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Kimchi já faz parte de repertório do paulistano

Morei no bairro da Aclimação no fim da década de 1990. E me lembro, particularmente, de dois aspectos daquele período. O primeiro: o fato de viver numa região que tem como epicentro um parque (o da Aclimação, claro), influenciando os hábitos e movimentos do cotidiano.

01 outubro 2014 | 20:05 por luizcamargo

Kimchi. FOTO: Divulgação

O segundo: a presença destacada da colônia coreana, a ponto até de o principal supermercado do pedaço contar com informações bilíngues. Há quase 20 anos, bulgogui e japchae eram termos reconhecíveis apenas para imigrantes e descendentes, ou para vizinhos e iniciados. E ir a um restaurante da comunidade exigia, além de curiosidade, algumas doses de arrojo.

Entre a vontade de experimentar e o ato de entrar no salão e comer, era preciso atravessar barreiras: a intimidação do idioma, a sensação de ser bisbilhoteiro na casa alheia, a desinformação sobre especialidades e códigos numa época pré-Google e de pouca literatura disponível.

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Sei que, para muita gente, sair em busca de um repasto coreano, ainda hoje, tem um certo sabor de aventura, de expedição etnográfica. Mas fico satisfeito em ver que kimchi e bibimbap, entre outros nomes antes misteriosos, foram deixando o campo das abstrações para fazer parte do repertório de muitos paulistanos.

Os restaurantes da modalidade já são mais numerosos e há muitos brasileiros cuidando do atendimento, recebendo a clientela com cardápios traduzidos e explicados. Os pratos costumam ser fartos, a preços convidativos, e seus revigorantes azedos e ardidos assustam cada vez menos.

Sem contar que a Coreia do Sul, com seus carros, TVs e smartphones, assumiu dimensão de potência de influxo internacional semelhante à do Japão dos anos 1970 e 80. Indo além da gastronomia, a meu ver, existem ainda apelos nutricionais: a terra do ídolo pop Psy apresenta os menores índices de obesidade do mundo, com dietas ricas em vegetais e predominância de cozidos e chapeados sobre frituras.

O que seria um possível roteiro para conhecer pratos e costumes? Meu conselho seria o seguinte. Para um painel amplo e amigável das tradições do país, conduzido por uma cicerone habilitada a falar de sabores e etiquetas, eu recomendo o Portal da Coreia, na Liberdade, comandado por Regina Hwang. Para um almoço de domingo, com direito a passeio no parque, o BiCol e o Lua Palace, ambos na Aclimação.

E, para uma refeição inspirada na cozinha caseira e trivial, uma passada rápida pelo prosaico Gabinae, no Bom Retiro, certamente o menos abrasileirado do quarteto. Mas nem por isso impenetrável.

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 2/10/2014

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