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Cozinha de botequim mistura técnica, improviso e ingredientes brasileiros

21 setembro 2014 | 00:04 por redacaopaladar

Guilherme Athaide

Numa das aulas mais interativas do primeiro dia de Paladar Cozinha do Brasil, a proprietária do Aconchego Carioca, Kátia Barbosa, colocou a sala para mexer as massas dos três bolinhos que preparou. Todos os participantes ficaram ao redor do fogão, enquanto ela defendia que não há mágica: cozinha é trabalho.

Famosa pela criação do bolinho de feijoada, em 2007, Kátia falou sobre sua invenção, mesmo não trazendo a receita para a aula “É Bolinho”. “Não trouxe porque hoje todo mundo já faz. Mas o segredo é o tutu de feijão”. E feijão preto não é o único ingrediente de sua “cozinha de botequim”, como ela mesma chamou. Entre os ingredientes da cozinha nacional usados na aula, a chef trouxe o conhecido jiló e apresentou à turma o arroz da terra. “Escolhi fazer um bolinho com esse arroz para valorizar o ingrediente. Ele existe desde a época do império, mas está quase extinto por falta de uso”, contou.

Ficou com água na boca?

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FOTO: Helena Wolfenson/Estadão

Kátia usou um cano de PVC e um pedaço de plástico para espalhar a massa de farinha de tapioca, pois assim não gruda, como explicou. “Cozinha de botequim é fácil, basta criatividade e coragem. Quando você entende a textura e os ingredientes do prato, raramente precisa de receita”, explicou, justificando a falta de medidas para a preparação do bolinho de jiló.

Vinda de uma família de nove irmãos, Kátia contou que não tinha desperdício em sua casa, e isso é refletido  no seu modo de pensar a cozinha. “Amo trabalhar com culinária brasileira. A nordestina é a minha preferida; acredito que seja a mais autêntica.”

Entre as muitas dúvidas dos alunos, chamou a atenção a pergunta sobre o uso de fritadeiras sem óleo. Certeira, a resposta da chef fez a sala gargalhar: “Vou continuar mexendo meu arroz pra nem responder essa piada de mau gosto.”

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