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Heloisa Lupinacci

Wäls e Ambev na mesma garrafa

A gigante Ambev anuncia novidades após aquisição

11 fevereiro 2015 | 20:20 por Heloisa Lupinacci

Chega hoje a Belo Horizonte uma equipe técnica da Ambev para fazer uma visita à fábrica da Wäls. Esse é o primeiro desdobramento prático da aquisição anunciada na terça-feira. Apesar dos complicados termos do negócio (da união de ativos da Bohemia e da Wäls surgiu uma terceira empresa que é subsidiária da Ambev), o fato é que a Ambev comprou a Wäls.

E a primeira reação dos bebedores de cerveja foi: já era. Afinal, foi o que aconteceu com Original e Serra Malte, que eram cervejas artesanais e regionais até serem compradas pelo grupo que viria a ser a Ambev.\

Mas os tempos são outros. A Goose Island foi comprada pela AB-Inbev em 2011 e quatro anos depois continua tudo bem com a cerveja de Chicago. (Sem falar na Eisenbahn, que, comprada pela Brasil Kirin, continua fazendo bonito e ficou muito mais fácil de achar.)

O que então esperar dessa aquisição? O que ela pode trazer de bom para a Wäls e, principalmente, para o bebedor de Wäls, nós, que é o que interessa.

Ficou com água na boca?

A primeira consequência é: deve ficar mais fácil achar uma Wäls, há a promessa de uma distribuição mais ampla. A segunda: os preços podem cair (e queremos isso, desde que não afete a qualidade da bebida, claro). A terceira: o controle de regularidade e qualidade da Ambev estará a serviço da Wäls para melhorar a qualidade da bebida que chega ao ponto de venda.

No Festival Brasileiro da Cerveja do ano passado, esperando o voo sair, na sala de embarque, perguntei a José Felipe Pedras Carneiro, que está (e continua) à frente da cervejaria com seu irmão, Thiago, se ele pensava em parar de arrolhar ou passar a pasteurizar suas cervejas para garantir longevidade. Eu mesma já havia comprado uma cerveja dele no supermercado e jogado fora porque estava azeda. José Felipe disse que ficava muito chateado (foi esse termo que usou enfaticamente), mas não tinha controle sobre a cerveja fora da cervejaria (transporte e armazenamento inadequados são algozes da boa cerveja). E disse também que sempre que alguém entrasse em contato dizendo que tinha comprado uma cerveja ruim, fazia questão de mandar outra.

A grande promessa da Ambev é a excelência técnica. A empresa, afinal, é especialista em entregar uma cerveja leve e sem defeitos Brasil afora.

E é essa história que começa hoje, quando José Felipe vai receber a equipe técnica da Ambev. Todos os envolvidos juram de pés juntos que as receitas da Wäls não vão mudar. Isso a gente só vai saber daqui a alguns meses, quando essas cervejas começarem a chegar nas lojas.

WÄLS DUBBEL

Origem: Belo Horizonte

Preço: R$ 26 (375 ml)

Foi a cerveja que ganhou a medalha de ouro no World Beer Cup. Para José Felipe, ela é um marco na história da Wäls: foi a partir de seu lançamento que a cervejaria ganhou repercussão. É uma cerveja generosa, com muitas camadas, que convida a ser bebida em silêncio, sem agito. Tem 7,5% de teor alcoólico. No aroma, notas de fruta em calda, chocolate, tostado. Na boca, lembra marmelada.

WÄLS VERANO

Origem: Belo Horizonte

Preço: R$ 12 (300 ml)

Tem plenas condições de ser a cerveja de combate dos irmãos Carneiro. É leve e refrescante para encher engradados no boteco, e perfumada e complexa para acompanhar refeições. É simples sem ser banal e requintada sem ser vaidosa; boa para as tardes de calor insano e para isopores ambulantes nas praças, praias ou parques. Tem 5% de teor alcoólico e corpo leve. Não pesa na barriga e tampouco no bolso.

WÄLS BOHEMIA PILSNER

Origem: Belo Horizonte

Preço: R$ 21 (600 ml)

Essa tem efeito didático: é uma boa maneira de entender o que é uma pilsen e parar de chamar american light lager, a cerveja comum, de pilsen. O amargor acentuado, o perfil maltado evidente, deixam claro que pilsen é outra história. O lúpulo é presente, mas sem explosões de aroma. Ela tem 5% de teor alcoólico e, apesar de se falar alto, é uma cerveja fácil de beber.

WÄlS SESSION CITRA

Origem: Belo Horizonte

Preço: R$ 20 (600 ml)

Se a “união de ativos” da Wäls com a Ambev tornar possível comprar essa cerveja em qualquer boteco de esquina ou quiosque de praia, tudo deu certo. Essa session IPA (india pale ale com 3,9% de teor alcoólico e dry hopping, adição de lúpulo na cerveja pronta, com citra) é clarinha, fresca, leve e fácil por um lado e absurdamente aromática por outro. Em suma, ela é a versão dos sonhos da cerveja do dia a dia. O aroma é intenso, entre floral e cítrico, e o gole é muito refrescante.

Do bang-bang ao faroeste

Irmãos

A Wäls é comandada por José Felipe e Thiago Pedras Carneiro. José Felipe é mestre cervejeiro e Thiago cuida do negócio. A empresa surgiu no grupo Tropical Juice, do pai deles, Miguel Carneiro.

Chope da casa

A cervejaria foi fundada em 1999, por Miguel. Dono de uma rede de lanchonetes chamada Bang-Bang, ele teve a ideia de fabricar o chope da casa. Era para ser uma cerveja leve, convencional.

Vocação

“Mas a gente não sabia fazer cerveja leve e boa, é difícil demais. Então começamos a experimentar outras receitas”, relembra José Felipe.

Dubbel

Em 2007, fazem a dubbel, receita de origem belga, pela primeira vez e passam a ser vistos como uma cervejaria que faz cervejas especiais.

World Beer Cup

Em 2014, ganharam medalha de ouro no mundial da cerveja no estilo dubbel. E ganharam a prata com a quadruppel.

Na gringa

Depois das medalhas, começaram a exportar suas cervejas para os EUA com a marca Belô. E no segundo semestre, construíram uma cervejaria na Califórnia, na cidade de Chula Vista. A cervejaria Novo Brazil está fora da negociação com a Ambev e está quase pronta. A previsão é que comece a funcionar em março.

Ficou com água na boca?