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Queijeiro acordou com parmesãos desabando

SANT’AGOSTINO DI FERRARA, ITÁLIA

24 maio 2012 | 17:14 por oliviafraga

O queijeiro Oriano Caretti começou a acordar com a terra tremendo. Despertou totalmente ao ouvir 30 toneladas de rodelas de parmesão de 40 quilos cada desabando no depósito vizinho a sua casa.

O terremoto de 6 graus Richter que castigou a região ao norte de Bolonha matou sete pessoas, arrasou prédios multisseculares e causou enormes danos à mundialmente famosa produção regional de queijos. O grupo agrícola Coldiretti informou que 400 mil queijos parmesão e grana padano foram danificados ao caírem das prateleiras. Prejuízos na agricultura, incluindo perda de queijos, morte de gado e maquinário destruído na área delimitada por Bolonha, Módena e Mântua, no rico Vale do Rio Pó, foram estimados em 250 milhões. O último grande terremoto que atingira a região foi no século 14.

“Considerando que aqui estão dois anos de trabalho de sete empresas, dá para ver que a repercussão econômica nas fazendas e no território em geral será muito negativa”, disse Caretti entre suas derrubadas prateleiras de madeira, das quais apenas 1 das 16 originais ficou de pé. Muitos queijos de Caretti ficaram aparentemente intactos, mas os funcionários ainda estão verificando o que poderá ser salvo antes que o mofo ataque.

Fábricas de outros produtos da região foram atingidas, incluindo a Cerâmica Sant’Agostino, que emprega 350 pessoas. Mas nenhum setor foi tão golpeado economicamente quanto o dos queijos artesanais.

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Pelo menos 10% da produção de queijo parmesão foi prejudicada, segundo o consórcio Parmigiano-Reggiano, cujos queijos geram anualmente 1,9 bilhão de euros.

No total, uns dez antigos barracões de envelhecimento e pequenas queijarias sofreram danos, que atingiram diretamente 300 mil queijos, metade das quais ficaram pelo menos parcialmente inutilizados.

“Em alguns casos, dá para recuperar as peças e mudá-las para outros depósitos, para que terminem de envelhecer”, disse o porta-voz do consórcio, Igino Morini. Outros queijos parcialmente atingidos poderão ser aproveitados, vendidos para a fabricação de produtos à base de queijo ou para o setor de alimentos industrializados – mas valendo apenas uma fração do que valeriam como envelhecidos e intactos queijos Parmigiano-Reggiano.

Entretanto, apesar do enorme trabalho para reorganizar as coisas, Oriano Caretti já recomeçou a produção. “As vacas não param de dar leite, que precisa ser transformado”, filosofa o queijeiro. (AP)

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