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Vinho de 150 anos tinha gosto de ‘caranguejo, gasolina e vinagre’

Harriet McLeod

11 março 2015 | 18:41 por redacaopaladar

Uma garrafa de vinho recuperada há quatro anos dos resquícios de um navio da Guerra de Secessão que naufragou em 1864 na costa das ilhas Bermudas foi aberta e bebericada por um painel de especialistas nesta sexta-feira, durante um festival de comida em Charleston, Carolina do Sul.

O veredito: um inebriante bulquê de enxofre com distintas notas de água salgada e gasolina.

O vinho foi aberto em um evento da Charleston Wine+Food chamado “Das profundezas: Um evento de vinho preparado há 150 anos.” Cerca de 50 pessoas compraram ingressos para observar enquanto a degustação pelo painel de experts na noite de sexta, dizem os organizadores.

Ficou com água na boca?

“Já tomei vinhos de naufrágios antes”, diz o mestre sommelier Paul Roberts. “Eles podem ser ótimos.”

Esse, obviamente, não era.

Para estrondos de audiência da plateia, o painel disse que o nebuloso líquido amarelo-acinzentado cheirava e tinha sabor de uma mistura de água de caranguejo, gasolina, água salgada e vinagre, com toques de álcool e cítricos.

Poderia ter sido um vinho fortificado espanhol, um destilado ou remédio. Mas, depois de 151 anos no fundo do mar, é em grande parte água salgada, dizem eles.

O químico de vinhos Pierre Louis Tessedre, da Universidade de Bourdeaux, que analisou amostras retiradas através da rolha anteriormente disse que o nariz do vinho era uma mistura devastadora de cânfora, água parada, hidrocarbonetos, terebintina e enxofre. Uma análise mostrou índice de álcool de 37%, afirma o acadêmico.

O vinho era uma das cinco garrafas fechadas recuperadas por arqueólogos marinhos do Mary-Celestia, um barco a vapor com rodás de pás e casco de ferro que afundou em circunstâncias misteriosas durante a Guerra de Secessão.

O barco deixava as ilhas Bermudas com suprimentos para os Estados Confederados quando atingiu um recife de coral e afundou em seis minutos, diz Philippe Rouja, antropológo cultural responsável por naufrágios do governo das Bermudas. Há debates quanto a se o naufrágio foi proposital ou acidental.

Rouja e seu irmão, Jean-Pierre Rouja, mergulhavam no local do naufrágio em 2011 depois que tempestades de inverno atingiram o local. Eles encontraram uma garrafa de vinho dentro de um armário secreto de contramestre na proa.

Mergulhos posteriores descobriram as outras garrafas, assim como frascos fechados de perfume, sapatos femininos, escovas de cabelo e botões de pérolas, diz Philippe Rouja.

Esse ano marca o 150º aniversário do fim da Guerra de Secessão, travada entre 1861 e 1865, que começou na Baía de Charleston com a Batalha de Fort Sumter.

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 12/3/2015

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