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Vinhos: o ano vai ser de preço/qualidade

Perguntamos a cinco profissionais do vinho o que esperar deste ano e todos concordam: 2015 será marcado pela busca pelo melhor vinho mais barato. Eles apontam alguns caminhos para encontrar essa desejada combinação

07 janeiro 2015 | 17:14 por marcelmiwa

O mercado de vinho sofreu em 2014. Foi um ano em que o consumidor diminuiu o valor que quer pagar por garrafa.

Ouvimos cinco profissionais do vinho e pedimos que fizessem uma avaliação de 2014 e previsões para o ano que acaba de começar.

O discurso é unânime: rótulos com boa relação qualidade por preço devem imperar em 2015. Fique atento às indicações de cada um deles sobre onde estão as boas oportunidades de compra. 

Gabriela Monteleone

Ficou com água na boca?

Consultora de vinhos e diretora de profissionais da ABS-SP

FOTO: Roberto Seba

2014. As pessoas buscaram vinhos mais baratos. E há maior disposição para provar vinhos fora do eixo Argentina-Chile.

2015. Gostaria de ver mais vinhos com preços justos. No exterior, com R$ 30 dá para comprar muitos bons rótulos. Por aqui, tenho dificuldade de achar a mesma qualidade gastando R$ 60. Vejo potencial para vinhos mais delicados. Vejo que as pessoas estão perdendo o medo da Pinot Noir e isso abre as portas para outras variedades, como Trousseau e Nerello, sem esquecer de rosés, brancos e espumantes. São feitos para o clima brasileiro.

Victoria Burt

Pesquisadora do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento da Wine & Spirits Education Trust (WSET)

FOTO: Divulgação

2014. No Reino Unido, prosseguiu a tendência de retração em 2014. O Malbec argentino parece ter sido o grande caso de sucesso aqui neste ano, junto do Sauvignon Blanc da Nova Zelândia e dos espumantes de forma geral.

2015. Os consumidores vêm mostrando disposição para provar coisas novas. Poderemos ver uma expansão dos vinhos brancos frescos e sem madeira – Pinot Grigio e Sauvignon Blanc, já consolidados, podem abrir espaço para outros brancos refrescantes, como Albariño e Grüner Veltliner.

Otavio Lilla

Sócio das importadoras Mistral e Vinci

2014. Muitos restaurantes diminuíram suas cartas de vinho. No geral, em momentos de crise, o consumidor se volta para marcas mais conhecidas, que representam um tipo de segurança. Nossos produtores mais conhecidos, como Catena, Gaja e Vega Sicilia foram bem neste ano.

2015. As boas oportunidades estarão nos novos vinhos mais acessíveis lançados por produtores renomados. É uma tendência. A Lapostolle, grande nome do Chile, acaba de lançar o tinto D’Alamel (R$ 47), que tem o mesmo estilo dos vinhos mais caros da casa, mas preço mais baixo.

Rafael Goulart

Gerente-geral do grupo de restaurantes de Ipe Moraes (Taberna 474, Adega Santiago e Casa Europa)

2014. Na área de restaurantes, notamos uma queda no preço que o consumidor está disposto a pagar por uma garrafa de vinho. Antes tínhamos muitos vinhos na faixa dos

R$ 150 que vendiam bem. Em 2014, R$ 120 virou o teto.

2015. Vejo boas oportunidades nos vinhos da Espanha e Portugal. Um ponto positivo é que o cliente está perdendo o medo de dizer quanto quer gastar no vinho. Trabalhamos duro para encontrar vinhos acessíveis e com boa qualidade que podem ser pedidos.

Bernardo Silveira

Diretor técnico da importadora Zahil

FOTO: Gladstone Campos/Divulgação

2014. Os últimos anos foram difíceis. Na Zahil optamos por fazer uma seleção de vinhos mais baratos do que os que costumávamos importar.

2015. Será o ano da qualidade por preço. O câmbio pode dificultar a vida de argentinos e chilenos e criar uma oportunidade para vinhos brasileiros. Regiões menos conhecidas (sudoeste da França, Castilla, Campo de Borja e Navarra na Espanha, Sicília, Abruzzo e Apúlia, na Itália) podem ser caminhos para vinhos bons mais acessíveis. Uma de nossas apostas é em Bordeaux abaixo de R$ 100.

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 7/1/2015

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