Paladar

Comida

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A insustentável delicadeza da flor de abobrinha

Não as vejo com muita frequência em São Paulo. Talvez por serem tão delicadas e perecíveis. Se tivessem de vir de muito longe, não resistiriam. Mas hoje tive a grata surpresa de encontrar flores de abobrinha na feira de orgânicos do parque da Água Branca. Arrematei o último pacotinho da banca, por R$ 2,50 (não contei, mas devia haver umas 15). O saquinho veio na mão, com todo o cuidado para não amassarem.

19 dezembro 2009 | 16:06 por redacaopontoedu

As flores de abobrinha in natura, compradas hoje cedo na feira de orgânicos

Diante de tanta delicadeza, tinham de ser consumidas rapidamente. Pensei em fazer uma massinha de fritura que vi, desde menina, minha mãe preparar para empanar berinjelas. Mas, como leva ovo, achei que ficaria pesada demais para as flores. Hum, flor de abobrinha? Marcella Hazan há de me dar uma luz em seu essencial Fundamentos da Cozinha Italiana Clássica (ed. Martins Fontes).

E me deu, claro. Não só uma luz (traduzida em forma de receita de uma massa chamada pelos italianos de “la pastella”) como ainda me ensinou que há dois tipos de flor de abobrinha, o macho e a fêmea. Porém, só as primeiras, ligadas a um cabinho, são boas para comer. As fêmeas, coladas às abobrinhas, segundo ela, “são muito moles e não têm sabor”.

Com o óleo já bem quente, empanei a primeira flor (lavada – livre dos bichinhos que espertamente se escondem lá no miolo – e seca) e fritei. Achei que a massa ficou rala e escorreu rápido demais das pétalas. Coloquei um pouco mais de farinha e, hum!, deu certo. Um tico de sal por cima e só. É a delícia da simplicidade. O miolo fica macio, levemente molinho, e as pétalas alaranjadas, crocantes, sequinhas.

Ficou com água na boca?

Aqui, depois de empanadas e fritas

São surpresas assim que a feirinha de orgânicos do parque da Água Branca reserva vez ou outra. A próxima, espero eu, seja uma remessa (prometida) de tucumã direto do Amazonas.

Ficou com água na boca?