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'Vinhos portugueses são diferentes porque são feitos de castas nativas'

Presidente da Vinhos de Portugal, Jorge Monteiro, fala sobre o redescobrimento de castas nativas portuguesas

17 maio 2017 | 20:31 por Isabelle Moreira Lima

Jorge Monteiro, presidente da Vinhos de Portugal conversou com Paladar sobre as castas obscuras e com nomes exquisitos, como Donzelinho e Fonte Cal, mas 100% nacionias, que estão transformando a identidade do vinho português e extrapolando as regiões tradicionias de Portugal. 

 

  Foto: Divulgação

Por que, em pleno 2017, ainda estamos descobrindo novas regiões e castas portuguesas?

Quase todos os municípios do país produzem vinho. Somos um país pequeno, mas de diversidade climática e de solo muito importante. Não podemos dizer que as castas são próprias do país, mas de regiões. Fonte Cal é uma casta que encontramos na Beira Interior e que dificilmente vamos encontrar em outro lugar. 

Essa é a chave: os vinhos portugueses são diferentes porque são feitos de castas nativas e diferentes da maior parte das castas do mundo. Não queremos produzir Sauvignon, Merlot. Queremos Touriga Nacional, Baga, Loureiro. Temos foco 100% nas nossas castas. Isso proporciona ao consumidor uma experiência diferente. 

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A preservação das castas autóctones foi muito eficiente. O que evitou a invasão das francesas?

Não houve um clique, mas quando Portugal iniciou em 1985 a modernização da vinha, depois da França e da Espanha, nós percebemos que encher o país de castas internacionais era um erro. Nós tínhamos um patrimônio de 250 castas autóctones e a reestruturação se deu a partir delas. O setor criou uma associação privada que se dedica ao estudo da diversidade genética (a Porvid) e hoje qualquer viticultor tem sensibilidade e acredita que vai ter mais sucesso apostando nessas castas autóctones.

 

Mas é um desafio trabalhar com castas que o mundo não conhece?

Hoje se falarmos em Cristiano Ronaldo todos sabem quem é. E Cristiano não deixou de ser difícil de se pronunciar. É um trabalho que exige mais tempo, mas que é consistente. No exterior, já aprenderam a pronunciar Fernão Pires ou Alfrocheiro ou Loureiro.

Mas o nosso foco não é a massa. Nós somos um pequeno produtor, o 12º mundial. O que queremos é ter protagonismo no comércio internacional.