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Websérie mostra que amor de avó vem da cozinha

Isabelle Moreira Lima

09 dezembro 2015 | 19:49 por redacaopaladar

A família de Jonas Pariente é parte egípcia, parte polonesa. Nascido na França e residente de Paris, ele não fala os idiomas de seus avós e se sente absolutamente francês. Mas, quando põe na boca um arenque, vira polonês na hora. Quando come o cozido de carne egípcio com espinafre, chamado de molokheya, se sente inteiramente conectado com a cultura e o passado de sua família no Egito. Quem prepara o prato como ninguém é sua avó Nano, nascida no Cairo e estrela do primeiro filme da websérie Grandmas Project, que Jonas criou como forma de preservar a cultura de sua família. E de falar de amor e comida.

“Este projeto é uma resposta para a minha ligação com a minha família. As coisas mais significativas e tocantes da vida estão ao lado da comida”, afirmou em entrevista ao Paladar.

O Grandmas Project começou há três anos com um vídeo em que Nano e Jonas falavam sobre a ideia de fazer filmes com avós do mundo inteiro. O material foi postado no site de financiamento coletivo Kickstarter e Jonas arrecadou pouco mais de US$ 21 mil para produzir os filmes. O objetivo é contar 30 histórias ao fim do projeto. Por enquanto, há três filmes prontos e outros três em produção. Batizados com os nomes dos pratos, eles ficam disponíveis na internet, com as receitas.

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Rosa Maluf Milan, de 97 anos, faz charutinho de uva para o neto. FOTO: Divulgação

No caso do cineasta franco-brasileiro Mathias Mangin, ele vê a comida como a forma mais simples e clara que sua avó, Rosa Maluf Milan, de 97 anos, usa para transmitir amor. Rosa prepara charutos de uva para o neto e a receita nem é mais tão fiel assim às origens. A avó é a terceira geração da família de imigrantes, nasceu em São Paulo e incorporou traços culturais brasileiros à receita. “Os libaneses acharam muito diferente. O da minha avó, embora tenha uma base libanesa, tem o gosto do Brasil”, conta Mangin.

As avós falam sobre suas vidas ao preparar os pratos. Nano queria ter estudado medicina, mas o pai não deixou. A brasileira Rosa conta com lucidez suas memórias de infância com Hani, cozinheira “brava” que não a deixava entrar na cozinha. É incrível e irresistível assistir à sua lucidez e sua habilidade perto dos cem anos.

Segundo Mangin, foi Rosa quem escolheu o charuto de uva para protagonizar o filme. “Ela faz banquetes enormes, com muitos pratos, mas o charuto é a cereja do bolo”, diz.

Mas nem tudo corre como deveria. No caso de Nano, o ensopado não dá muito certo: no meio do filme, ela percebe que a carne não está boa. Segue a receita sem a carne e explica como o neto deve continuar. E, no final das contas, tem-se a sensação de missão cumprida, ao ver em imagens de arquivo pessoal como a família se relaciona ao redor da mesa.

No terceiro filme, uma adorável avó camponesa da França prepara uma gemada para o neto. Ela diz estar preocupada com a cabeça, diz que se esquece das coisas. No final, os dois olham para as xícaras e riem: para quem está assistindo, fica a impressão de que a gemada ficou mais parecida com uma ambrosia – que é doce como amor de avó.

Receita do charuto de Rosa Milan

Ingredientes

1 kg de folhas de uva

500g de carne moída

1 xícara de arroz

2 tomates descascados

Sal e pimenta aleppo

Manteiga e azeite a gosto

Preparo

1. Coloque as folhas na água fervente por 5 a 7 minutos. Escorra e deixe-as esfriar.

2. Misture a carne e o arroz em uma vasilha, tempere a mistura com sal e pimenta.

3. Corte os talos das folhas e deixe as veias para cima. Ponha uma colher de arroz na base de cada folha; dobre os lados da folha até o meio e enrole-a.

4. Ponha os charutos na panela de modo que possa virá-la para baixo ao fim do processo. Corte os tomates em rodelas e ponha sobre os charutos.

5. Ponha 200 ml de água na panela e um pouco de azeite e manteiga. Tampe e cozinhe por 2h. Adicione água, se necessário.

Rosa

Nano

Simone

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