Paladar

Restaurantes e Bares

Restaurantes e Bares

Barcelona entre tapas, montaditos e plânctons

Quem gosta de comer não pode perder estas sugestões de restaurantes em Barcelona

08 junho 2016 | 16:31 por Patricia Ferraz

Comer na Espanha é sempre um grande programa. Os espanhóis têm longo horário de almoço, das 12h às 16h, jantam entre 19h e 23h e nos intervalos entre um e outro dedicam-se seriamente ao tapeo, um giro pelos bares de tapas. Fazem jus à brincadeira popular no país de que enquanto o mundo abre pausas no trabalho para as refeições, os espanhóis fazem pausas nas refeições para trabalhar. Portanto, entre monumentos, parques, museus e a visita aos mercados – em alguns casos obrigatória como no La Boqueria, em Barcelona, faça suas reservas para o almoço e o jantar. Mas fique atento aos horários, muitos restaurantes fecham aos domingos e também às segundas-feiras, programe-se. 

Quem gosta de comer, não pode perder esses três lugares em Barcelona:

QUIMET & QUIMET

O MELHOR MONTADITO

Se eu tiver apenas um dia em Barcelona, vou ao Quimet & Quimet no almoço ou no jantar – chego cedo e fico esperando na fila (mesmo sozinha e na chuva, como já aconteceu) até que señor Pérez abra a enorme porta de madeira vermelha dando início ao serviço mais concorrido de El Poble-sec, um bairro distante e pouco valorizado.

O Quimet é um lugar único. Não tem estrelas, aliás, nem mesas e cadeiras – há apenas duas mesinhas daquelas altas para apoiar pratos e copos – e os talheres são reservados só para alguns casos.  A especialidade da casa são as conservas, algumas feitas ali mesmo a partir de ingredientes frescos.  Ventresca de atum, anchova do Cantábrico, sardinhas, azeitonas, bacalhau, pimentão, berinjelas, alcachofras, salmão ficam expostas numa vitrine no balcão.

Ficou com água na boca?

Montaditos no Quimet & Quimet. Os sanduíches abertos são montados na hora feito esculturas.

Montaditos no Quimet & Quimet. Os sanduíches abertos são montados na hora feito esculturas. Foto: Lee Haris

Elas são o ingrediente principal dos montaditos, sanduíches abertos, montados na hora, um a um, sobre pão redondo torrado cortado ao meio. O esquema lembra o dos bares de sushi, em que você fica no balcão e o sushiman vai preparando obras de arte comestíveis. O negócio é deixar a escolha por conta do casal de proprietários, ou da brasileira Inês, que trabalha ali há onze anos.

Eles fazem os montaditos combinando as conservas com queijos dispostos sobre o balcão e molhos, azeites temperados méis, mantidos em bisnagas de plástico. Um dos mais célebres montaditos ali é o de salmão defumado com iogurte grego, mel trufado; alcachofra vem com queijo de mofo branco, tomate em conserva e caviar por cima, com um creme de azeite e azeitonas pretas; a ventresca (barriga) de atum é servida apenas com tomate sobre o pão, não precisa de mais nada; pimentão faz par com um camarão grande e caviar; aspargos brancos de Navarra e salmão são montados com azeite e arrematados por alcaparras e fios de ovos (ok, os fios de ovos seriam dispensáveis... mas o conjunto funciona); outra combinação que surpreende, mas dá certo, é a de pêssegos em calda (caseiros) com queijo cremoso Torta de Casar,  anchova do Cantábrico e molho.

No Quimet & Quimet em Barcelona tem que chegar cedo para garantir seu lugar entre o balção e as duas mesas

No Quimet & Quimet em Barcelona tem que chegar cedo para garantir seu lugar entre o balção e as duas mesas Foto: Lee Haris

Em poucos minutos o salão fica lotado, as pessoas se acotovelando no espaço diminuto, muita gente pega os pratinhos, a copita de cava ou de cerveja com o rótulo da casa e vai para a calçada. Um ajudante circula com um balde de plástico, se espreitando entre as pessoas e as paredes abarrotadas de garrafas de vinho, cervejas e conservas, retira os pratos e vai colocando no balde. Deixa na cozinha e logo volta, para a próxima rodada. Não dá vontade de parar de comer. Com um ou dois copos de cava e cinco ou seis montaditos (é exagero, eles são grandes, mas não hesite) gasta-se em média 30 euros.

