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Orgânicos: vale tudo isso?

A polêmica sobre alimentação orgânica não para. O jornalista Russ Parsons, editor da seção Food and Dining do Los Angeles Times, passou todo o mês de julho debatendo os dúbios benefícios do cultivo de alimentos sem agrotóxico, e foi categórico ao afirmar que não acreditava neles.

21 agosto 2009 | 00:15 por oliviafraga

No início de agosto, pesquisadores de um instituto de Londres defenderam, em estudo, que não existem diferenças nutritivas substanciais entre alimentos orgânicos e não-orgânicos. Como Parsons, foram categóricos.

Nessa semana, do lado de cá do Atlântico, a briga teve um desdobramento curioso: John Mackey, fundador da Whole Foods, maior cadeia de alimentos orgânicos dos Estados Unidos, sugeriu em artigo publicado no Wall Street Journal uma série de mudanças no sistema de saúde norte-americano.

O problema foram as sugestões de Mackey: menos controle governamental, abandono da proposta de Obama de oferecer programas de seguro saúde aos mais pobres, e a sugestão (aparentemente, inocente) de que as pessoas viveriam mais, bem mais, e deixariam de dar trabalho ao setor de saúde pública, caso se alimentassem melhor. Sugestão de orgânicos, talvez? Mackey, até hoje visto como um visionário, revelou-se propagandista – e conservador.

Ficou com água na boca?

Muita gente não gostou, e não foram só os detratores dos orgânicos. Ex-consumidores revelaram-se surpresos com a posição de Mackey, e passaram a criticar o preço abusivo dos produtos “limpos” da Whole Foods. Via web, a reação pública foi imediata: no Facebook, ‘Boycott Whole Foods’, uma comunidade contra a rede, já conta com 14 mil membros, de acordo com o jornal inglês Independent. Agora são eles, os engajados, que se fazem a pergunta: quanto vale o alimento orgânico?

Ficou com água na boca?