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Cartografia queijeira do Brasil

20 setembro 2014 | 13:00 por joseorenstein

O cheiro de queijo invadia a sala. Na cozinha de preparação ao lado, Bruno Cabral, da Mercearia Mestre-Queijeiro, e Fernando Oliveira, d’A Queijaria, cortavam peças garimpadas em todo o Brasil – e que seriam devoradas pelo público que lotou a sala para entender como se articula o mapa dos queijos nacionais.

FOTOS: Daniel Teixeira

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Na cartografia queijeira do Brasil, é indiscutível que o principal ponto do mapa é o Estado de Minas Gerais – que tem mais boi e vaca que gente (22 milhões ruminantes contra 20 milhões de seres humanos, lembra Bruno), e que produz os tradicionais e saborosos canastra, serro, salitre.

“Quando começa a dar certo? Quando os filhos voltam a produzir! E cada vez mais tenho visto isso”, diz Fernando, sobre as pequenas propriedades rurais que têm visto gerações mais jovens voltar a sentir orgulho de viver do queijo. Fernando cita o caso de Zé Mario, produtor de queijo da Serra da Canastra, que recebeu vários prêmios, reconhecimento, foi parar até na Globo, por causa do seu produto, que faz artesanalmente. “Ele entendeu que o negócio está na qualidade, não na quantidade.”

Depois de mostrar em fotos e fatos a diversidade queijeira brasileira, explicando como o movimento em torno do queijo só cresce e tem um impacto social positivo, Fernando e Bruno contaram toda essa história em queijos: conduziram degustação com dez peças. De um aprazível mineiro do Cerrado a um intenso coalho apimentado do Ceará, que provou os queijos teve boa amostragem dos diferentes estilos hoje feitos no Brasil. De vaca, cabra, ovelha, mais fresco ou mais curado, o repertório já é de respeito.

E a perspectiva para o futuro , para Fernando, é auspiciosa: “Hoje trabalho com 130 queijos na minha loja. E digo sem medo que pelo menos 30 ou 40 deles estão em nível altíssimo, iguais aos melhores do mundo. Nossa história queijeira é super-recente. A França que nos aguarde!”

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