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O roteiro do cervejeiro ribeirão-pretano

Por Edson Franco

02 maio 2013 | 00:15 por redacaopaladar

Agora que o ribeirão-pretano descobriu os mistérios que se escondem sob a mistura de malte, lúpulo, levedo e água – e outros aditivos mais ousados –, ele está com pressa e muita sede. Em decorrência, multiplicam-se na cidade os locais onde são encontradas cervejas artesanais de qualidade. Empórios, botecos e baladas fornecem o combustível para tardes animadas e ensolaradas em que a bermuda é o traje oficial, ou para as noites agitadas, nas quais a etiqueta local demanda mais cuidado com os trajes, mas sem exageros. Uma calça jeans e uma camisa polo ou um vestidinho arejado fazem o forasteiro permanecer incógnito em meio à tribo cervejeira da cidade.

Chope na Cervejaria Invicta. FOTO: Patricia Cruz/Estadão

Cervejaria invicta

Ficou com água na boca?

Com suas três torneiras de chope, o bar da Cervejaria Invicta oferece a melhor relação custo/benefício da cidade. Durante a happy hour, que na casa se estende das 18h às 20h, cada copo de 300 ml sai por R$ 2,49. Valor generosíssimo, levando-se em conta que os líquidos despejados podem ter o corpo volumoso da India Black Ale ou o amargor lupulado e equilibrado da Imperial IPA.

Depois desse horário, o preço não chega a assustar: sobe para R$ 4,50. Para quem quiser se aventurar pela produção estrangeira, as geladeiras ostentam rótulos como a americana Brooklyn IPA (R$ 14,90) e a tcheca 1795 (R$ 11,90). Campeã de vendas, a porção de mandioca frita forra os estômagos por R$ 8,90.

Cervejarium pertence ao grupo da Colorado. FOTO: Patricia Cruz/Estadão

Cervejarium

Ocupando um casarão espaçoso, com 33 mesas e seis outras que avançam pela calçada, o Cervejarium pertence ao grupo da Colorado. Ali é possível experimentar a variação em chope de toda a família engarrafada pela marca. Em copos de 330 ml, degustam-se desde a leve e refrescante Cauim (R$ 5,90) até a deliciosamente amarga Vixnu (R$ 8,90). Das geladeiras, saem grandes artesanais feitas no Brasil, como a Wäls Petroleum (R$ 20) e a Invicta Imperial IPA (R$ 16). Para rebater, a casa oferece de caldinho de feijão (R$ 12,50) a homenagens ao universo botequeiro nacional, como a porção do bolinho de feijoada do bar Aconchego Carioca (R$ 26). Desde novembro de 2012, a cervejaria tem um maître, Marcelo Vinicius, que já trabalhou nos restaurantes paulistanos Biondi e Pomodori. “Estou adorando este momento cervejeiro da cidade. Meu plano era passar um tempo em Ribeirão, mas já estou trazendo minha mulher e minhas filhas. Vamos ficar aqui.”

Lund

A poucos metros do Mercadão, fica a cervejaria Lund, onde um balcão atende sedentos apenas aos sábados, das 10h30 às 16h30. É a oportunidade de experimentar em forma de chope fresquíssimo as cervejas engarrafadas no local. Por preços que oscilam entre R$ 4,50 e R$ 5, entorna-se uma tulipa de 300 ml do maltado pilsen, do consistente e equilibrado dunkel ou do bem resolvido weiss. Todo sábado, clientes como Alexandre Cinci fazem uma pausa ali: “Conheci o chope num evento de um amigo há uns seis meses e pirei. Cada vez vejo chegar aqui mais apreciadores que, como eu, estão fartos das cervejas comuns”. E se a ideia é não correr riscos com as blitze da Lei Seca, uma sugestão é se abastecer no Museu da Gula e levar as garrafas e latas para casa ou hotel – são cerca de 60 rótulos disponíveis nas prateleiras. Melhor ainda, como esse empório não se limita a vender cerveja, é possível encher a sacola com queijos, frios e acepipes vindos de diversos lugares do Brasil e do mundo.

Biergarten é o maior dos empórios no Mercadão da Cidade. FOTO: Patricia Cruz/Estadão

Mercadão da Cidade

No Mercadão da Cidade se aninham dois empórios que primam pela variedade de cervejas servidas em espaços aconchegantes e sem esnobismos. O maior deles é o Biergarten. Ele é fruto da paixão do casal Gabriela Benedini e Marcelo Vesoloski por bebidas e de uma tradição de família da proprietária, dona da fazenda Santa Esilia, que produz a cachaça Gabriela desde 1963. Aos 20 anos, ela foi estudar na Alemanha, onde se maravilhou com a cultura cervejeira no geral e as cervejas de trigo em particular. De volta ao Brasil resolveu aproveitar a experiência da família e a disposição de Marcelo e abriu o empório em 2008. No início, ocupava apenas um box de 17,5 m. Na base do boca a boca, a casa cresceu e invadiu o box ao lado. Hoje armazena e serve 350 rótulos e mantém dez torneiras de chope.

“Esse empório é nosso casamento”, brinca Marcelo, ao justificar o adiamento da oficialização do compromisso, que parece ir bem e cada vez mais ligado à cerveja.

Onde fica:

Bares

Cervejarium

Av. Independência, 3.242,

tel.  (16) 3911-4949

Invicta

Av. do Café, 1.365,

tel. (16) 3878-1020

Lund

Rua José Roberto Vittorazzi, 325, tel. (16) 3621-5915/3443-7166

Pinguim

R. General Osório, 389 ,

tel. (16) 3610-8386 / 8258

Empórios

Biergarten

Av. Lygia Latuf Salomão, 605,

tel. (16) 3237-0722

Joe Beer

Av. Lygia Latuf Salomão, 605,

tel. (16) 3237-3970

Museu da Gula

Av. João Fiusa, 1.436,

tel. (16) 3602-5640

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