Onde. Carrer del Poeta Cabanyes, 25. 

LA COVA FUMADA

É UM MUQUIFO. MAS VÁ LÁ!

La Cova Fumada é o maior muquifo de Barcelona e você vai ter dificuldade de encontrá-lo -- passei duas vezes na frente da porta marrom escangalhada e de numeração errada e só acreditei que a taberna era ali depois de pedir indicação a um morador local. É um lugar pequeno e barulhento, que fica na Barceloneta, o antigo bairro de pescadores.

Discreta. A fachada do La Cova Funda

Discreta. A fachada do La Cova Funda Foto: Patricia Ferraz|Estadão

Combina perfeitamente com as roupas estendidas para fora da janela dos edifícios da vizinhança, nos arredores do porto. Foi inaugurado em 1947, pelos avós do atual proprietário Josep Maria, como bodega e com o tempo passou a oferecer almoço. A comida é simples, caseira, e muito boa, prova disso é que o lugar fica lotado de moradores. Os pratos estão listados numa lousa -- a atendente demora, mas quando se aproxima dos clientes com um bloquinho na mão é melhor você saber o que pedir logo antes que ela desista e dispare o mesmo “que quieres cariño?”’ para outro cliente. Comece pela bomba,a especialidade da casa: é uma croqueta de batata e carne de porco servida com maionese e páprica, sequinha por fora com recheio cremoso e o molho picante. Depois, peça  sugestões.

Destaque. Judías na chapa com torradas de azeite e alho

Destaque. Judías na chapa com torradas de azeite e alho Foto: Patricia Ferraz|Estadão

Se for época de judias, não hesite: as alcachofras pequenas são marinadas, cortadas ao meio e vão para a chapa quente até ficarem crocantes. Elas são servidas com duas espetaculares torradas cobertas por um creme feito apenas com alho e azeite batidos. O bacalhau levemente empanado e temperado com delicadeza se desmancha em lascas, outra grande pedida. Tem sardinhas à la plancha, calamares,  favas secas....A conta combina com o lugar: 12,30 por croquetas,  alcachofras e bacalhau, água e um copo de vinho branco (muito ruim).

Onde. Carrer del Baluart, 56.

BISTREAU

ARROZ DE PLÂNCTON 

Entre os restaurantes que andam em alta em Barcelona está o BistrEau, comandado pelo chef Angel Leon, mais conhecido como o chef do mar. Leon é filho de pescador e cresceu ajudando o pai no barco e quando se tornou cozinheiro profissional se especializou em peixes e frutos do mar -- inicialmente, apenas em técnicas de preparo, mas com o tempo, passou a fazer pesquisas e experiências que incluem algas, água do mar e até o plâncton que é o ingrediente principal de sua criação mais famosa, o arroz de plâncton. É um prato com incrível gosto de mar e visual provocativo, com o arroz bomba envolvido por um creme verde escuro e pontinhos de aïoli completando o sabor.

No mesmo estilo de vanguarda do chef, as tortillas de farinha de trigo lembram uma renda delicadíssima, decorada com microcamarões fritos e bem sequinhos, crocantes. Os pratos são servidos à la carte ou no menu-degustação do chef. O curioso é que a sugestão ali é acompanhar todos eles com Jerez de diferentes rótulos. De fato, combinam perfeitamente.

Intenso. Arroz de plâncton do chef Anfel Leon.

Intenso. Arroz de plâncton do chef Anfel Leon. Foto: Divulgação

O BistrEau fica no antigo lobby da agência bancária que foi transformada no hotel Mandarin Oriental, no Passeig de Gracia. O bar, batizado de Caja, mantém as antigas caixas-fortes. É um dos três restaurantes gastronômicos do hotel, que tem também o Moments, de Carme Ruscalleda e seu filho Raul Balam, classificado com duas estrelas Michelin, e o Terrat, de Gastón Acurio no terraço com bela vista de Barcelona.

Onde. Passeio de Gràcia, 38-40. www.mandarinoriental.com 

+ Conheça a Barcelona de Albert Adrià

+ Málaga, a cidade de Picasso oferece boa cozinha tradicional espanhola

Navegue pelo mapa e encontre outros destinos gastronômicos:

 

Ficou com água na boca?