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Alimentos transgênicos em debate

Mais de 80% do milho que consumimos no Brasil é transgênico. Isso sem falar no milho que nos chega à mesa indiretamente – quase toda ração dada ao gado, porco e frango tem milho transgênico na sua composição. A pergunta que norteou debate no 9º Paladar Cozinha do Brasil se mostro mais pertinente do que nunca: afinal, que milho é esse que comemos?

29 setembro 2015 | 21:39 por redacaopaladar

A discussão concentrou-se no problema da rotulagem de alimentos transgênicos. O deputado federal pelo Rio Grande do Sul Luis Carlos Heinze (PP) defendeu seu projeto de lei, que já foi aprovado pela Câmara em abril deste ano e retira a necessidade de identificação de produtos alimentícios com um símbolo T. “Esse símbolo criminaliza uma situação que é permitida pela legislação brasileira”, disse o deputado. “Não posso permitir isso.”

O pesquisador do Instituto Agronônomico de Campinas, Aildson Duarte, do Instituto Agronômico de Campinas, mostrou que provavelmente a transgenia do milho está mais presente do nosso cotidiano do que imaginamos. Isso porque o milho verde, o mais comum nos supermercados e feiras “é abastecido de maneira informal e por pequenas empresas que processam e fazem a distribuição quase sempre sem a rotulação dos transgênicos”.

A socióloga Marijane Lisboa, professora da PUC-SP e membro do CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) alertou que o projeto de lei do deputado Heinze, mais do que retirar a obrigatoriedade do símbolo T, exige que produtos não transgênicos passem por teste de laboratoriais, “que poucos fazem e são caros demais”.

Marijane Lisboa, assim como o produtor rural Dercilio Pupin e ativista do Slow Food Fabiana Sanches, chamaram a atenção para os perigos ambientais e de saúde que o consumo de alimentos transgênicos como o milho e seus derivados podem causar. “As variedades vão sumindo. Com os transgênicos, é muito fácil a contaminação de plantações convencionais. Aos poucos vamos ficando na mão das poucas empresas que produzem as sementes”, disse Pupin.

Parte da plateia contestou a fala do deputado Heinze em defesa do cultivo e consumo de alimentos transgênicos. “É a agricultura que sustenta este País”, respondeu Heinze.

O chef e consultor gastronômico do Grupo St. Marché, José Barattino, disse ser necessária uma maior circulação de informações. “Contando os supermercados e restaurantes que supervisiono, sirvo mais de 100 mil pessoas num mês. O alimento que vendo é incorporado ao corpo dessas pessoas. É uma responsabilidade muito grande. Preciso saber de onde vem e o que é exatamente essa comida.” O chef encerrou o debate em tom de otimismo: “Tenho certeza que meus filhos e netos vão comer melhor do que nós hoje. É um caminho que pode ser difícil, mas é sem volta”.

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