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Legalização dos produtos artesanais: debate do Paladar deixa solução mais próxima

Discussão com a participação de representantes do governo, produtores e chefs propõe ações concretas para tirar da ilegalidade toda a cadeia produtiva desses alimentos – produção, distribuição e comércio

15 novembro 2017 | 17:59 por Patrícia Ferraz

Os participantes saíram animados do debate promovido pelo Paladar na sexta-feira (10), em defesa dos produtos alimentares produzidos artesanalmente no Brasil. Depois de quase quatro horas de discussões, questionamentos e depoimentos calorosos, a sensação comum era a de que “dessa vez vai”.

Produtores, agentes de fiscalização e integrantes do governo presentes no encontro que lotou o auditório do Estadão conseguiram deixar as divergências de lado e trabalhar em torno do que os une: o desejo de garantir a legalização de toda a cadeia produtiva de alimentos artesanais, da produção à distribuição e comercialização.

 

  Foto: Daniel Teixeira|Estadão

A coisa não ficou só na conversa, como costuma acontecer nesses encontros, formou-se um grupo de trabalho com a participação de reguladores e regulados (governo, produtores, técnicos e chefs). Do lado governamental, serão integrantes do grupo o secretário de Fiscalização do Ministério da Agricultura, Luis Rangel; o presidente do Condeagri e Secretário Estadual de Agricultura do Espírito Santo, Octaciano Neto; e a agente de fiscalização da Covisa, Andrea Boanova; além de um funcionário da Anvisa, ainda não definido.

Ficou com água na boca?

Do outro lado, o secretário do Slow Food, Jerônimo Villas Boas; o colunista do Paladar, Roberto Smeraldi; a presidente da ONG SertãoBras e blogueira do Paladar, Débora Pereira; o presidente da associação dos queijeiros da Canastra, João Leite; e os chefs Jefferson Rueda e Mara Salles, sempre envolvidos nos movimentos de defesa das tradições culturais brasileiras.

Um dos grande momentos foi quando o representante do Mapa, Luis Rangel, teve a ideia de formar uma Câmara Setorial para Produtos Artesanais. “Vou consultar o ministro (da Agricultura, Blairo Maggi) sobre a viabilidade de criar essa câmara”, disse, arrancando aplausos (esta semana, ele já avisou que a ideia foi bem recebida no ministério). Outro ponto alto do evento foi quando Jerônimo Villas-Boas propôs a criação de um “Poupatempo” para o produtor artesanal, concentrando a burocracia no mesmo local. 

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O chef Jefferson Rueda, da Casa do Porco, disse que estava ali para ouvir “Quero saber o que preciso fazer para sair da ilegalidade”, perguntou. Não obteve resposta, mas saiu animado com os avanços. Roberto Smeraldi sugeriu que o foco de fiscalização de alimentos seja deslocado do processo para o produto. A ideia vai ao encontro do que muitos palestrantes defenderam, a partir de sugestão de Débora Pereira, a autorregulação. “Na França, onde eu moro, é assim, o produtor anota os procedimentos e numera os queijos e em caso de problema, a fiscalização sabe onde ir”, contou. Outra unanimidade: a fiscalização deve privilegiar a educação do produtor, em vez de só punir. 

O MELHOR COFFEE BREAK DA HISTÓRIA 

Os produtores não economizaram. Queijeiros da Canastra, de Araxá e de diversas cidades paulistas trouxeram seus produtos. O chef Sauro Scarabotta, do Friccò, trouxe pães artesanais, focaccia, porchetta fatiada e mortadela; e o dono da Delika, Bruno Alves, trouxe bresaola e porchetta. Resultado: um coffee break que vai ficar na história!

 

  Foto: Daniel Teixeira|Estadão

 

AS IDEIAS QUE SE DESTACARAM

● Poupatempo do pequeno produtor: postos de Ministério da Agricultura, da Anvisa e de outros órgãos essenciais para a legalização de sua atividade no mesmo lugar;

● Viabilização e estímulo de unidades de produção multifuncionais;

● Informação, regras de boas práticas e higiene com rapidez; 

● Envolvimento da Embrapa e de outros órgãos de pesquisa;

●Implementação do autocontrole, a exemplo do que já se faz em outros países; 

● Criação de uma câmara setorial para pequenos produtores (MAPA);

● Avaliação do produto e não do processo; 

● Rastreabilidade; 

● Promoção de audiência pública sobre o tema na Câmara; 

● Transferência da competência da vigilância para Estados.

 

PARTICIPE

Em tempo: o Paladar  havia anunciado um manifesto, que seria assinado no evento. Mas dois dias antes começou a circular um outro manifesto com a mesma causa. Então, seguramos o nosso, vamos somar forças, em vez de dividir. Para assinar, o endereço é: chn.ge/2zOkHJM

 

"O que é preciso para tirar produtos artesanais da ilegalidade?" 

Fizemos essa pergunta para os participantes do debate, confira as respostas no vídeo abaixo:

 

Confira a íntegra do primeiro painel:

Assista ao segundo painel:

 

Ficou com água na boca?