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Comida

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São Paulo de joelhos

Sexta-feira de sol, o restaurante Mocotó está lotado, como é costume. Na calçada da Avenida Nossa Senhora de Loreto, na Vila Medeiros, os bancos que acomodam a fila de espera já começam a encher. O chef Rodrigo Oliveira atende uma equipe de filmagem no salão do restaurante e, nos intervalos da gravação, tira fotos com comensais fãs de seu trabalho. O dia está atribulado. Mas ele para tudo, sai à rua, arruma um espaço no banco de espera e arregaça lentamente a calça para deixar à mostra seu joelho. Um barbudo ruivo de cabelos compridos clica a curiosa cena. “Tem maluco para tudo”, diz Rodrigo, aos risos. A foto do joelho de Rodrigo está aqui abaixo. Foi feita por Pablo Saborido, o barbudo em questão. Ela vai integrar a mais nova edição do Guia San Pablo, que será lançado no próximo fim de semana, durante a Feira Tijuana de Arte Impressa. FOTOS: Pablo Saborido/Divulgação O guia não é convencional. Não avalia os restaurantes da cidade nem indica lugares pelo estilo de comida. Tem um recorte bem específico: comenta os melhores joelhos de porco de São Paulo. São oito endereços indicados, nas quatro zonas da cidade. Além do Mocotó, aparecem o Deigo, japonês com comida de Okinawa na Liberdade, o Hwang To Gil, coreano no mesmo bairro, o Kostelão do Pirata, no Itaim Paulista, o King of the Kings, chinês do Centro, o boteco Amigo Leal, também no Centro, o Schnaphaus, alemão de Pinheiros, e o Penedo Latícinios, banca de produtos alemães no Mercado de Santo Amaro.

05 agosto 2015 | 21:11 por joseorenstein

Ilustração: Divulgação

As edições anteriores foram dedicadas ao Centro, ao Pari, ao restaurante Kintarô e ao Bom Retiro. “Desta vez escolhemos um prato que nos permitiu ir aos diferentes cantos da cidade e que é como um denominador comum de várias culturas”, conta Fabrizio.

O guia propriamente é uma grande ilustração de um porco de oito pernas. Cada perna é um dos locais recomendados. O desenho é dobrado como uma sanfona. Na parte de trás, aparecem as fotos dos donos dos restaurantes visitados – sempre exibindo seus próprios joelhos. Cenas das visitas e imagens de joelhos – artísticas, não comestíveis – também figuram na publicação.

Ficou com água na boca?

A ideia para o tema surgiu das visitas feitas na produção das outras edições do guia, quando os autores perceberam que o joelho de porco aparecia em diferentes restaurantes cultura. Eles contam ter rodado mais de 260 quilômetros em São Paulo procurando bons joelhos de porco. Alguns lugares visitados ficaram de fora – “Tem muito joelho de porco ruim. Aí não dá para falar”, diz Fabrizio.

A reportagem acompanhou a visita do guia ao Mocotó, que, segundo os autores, é o dono do melhor joelho de porco que provaram em São Paulo – e que foi o último a ser testado para o guia. Braseado, chega à mesa num rico molho, escoltado por cuscuz de milho e jerimum assado. Pablo espeta seu garfo e faca no prato e comenta, empolgado: “Olha só! A carne sai fácil. O osso fica limpo. Isso é muito bom sinal.” A carne é muito saborosa e macia, passa por longo período de cocção. Fabrizio afirma: “É o melhor, não tem jeito.” O grupo concorda, mas faz menção honrosa ao do Deigo, também memorável.

“Acho que o interessante desse guia é que ele é uma forma de se aproximar e se apropriar da cidade em que vivemos – falando de comida, que é algo que nos interessa, e das pessoas que abrem suas portas para a gente”, diz Fabrizio. O guia tem tiragem de 250 e custa R$ 40.

Feira Tijuana de Arte Impressa - Lançamento do Guia San Pablo.

R. Três Rios, 252, Bom Retiro.

Sáb.(8) e dom. (9), 12h/20h

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 6/8/2015

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