Paladar

Comida

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Meus pontos de fuga

MEMÓRIA

06 fevereiro 2013 | 20:59 por redacaopaladar

Por Miguel Icassatti*

Para quem vem dos outros cantos de São Paulo, o Pari pode parecer distante, espremido entre o Brás, o Bom Retiro, o Belém e a Marginal do Tietê. Para mim, que mudei do bairro há 15 anos, o Pari continua sendo um ponto de fuga. Para quem gosta de garimpar utilidades domésticas ao preço de uma maçã, o paraíso está nas dezenas de lojas da Av. Vautier.

Para mim, essa rua ainda é aquela dos sobrados geminados onde a Dona Inês, o Seu Osvaldo e outros vizinhos testemunharam minhas primeiras pedaladas sobre a velha Monark Tigrão. Para quem sonha em se casar, a Paróquia de Santo Antônio do Pari é o melhor lugar para pedir uma ajudinha ao santo casamenteiro no próximo 13 de junho. Para mim, essa igreja é o refúgio para celebrar momentos ternos em família, como a primeira comunhão de minhas irmãs, a missa de formatura do colégio e o batizado de minha filha. Para quem tende a acreditar em tudo que lê, o Carlinhos Restaurante é “O Rei da Picanha”, conforme consta no cardápio. Para mim, não. É o berço do arais, do cordeiro assado à moda armênia e o local em que, por vezes, reencontro amigos dos quais não tinha notícia desde o colegial no Colégio Santo Antônio do Pari. Muitos de nós estudávamos pela manhã e trabalhávamos à tarde, em geral num comércio da família. Naquela virada dos anos 1980 para os 90, os irmãos Fábio e Fernando Yaroussalian já davam expediente em meio período no restaurante dos pais, instalado na Rua Miller, em frente do qual eu passava quase todos os dias a caminho do banco (fui office-boy do próprio colégio). Lembro-me de ver o Fábio no balcão, atrás de sacos de pão sírio.

Fernando era o dono do salão. Se não estiver enganado, não havia placa na fachada que indicasse o nome do estabelecimento. E não sei quais eram as sugestões do cardápio porque nunca passei da porta. No Carlinhos de hoje, o menu não me faz falta. Vou sempre de arais.

Ficou com água na boca?

* EDITOR-CHEFE DO PROJETO ABRIL NA COPA, DA ABRIL MÍDIA, INTEGROU A PRIMEIRA EQUIPE DO PALADAR

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