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Comida

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Em São Paulo, degustações literárias vão à mesa

Na 22ª Bienal do Livro de São Paulo – que vai da próxima quinta, 9, até o dia 19, no Anhembi –, a gastronomia comparece não apenas em lançamentos literários, como nas obras em destaque ao lado, mas também em discussões e degustações.

02 agosto 2012 | 08:00 por joseorenstein

 

Num anfiteatro em torno de uma cozinha, chefs como Rodrigo Oliveira, Claude Troisgros e Flávia Quaresma darão aulas-palestras, enquanto escritores falam de comida. É o caso de Ruy Castro, que fala da comida na obra de Nelson Rodrigues. As atividades têm curadoria do chef e editor André Boccato (leia mais abaixo).

 

A partir de hoje e até o dia 19, alguns restaurantes da cidade servirão menus temáticos, inspirados em livros, e com direito a dois ingressos para a Bienal. Participam Al Mare, Bistrô Charlô, Capim Santo, Divino Fogão, Don Pepe di Napoli/ Jardim de Napoli, Maria Brigadeiro, Mello & Mellão Trattoria, Na Cozinha, Ponto Chic, Santinho e Vinheria Percussi. Informações em: www.bienaldolivrosp.com.br

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ENTREVISTA - ‘As pessoas comem com o pensamento, culturalmente’

André Boccato, chef e editor, é o curador do espaço gourmet da Bienal. Para ele, gastronomia é cultura e agora vem ganhando espaço à mesa brasileira de outras formas, como afirma na entrevista abaixo.

Cada vez mais as pessoas leem e também escrevem sobre comida, como atestam os blogs na internet. Por quê?

Acho que é porque a gastronomia deixou de ser mera satisfação nutricional ou prazer epicurista e passou a ser consumo intelectual. As pessoas comem culturalmente, com o pensamento. O segmento de gastronomia está explodindo no Brasil. Isso espelha o momento: superamos a etapa de comer para subsistir e passamos a pensar o que comemos, por que comemos.A gastronomia transpõe o mero fazer, a técnica. É cultura.

Como traduzir o paladar, o sabor em palavras? Não há risco de se soar pedante ou prolixo quando se fala de comida?

Tudo depende do contexto e da forma como você faz. Na literatura, Pablo Neruda tem poemas lindos sobre a comida. Jorge Amado, Eça de Queiroz, perpassam a gastronomia muito bem. Em outros ramos, há ainda os historiadores, sociólogos, além dos chefs de cozinha, mais técnicos. Esses ramos são como naipes de uma orquestra.

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