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Para o calor, vinho branco - além de Chardonnay e Sauvignon

Por Guilherme Velloso e Marcel Miwa

28 janeiro 2015 | 13:51 por redacaopaladar

Avesso, Verdejo, Jacquère, Greco, Furmint e Steen. O que esses nomes têm em comum? Todos designam variedades de uvas usadas em vinhos brancos. E mostram que há muitas possibilidades para além da dupla Sauvignon Blanc-Chardonnay.

O calor convida a tomar brancos refrescantes – deixando os tintos de lado por um tempo – e cria uma boa oportunidade para provar novidades e diversificar a adega, tanto na origem dos rótulos, como no tipo de uva.

O vinho verde de Avesso vem de Portugal; o Verdejo, da Espanha; o Jacquère é da região de Savóia na França; o Greco, da Campânia italiana, o Furmint, da Hungria – a uva, normalmente usada nos grandes vinhos doces húngaros, aparece aqui em um branco seco –, e Steen é o nome que a Chenin Blanc, típica da região do Loire, na França, ganhou na África do Sul, onde se adaptou muito bem.

Ficou com água na boca?

Esta degustação foi um primeiro exercício (são tantas as variedades de uvas brancas menos conhecidas que dá para repetir a brincadeira inúmeras vezes), com um painel amplo e variado em que aparecem rótulos representativos de diferentes regiões e países.

Pela acidez refrescante e delicadeza, os brancos também combinam melhor com comidas típicas da estação, como pratos à base de peixe e frutos do mar e diversos tipos de salada.

QUINTA DE LINHARES AVESSO 2013 – Bom

Origem: Minho, Portugal

Esqueça a simplicidade de vinhos verdes comerciais: a delicadeza de aromas e ótimo frescor imperam neste branco. Cítrico e delicado, com toque mineral (talco) e de flores brancas. Daniela imagina este vinho servido bem fresco, na beira da piscina acompanhado de um prato com frutos do mar. Apesar do reino da Alvarinho estar bem consolidado na região dos Vinhos Verdes, este é um bom exemplo de que outras castas como a Avesso têm potencial para brilhar.

ROYAL TOKAJI FURMINT 2012 – Ótimo

Origem: Tokaj, Hungria

Sua potência e estrutura o colocam no time dos brancos mais ambiciosos, que podem ir à mesa sem medo e encarar saladas, pescados e até carne suína. É um vinho para quem gosta de boa estrutura sem excesso de exuberância ou álcool. No nariz dominam as notas de papaia, abacaxi fresco e massa doce amanteigada.

DOMAINE D’IDYLLE CRUET 2013 – Ótimo

Origem: Savóia, França

Um dos grandes destaques da degustação (inclusive, por ser o mais barato entre os rótulos provados), tem acidez bem ajustada, fresca e sem agressividade. É rico em aromas de pera, flores brancas, grama e pão doce. O álcool mal se nota. Para Guilherme, há estrutura suficiente para encarar peixes grelhados. É uma ótima surpresa feita com a Jacquère, uva pouco conhecida, da também pouco conhecida região de Savóia, ao sul do Jura, nos Alpes franceses.

MASTRO GRECO IGT 2012 – Ok

Origem: Campânia, Itália

A amostra mais exótica do painel. Para quem está acostumado com Chardonnay e Sauvignon Blanc é um salto grande de estilos. O vinho lembra um Jerez Manzanilla, com mineralidade salina, aromas de fermento cru e flores, mas com estrutura leve (coerente com o solo vulcânico da região). São poucos os aromas frutados e há um leve amargor. Se de um lado sobra personalidade, de outro é o branco menos democrático da degustação.

OSSIAN QUINTALUNA 2011 – Ótimo

Origem: Rueda, Espanha

Descrito como elegante e longo por Daniela, é um ótimo companheiro para ostras. O típico cheiro de casca de limão da Verdejo surge de forma elegante, emoldurado por aromas minerais que fazem lembrar alguns Rieslings. É o rótulo mais simples da vinícola, que se dedica exclusivamente à casta Verdejo, de vinhas velhas e plantadas em pé-franco (sem porta-enxerto).

MULLINEUX KLOOF STREET CHENIN BLANC 2013 – Bom

Origem: Swartland, África do Sul

Preço: R$ 86, na Qual Vinho (qualvinho.com.br)

Mullineux está entre os produtores mais badalados do momento na África do Sul. Mesmo nesta linha mais simples, a Chenin Blanc mostra seus aromas de jambo, marmelo e flores brancas, textura delicadamente untuosa e acidez certeira. A sensação de oleosidade dá a impressão de boa estrutura, equilibrada pelo bom frescor. Há sutil aroma de pão tostado no final. Um vinho que funcionaria bem com um bobó de camarão.

4 dicas para servir vinho branco em dias quentes

Esfrie à vontade

Não tenha medo de gelar o vinho branco. Você pode deixá-lo 30 minutos no freezer ou 15 minutos em um

balde com bastante gelo.

Use taça pequena

Evite as taças muito grandes e sirva pequenas porções. Após algum tempo parado na taça, o vinho esquentará

e parecerá mais alcoólico.

Manter o rótulo?

Se for colocar a garrafa no balde com gelo e quiser preservar o rótulo íntegro, basta passar uma camada de filme plástico ao redor da garrafa antes.

Gelo no copo, não

Apesar de alguns pregarem a moda de colocar gelo dentro da taça de vinho, um vinho bem feito perderá seu equilíbrio se for diluído.

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 29/1/2015

Ficou com água na boca?