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Heloisa Lupinacci

Vem aí a série Odonata, da cervejaria Dádiva

Cervejaria, criada por Luiza Tolosa há três anos sem grandes ambições, hoje prepara para virar também distribuidora

12 julho 2017 | 23:20 por Heloisa Lupinacci

Quem olha para Luiza Tolosa leva uns minutos para ajustar expectativa e realidade. A dona da cervejaria Dádiva, que tem lançado cervejas que evaporam ao tocar as prateleiras (Venice, Golden Stout, Pink Lemonade) e abriga alguns dos mais badalados cervejeiros ciganos (Dogma, Trilha, Juan Caloto), não tem menor pinta de cervejeira.

Luiza tem 29 anos, abriu a Dádiva aos 26. A história da jovem fábrica já pode ser dividida em três eras. No começo, em 2014, era uma cervejaria de Vargem Grande, interior de SP, voltada ao mercado local, com produtos artesanais de qualidade, sem grandes ambições. 

Luiza Tolosa. Cervejeira, feminista e chefe de fábrica

Luiza Tolosa. Cervejeira, feminista e chefe de fábrica Foto: Cervejaria Dádiva|Divulgação

Em meados de 2015, deu um salto: mudou de cara, lançou uma American Amber Ale arrasadora com receita de Victor P. Marinho, consultor de muitas cervejarias legais. Virava assim uma casa, digamos, mais estadual, com rótulos agora presente nas lojas especializadas.

Em 2016, Victor entrou para o quadro da Dádiva. Hoje é o cara que toca a produção. Com ele e o aumento de capacidade produtiva, a cervejaria virou lar das mais descoladas ciganas de São Paulo. Dogma, Trilha, Juan Caloto e Avós são algumas das marcas produzidas lá hoje. Recentemente, Avós e Mafiosa foram absorvidas pela cervejaria (toda a produção, distribuição e venda passa a ser feita pela Dádiva. A gestão de marcas continua independente).

Nova série

Na próxima segunda-feira, a marca, que começou com uma linha discreta (uma lager, uma dunkel, uma weiss), lança a segunda rodada de um projeto ambicioso, Odonata. São três russian imperial stouts feitas em parceria com especialistas de outras áreas da gastronomia. Com Dinah Paula, do alambique Quinta das Castanheiras, saiu a Odonata #4, que maturou em barrica usada para cachaça. Com Maurício Porto, especialista em uísque e autor do site ocaoengarrafado.com.br, saiu a #5, maturada em barril de single malt escocês. E com Cesar Adames, especialista em destilados e charutos, saiu a #6, maturada em barril de carvalho francês tratado com rum – vai sair também pequeno lote de um blend produzido a partir de malte defumado com folha de tabaco cubano.

Com uma verdadeira turnê de lançamento (segunda, no EAP; terça, no Oak; quarta, Admiral’s Place; quinta, Rota do Acarajé), a linha marca mais uma era da cervejaria. A Dádiva virou também distribuidora, está terminando de instalar um galpão refrigerado bem perto da fábrica e vai começar a operar também na logística. Aproveitei a deixa para conversar com a Luiza.

Luiza, você está atenta?

O plano inicial era esse? “Não!”, Luiza ri. “Quando decidi fazer a Dádiva, minha ideia era criar uma marca de cerveja local. Não vou mentir, decidi abrir a cervejaria porque vi uma oportunidade de negócios”, emenda, com a tranquilidade de quem já sabe as perguntas que vêm a seguir. Mas você tomava cerveja? Gostava de cerveja, já tinha feito cerveja? Não especialmente, não e não. “Nunca fui geek, não foi uma paixão avassaladora. Fui aprendendo aos poucos. Hoje, entendo. Se precisar, faço a cerveja do começo ao fim”, diz a paulistana formada em administração e com certificados de sommelière, especialista em estilos e off-flavors (defeitos) de cerveja.

Cervejeira e dona de fábrica, você já ouviu muita groselha machista? Qual sua posição sobre feminismo? “Cada departamento da Dádiva tem ao menos uma mulher. Fundamos a ELA, uma associação de cervejeiras. Luto contra o machismo em todos os momentos do dia”.