente boas para envasar IPAs e outras cervejas lupuladas porque elas isolam totalmente a cerveja da luz – e isso protege os aromas do lúpulo (um dos fatores de deterioração do lúpulo é a chamada foto-oxidação, que dá o defeito batizado de lightstruck e que faz lembrar cheiro de gambá). Além disso, o sistema de envase, com expulsão do oxigênio da lata antes de enchê-la com líquido, reduz as chances de oxidação da cerveja.

Na hora de beber, não tome direto da latinha, sirva em um copo. A boca tampa a abertura da lata totalmente, escondendo o aroma da cerveja – uma das características mais marcantes das cervejas lupuladas.

Ficou com água na boca?