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Uma viagem à Itália num cacho de Sangiovese

Embaixadora da Itália, uva faz ótimos vinhos muito além de Chiantis, Brunellos e Supertoscanos; de boa acidez e aromas frescos, ela harmoniza com pratos regados a molho de tomate

22 junho 2016 | 18:23 por Isabelle Moreira Lima

Presente nos vinhos mais célebres da Itália, do Chianti ao Brunello di Montalcino, passando pelos Supertoscanos, a Sangiovese é uma das mais eficientes embaixadoras do país. Plantada em mais de 70 mil hectares, a cepa tem na boa acidez sua maior virtude, tornando-se um par excelente para a culinária italiana.

 

  Foto: Max Rossi|Reuters

“Harmoniza perfeitamente com pratos sinônimos do domingo em família, regados a molho de tomate, desde o despretensioso ‘macarrão da mamma’ até receitas mais elaboradas”, diz o sommelier e consultor Felipe Campos, autor da carta de vinhos do restaurante paulistano Modi, entre outros.

Mas atenção e cuidado: apesar da fama e da participação em alguns dos vinhos italianos mais festejados, sua simples presença não é garantia de qualidade. Tudo depende do clone utilizado e da localização do vinhedo. As mais elegantes vêm de solos calcários e altitudes mais baixas, que permitem o amadurecimento perfeito da uva. Quando a Sangiovese está verde, tem acidez excessiva e taninos difíceis de encarar. 

Para entender melhor as qualidades desta cepa, Felipe Campos indica três vinhos. Ele tentou fugir da denominação Chianti, muitas vezes cara e irregular, e lançou mão de cortes, uma vez que é comum ver a Sangiovese em boa companhia – o que lhe dá mais estrutura e realça seus aromas frescos.

PARA BEBER

LE MAESTRELLE 2013

Origem: Toscana, Itália

Preço: R$ 106 na Winebrands

 

  Foto: Alex Silva|Estadão

Parte da linha Selezione da Santa Cristina, o Le Maestrelle carrega o pedigree de Antinori, premiado produtor da Toscana. Sua base é a Sangiovese (60%), mas o corte inclui ainda Merlot (20%) e Syrah (20%), e parte dele passa em madeira. A ideia é agregar complexidade aos aromas para além das frutas vermelhas, com a presença de baunilha e um discreto tostado. Com ele vai bem uma berinjela com tomate ou bife à parmegiana, numa harmonização por semelhança, com seu crocante tostado e levemente adocicado.

RÈMOLE IGT 2014

Origem: Toscana, Itália

Preço: R$107,80 na Ravin

 

  Foto: Felipe Rau|Estadão

Produzido pela tradicional família Frescobaldi, cuja história remonta mais de 700 anos, este vinho é produzido a partir de colheita manual, com fermentação e amadurecimento em aço inox, sem passar por madeira. Para acrescentar um pouco de estrutura, utiliza 15% de Cabernet Sauvignon. Tem acidez na medida para encarar o tomate. Acompanha bem massas leves com molho de tomate ou mesmo para escoltar entradas como uma bruschetta, indica Campos.

MIL PIEDRAS SANGIOVESE 2009

Origem: Mendoza, Argentina

Preço: R$ 67,40 na Premium

 

  Foto: Fernando Sciarra|Estadão

“Não se espante com a procedência e com a safra; fora da Itália, a Argentina é um dos países que têm revelado bons vinhos baseados na Sangiovese”, afirma Campos. As raízes das videiras deste exemplar, cultivado no vale de Uco a 1.100 metros de altitude, penetram profundamente o solo semidesértico da região, onde a grande amplitude térmica entre o dia e a noite garante uma maturação equilibrada em acidez. Encara bem uma carne magra de uma parrilla e, é claro, empanadas.

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