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Siga a rota da cerveja artesanal no Uruguai

Esqueça Patrícia, Norteña e Pilsen – as três cervejas uruguaias que todo mundo conhece e que são da Ambev. Na sua próxima viagem ao nosso vizinho, aprenda outros nomes, como Davok, Barbot e Mastra.

23 dezembro 2013 | 17:42 por heloisalupinacci

O Uruguai tem hoje pelo menos cinco cervejarias artesanais: Davok e Mastra (em Montevidéu), Chela Brandon (em San José, nos arredores de Montevidéu), Barbot (em Colônia do Sacramento) e Cabesas (em Tacuarembó). A cena ainda é pequena – escala uruguaia –, mas tem uns bons goles.

A Mastra, aberta recentemente no Mercado Agrícola. FOTO: Carolina Gazzaneo/Estadão

Para provar as cervejas feitas em Montevidéu, há três bons endereços: o Shannon Irish Pub, que tem Mastra e Davok; o Burlesque, que tem chope Davok, e o pub da Mastra, no Mercado Agricola (que foi renovado e reaberto neste ano).

Apesar de terem sido fundadas no mesmo ano, as duas cervejarias de Montevidéu não poderiam ser mais diferentes uma da outra. Na Davok reina o clima de improviso e amor pela cerveja. Alejando Baldenegro, fundador e mestre-cervejeiro, tem até nome de pirata. Na Mastra, o astral é mais business plan e Wilfredo Camacho, fundador e mestre-cervejeiro, é de uma honestidade cortante: entrou na cerveja pelo negócio.

A Davok só começou a ser viável como negócio em 2013, que foi, para Alejandro Baldenegro, o ano da virada: houve aumento de 50% nas vendas, comparando com o ano passado. “Fazíamos cerveja na casa do meu sogro. Aí mudamos para um antigo açougue, de 90 metros quadrados. A demanda aumentou e há três anos estamos nesta fábrica de 400 metros quadrados.”

A fábrica fica no centro de Montevidéu, em uma travessa da Avenida 18 de Julio, por onde qualquer pessoa que visitar a cidade vai passar algumas vezes. A visita não tem grande interesse turístico a não ser para conhecer Baldenegro, um entusiasta da cerveja. Ou para fazer um curso – caso queira aproveitar o tempo livre das férias, a Davok dá, por exemplo, aula de degustação de cerveja para grupos.

A cervejaria nasceu produzindo rótulos mais amigáveis para o paladar do público acostumado à cerveja industrial. Começou com India Pale Ale e Oatmeal Stout – cerveja escura que leva aveia e fica com textura mais cremosa. Depois se aventurou por terrenos menos explorados, com, por exemplo, a English Barleywine, cerveja encorpada e doce, que envelhece em barril de carvalho – e é o único rótulo engarrafado (leia sobre ela ao lado). A produção da Davok é toda vendida em barris – os clientes levam a chopeira e depois devolvem.

Há três anos, a Davok participa da South Beer Cup, copa da cervejaria sul-americana. Por dois anos seguidos, sua IPA levou a medalha de ouro. “Neste ano ganhamos apenas menção honrosa, mas é porque o lúpulo que usávamos está em falta.”

A medalha de prata ficou para outra IPA uruguaia, a da Cabesas, em Tacuarembo, no norte do país. A Cabesas é uma cervejaria com intensa programação musical (para quem estiver na fronteira Brasil-Uruguai pode valer a pena descer até Tacuarembó, pegar um show e tomar a IPA de prata. Da fronteira até lá, dá uma hora e meia. De Montevidéu até Tacuarembó são cinco horas de viagem).

Questionado sobre engarrafar a IPA e exportar para o Brasil, Baldenegro diz “no ano que vem, no ano que vem”. Mas em seguida confessa que há anos ele diz que “no ano que vem” exportará para o Brasil.

Enquanto a coisa fica na promessa, o melhor a fazer é ir ao Shannon ou ao Burlesque. Os dois servem a English Pale Ale, a American IPA, a Irish Red e a oatmeal stout. No Shannon, tem ainda a shannon dunkel (exclusiva para o pub) em torneira (todas custam R$ 12,56, o chope de 580 ml; e R$ 21,30 a jarra de 1l) e a garrafa de barley wine (330 ml, R$ 17). No Burlesque, o chope de 580 ml custa R$ 14,20.

Mastra. “Minha história é bem diferente da dos outros cervejeiros que sempre fizeram cerveja em casa. Eu entrei nessa história porque vi uma oportunidade de negócio”, diz, na lata, Wilfredo Camacho, fundador da Mastra. A partir da decisão de negócio, ele mergulhou no assunto, foi pra Argentina se formar como mestre-cervejeiro e abriu a cervejaria e, mais recentemente, o pub no Mercado Agricola, prédio histórico que foi remodelado para abrigar lojas de comida e restaurantes. A chopeira do pub tem 12 torneiras das quais saem dez rótulos fixos, um sazonal e uma “cerveja convidada”.

A Mastra é a mais fácil de encontrar entre as artesanais uruguaias – já foi exportada para o Brasil (não é exportada atualmente e não há previsão de volta) e está à venda em lojas de bebidas e de suvenires. Mas no tête-à-tête com o copo, as cervejas não brilham. São boas, são melhores do que as convencionais, e se você trombar com Mastra em um bar, pode pedir seguro de que vai tomar uma cerveja melhor do que Patrícia, Norteña e Pilsen juntas.

Onde.

1)Burlesque, Av. Dr. Luis Alberto de Herrera, 1.136

2) Shannon Irish Pub, Calle Bartolomé Mitre, 1.318

3) Pub Mastra, no Mercado Agrícola, Calle Dr. Jose L. Terra, 2.220

COLÔNIA: AO MENOS 48H

Em geral, quem vai ao Uruguai faz bate-volta em Colônia do Sacramento, cidade colonial que fica à beira do rio da Prata, bem na frente de Buenos Aires, e que merece, para dizer o mínimo, o dobro das costumeiras 12 horas dedicadas pelos turistas que chegam no começo do dia e vão embora no cair da tarde. Passe ali ao menos uma noite, que pode começar na calçada do simpático casarão no número 160 da rua Washington Barbot. É ali que funciona o brewpub Barbot. Todos os dias, há pelo menos seis estilos de cerveja – na visita do Paladar tinha IPA, Golden Ale, Bitter Ale, Pale Ale, Kolsch e Porter. O chope de 500 ml custa 100 pesos uruguaios (R$ 11). Ainda em Colônia, dá para tomar Mastra no Café Ganache – outro excelente lugar para passar horas sem fazer nada.

Onde.

1) Barbot, Calle Washington Barbot, 160

2) Café Ganache, Calle Real, 178

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 26/12/2013

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