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Produtores de vinho do porto declaram safra 2011 vintage

Por Eric Pfanner

12 junho 2013 | 23:00 por redacaopaladar

Do New York Times, de Valença do Douro, Portugal

Diferentemente da maioria dos vinhos, que têm safra anual, ou de dois em dois anos, o porto “vintage”, o mais valorizado, é engarrafado só em anos selecionados – em média, três vezes numa década. O que faz com que cada safra seja um verdadeiro acontecimento.

A grandeza de uma safra vintage só é confirmada quando as maiores casas de porto a anunciam conjuntamente, como acabam de fazer com a 2011. Antes desta, as vintage mais recentes foram a 2007 e a 2003.

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Os produtores de porto bem que precisam de um pouco de animação. O vinho doce e fortificado vem perdendo terreno para outros, como Bordeaux e Borgonhas, em novos países consumidores, especialmente a China. Pena, porque alguns, de uma dezena de estilos de porto, estão entre os grandes vinhos do mundo. A complexidade e o prazer hedonístico de um porto de boa safra são difíceis de igualar. E o porto pode envelhecer por décadas, até séculos. E é relativamente barato. Não as garrafas de US$ 12 encontradas nos supermercados (essas, na verdade, são até caras demais…). Mas as de vintage, que custam de US$ 50 a US$ 130. Sim, ainda é muito por uma garrafa de vinho, mas veja assim: pelo preço de um Bordeaux de ponta dá para comprar uma caixa de seis garrafas de vintage 2011 e levar troco.

O Rio Douro através dos vinhedos. FOTO: Lonnie Schlein/The New York Times

Em 2011, as temperaturas no Douro foram moderadas e a chuva veio em pequenas doses, depois de um inverno chuvoso que elevou as reservas de água. O quadro meteorológico ideal. “Dá para fazer muito com tecnologia, mas há coisas que só São Pedro proporciona”, diz António Saraiva, presidente da associação de empresas de vinho do porto e chefe da Rozès. “Essa generosidade de São Pedro aparecerá no vinho.”

Quando os produtores de porto comentam a safra 2011, a palavra que usam é “equilibrado”. Experimentei alguns vinhos. Eram poderosos, com frescor, suavidade e energia. Equilíbrio difícil de se conseguir numa região de clima opressivamente quente e seco em que chuvas pesadas, quando fora de tempo, podem roubar das uvas sua concentração e amadurecimento.

A safra de porto vintage 2011 não estará disponível para beber ainda por muitos anos. Mas outras safras antigas são encontráveis, a preços relativamente modestos. Se você quiser sentir a fascinação de beber um porto corretamente envelhecido sem estourar a conta bancária, procure os da safra de 1985, 1991 ou 1994, por exemplo. É um bom jeito de começar.

Um modo de simplificar a compreensão do porto – atenção, puristas, sem comentários esnobes – é dividi-lo em duas grandes categorias, ruby e tawny. Os portos ruby são engarrafados relativamente jovens, o que preserva a cor e o frescor da fruta; os tawnies são engarrafados mais tarde, tendo passado muitos anos em barris de madeira, onde ganham tons de âmbar e sabores de amêndoas e caramelo.

Há ainda porto branco, que tende a ser mais seco que os tintos. E algumas vinícolas estão começando a experimentar novas categorias, como rosé, esforço para diversificar a produção.

/ TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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