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Rastros belgas pelo mundo

Por Daniel Telles Marques

18 setembro 2013 | 23:18 por redacaopaladar

É um milagre que a Bélgica tenha a importância atual no mundo das cervejas. E o milagre pode ser atribuído à santa teimosia: os belgas foram teimosos ao reconstruir as cervejarias dos mosteiros destruídas pelos franceses no século 19; ao voltar a produzir cervejas anos depois de os alemães, na 1ª Guerra, terem saqueado os equipamentos de cobre para vender o metal; e ao não se renderem a modismos, fazendo a bebida do jeito que bem entendiam, quer as pessoas gostassem do resultado quer não.

Foi assim, teimando, que inundaram o mundo com estilos próprios que são referência e têm sabores tão particulares.

Nos últimos anos, esses estilos atravessaram as fronteiras do país e entraram em fábricas do Japão ao Brasil, mas principalmente dos Estados Unidos.

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Hoje, é tão fácil encontrar uma boa cerveja belga em um restaurante de Nova York (a terra de Obama é o maior mercado internacional de cervejas belgas) como em um de Bruxelas. Os belgas avançaram com seus estilos clássicos pelo mundo e o mundo adaptou cada um deles – o mais emblemático é o abadia – a seus próprios paladares e modos de fazer.

Esta degustação busca o DNA belga em cervejas produzidas em outros países – duas belgian strong ales, uma italiana e outra vinda da Holanda, e duas abadias, a tripel brasileira e a dubel mexicana. Para a tarefa foram escalados os irmãos cervejeiros David e Rafael Michelsohn.

FOTO: Felipe Rau/Estadão

Baladin Super

Origem: Itália

Preço: R$ 78,50 (750 ml), na costibebidas.com.br

Teor: 8%

A garrafa encanta e o sabor dessa belgian strong ale – estilo, por exemplo, da Duvel, caracterizado por ser mais alcoólico do que a ale clara normal – não assusta: é equilibrado e complexo. Boa cerveja para quem dá os primeiros passos além das light lagers.

Aromas: frutas amarelas e brancas, álcool, condimentado e leve floral.

Vai bem com: gorgonzola e outros queijos picantes.

Calavera Dubbel de Abadía

Origem: México

Preço: R$ 19,90 (355 ml), na cervejastore.com.br

Teor: 6,4%

Ale com o dobro de adição de malte – por isso dubel –, como fazem os monges belgas. Quando entra três vezes o malte, cerveja ganha o rótulo tripel (caso da Bodebrown ao lado). Bem executada, tem características próprias do estilo: doce dos maltes fortes, caramelo e toffee. Não encanta, mas está longe de decepcionar.

Aromas: adocicados e herbáceos.

Vai bem com: carne de porco e filé com molho doce.

Urthel Hop-it

Origem: Holanda

Preço: R$ 41,90 (750 ml), na beer4u.com.br

Teor: 9,5%

É uma belgian strong ale com dose caprichada de lúpulo. Uma cerveja holandesa de alma americana: tem a verve das cervejarias artesanais dos Estados Unidos e lúpulos tipicamente europeus. Tem ares de india pale ale.

Aromas: herbáceos e cítricos; pecou pelos pequenos defeitos, como o cheiro de manteiga e vegetal cozido.

Vai bem com: queijo de cabra.

Bodebrown Tripel Montfort

Origem: Brasil

Preço: venda a partir de novembro, informações no site bodebrown.com.br

Teor: 10%

É a mais belga das cervejas criadas por Samuel e Paulo Cavalcanti. Leva maltes e fermentos tipicamente belgas, que dão à cerveja o forte cheiro de frutas e condimentos. Refrescante e rica em aromas, é uma boa pedida para dias quentes e refeições leves.

Aromas: frutas, cítricos e condimentos.

Sabores: condimentados, frutas brancas e amarelas, amargor baixo, doçura média e acidez de média para baixa.

Vai bem com: frutos do mar à beira da praia.

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 19/9/2013

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