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Miya, o templo despojado de Flávio Miyamura

O chef Flávio Miyamura abre um pacote de furikake sobre a mesa, coloca um punhado sobre a colher, assopra, passa-o entre os dedos. Brinca com o tempero à base de alga nori e gergelim. Encontrado a três por quatro nos mercados da Liberdade, o furikake é raramente visto nas cozinhas ditas “sérias” da cidade, mas se faz presente como finalizador do arroz cozido em um dos pratos do Miya, restaurante aberto esta semana em Pinheiros.

21 junho 2012 | 08:00 por oliviafraga

Ceviche_de_robalo_com_manga___cr__ditos_Rog__rio_Voltan.jpg Ceviche de robalo com manga. (Rogério Voltan/divulgação)

“Nunca quis uma casa superchique, nem na decoração, menos ainda no cardápio. Não é isso que as pessoas procuram”, diz Miyamura, explicando o menu de pratos na faixa dos R$ 30. Vá lá: foie gras, vieiras e polvo estão presentes, mas são servidos com bossa, com divertimento. O foie gras, por exemplo, é ingrediente principal da terrine que chega com doce de leite. A vieira, produzida por uma cooperativa do Rio de Janeiro, vem acompanhada de palmito pupunha assado e limão-siciliano. A sobremesa “arroz e feijão” combina arroz doce e uma camada de feijão azuki cozido e moído. Chega numa panelinha. Há tentativas de simplificar: cozimentos ligeiros (algumas carnes e a barriga de porco são feitas a baixa temperatura) e um menu executivo que ficará em R$ 45, com direito a “um bom estrogonofe, um filé àparmigiana decente”, pretende Miyamura.

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