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Só de birra

Heloisa Lupinacci

Uma cervejaria para ficar de olho e dois lançamentos nacionais

O mercado da cerveja é sempre efervescente: conheça rótulos nacionais que acabam de chegar ao mercado e uma nova versão de lúpulo, o cryo, em pó

31 maio 2017 | 19:53 por Heloisa Lupinacci

Só de Birra

Que o mundo da cerveja mudou, todo mundo sabe. Até pouco tempo você pedia uma cerveja, hoje pede uma belgian strong golden ale maturada em carvalho. Da safra 2013. A bebida virou um tema, com cena própria, próximos capítulos, sinopse. Entre a última rodada e o gole que vem, sempre acontece muita coisa.

Desde semana passada, o Brasil ganhou 43 medalhas na South Beer Cup, o principal festival de cerveja da América do Sul: 11 ouros, 19 pratas e 13 bronzes.

O prêmio de melhor cervejaria ficou pra Lohn, de Santa Catarina. Lohn? Pois é, ela tem só três anos. A cerveja símbolo da Lohn é a Carvoeira, uma imperial stout com funghi e cumaru (custa R$ 30, 300 ml, no Empório Alto dos Pinheiros).

Ficou com água na boca?

Abaixo você vê duas cervejas que chegaram às prateleiras nesta semana (uma estreia, a Jabronx; outra voltando, a Metamorphose) e uma cervejaria de que você vai ouvir falar. E mais abaixo, entenda o que é cryo, termo que você vai ouvir bastante daqui para o fim do mês.

 

  Foto: Urbana|Divulgação

URBANA JABRONX

Origem: São Paulo (SP)  

Preço: R$ 39 (473 ml, no Empório Alto dos Pinheiros)

É a new england, juicy, hazy IPA da Urbana. Como o estilo – que erradamente todo mundo achou que ia ser incluído no novo guia da Brewer’s Association – pede, é turva e tem um jeitão bem tropical. Ao mesmo tempo, tem um dulçor que é bem a cara da Urbana – pense na Gordelícia. Para mim, dá sede de água. Mas também deve combinar com um embutido bem picante.

 

 

  Foto: Dogma|Divulgação

DOGMA METHAMORPHOSE

Origem: São Paulo (SP)

Preço: R$ 35 (473 ml, no Empório Alto dos Pinheiros)

Essa saison com dry-hopping de mosaic sugere uma lista de adjetivos. É seca, austera, mas ao mesmo tempo complexa e brilhante. Tem a face frutada, as notas de condimento típicas do estilo e um cítrico marcante do lúpulo, tudo bem equilibrado. É uma cerveja boa de tomar sozinha, prestando atenção, mas se quiser combinar com algo, uma costelinha com molho de tomate e toque cítrico (limão, tomilho, semente de coentro?) deve dar certo.

 

 

  Foto: Heloisa Lupinacci|Estadão

TÁBUAS MOITA

Origem: Campinas (SP)

Preço: R$ 33 (500 ml, no Empório Alto dos Pinheiros)

A Tábuas é uma cervejaria bem jovem – foi lançada no fim do ano passado –, de Campinas, que vem chamando a atenção por suas cervejas muito fáceis de tomar. Essa IPA é do tipo que esconde os seus 6,2% de teor alcoólico com uma altíssima drinkability. Fresca, cítrica, amarguinha, combina com a tarde inteirinha e com o hábito tão brasileiro de beber enquanto joga conversa fora. 

CRYO

É uma nova apresentação do lúpulo, em pó, e, em tese, com duas vezes mais concentração de aromas e de alfa-ácidos (que dão amargor depois da fervura). O primeiro lote chegou ao Brasil e esgotou em uma semana. Dádiva e Tarantino estão entre os compradores. Provavelmente entre o fim de junho e começo de julho chegarão às lojas as primeiras cervejas feitas aqui com cryo – o lançamento mundial foi em março, nos EUA. Aí a gente vai descobrir como – e se – ele influencia no sabor e no aroma. No geral, as cervejarias usam pellets de lúpulo, um prensado das folhas, com cara de ração de peixe.

Ficou com água na boca?