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Restaurantes e Bares

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Cerveja local mesmo: feita dentro da cidade de São Paulo

Abre nesta quinta (17) em Perdizes a Trilha Cervejaria e, em dez dias, a Dogma em Santa Cecília

16 agosto 2017 | 18:04 por Heloisa Lupinacci

Abre nesta quinta-feira (17), em Perdizes, a Trilha Cervejaria. É pequena (tem capacidade de produção de 3 mil litros em tanques de 250 litros), mas pode ser um grande passo para a cena cervejeira paulistana. Ela marca um ponto no trajeto rumo ao “beba local”, um dos maiores lemas da Revolução Cervejeira e que empacava aqui na legislação.  Outro passo importante: será inaugurada, daqui a dez dias, em Santa Cecília, uma fábrica com tasting room da Dogma (que vai até engarrafar).

Trilha Cervejaria. Ambiente e produção são pequenos, mas já é um grande passo para a cena cervejeira paulistana

Trilha Cervejaria. Ambiente e produção são pequenos, mas já é um grande passo para a cena cervejeira paulistana Foto: JF Diório|Estadão

Até fins do ano passado não era permitido instalar cervejarias na cidade de São Paulo. Resultado: tirando alguns brewpubs como a pioneira Cervejaria Nacional e o novidadeiro Goose Island, as marcas paulistanas são produzidas nos arredores, o que requer grande esforço para trazer para os bares o barril de chope mais fresco.

Considerando a diferença de tamanhos de cervejarias (o impacto de uma microcervejaria é diferente do impacto de uma de escala industrial), foi aberta a possibilidade de instalar, em algumas ruas de alguns bairros, fábricas de pequeno porte. 

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Com isso, você vai poder comprar cerveja fresquinha direto do cervejeiro, que você pode chamar pelo nome (no caso da Trilha, ele atende por Beto). 

“A gente quer ser uma cervejaria-padaria, que as pessoas vejam a cervejaria da mesma forma que veem a padaria, o lugar para buscar o pão fresquinho”, diz Daniel Bekeierman, um dos quatro sócios, ao lado de Beto Tempel e de investidores.

A Trilha apareceu em novembro de 2016, plugada no Ambar e no EAP, com a Melonrise (uma cerveja turva, lupulada, aos moldes da NeIPA, o estilo da moda). E de lá para cá, lançaram outras IPAs (Atlântico, Pacífico, Zest, com zest e limão siciliano e laranja, e Melonrise Cantaloup, com melão).

Em comum. As duas têm muitas características em comum. São cervejarias com tap room, ou seja, lugares que produzem cerveja e servem em torneiras ali mesmo, para tomar na hora ou levar. Trilha abre com 12 torneiras, Dogma com 20. É possível tomar ali ou levar para casa, em growler e crowler (a lata de um litro que é cheia e fechada na hora). Vão servir comida só em food truck. Foram instaladas em locais onde funcionavam oficinas mecânicas, ficam fora do eixo Pinheiros, em ruas tranquilas. Vão produzir pequenos lotes experimentais (Trilha, tanques de 250 litros, Dogma, de 250 a 500 litros) e explorar maturação de cerveja em barril de madeira. E as duas prometem. Muito. 

Mais sobre a Trilha.

 A gênese da cervejaria é intimamente ligada à gastronomia. Os sócios curtiam cerveja, viajavam muito provando a bebida e achavam que a produção paulistana poderia ser melhor e, principalmente, mais gastronômica. Começaram a estudar e procurar um cervejeiro. Foi quando entrou Beto Tempel na história. Ele é o chef de cozinha à frente da Lox Deli e outros empreendimentos ligados a comida. Bekeierman foi conversar com ele para pedir indicação de nomes e ele quis tocar a empreitada. Vendeu os negócios e se enfiou em um laboratório para aprender tudo sobre cerveja. Foram 11 meses estudando IPA até lançar a Melonrise. Depois, foram 5 IPAs para, agora, expandir os estilos. Já tem barley wine engatada no novo espaço.

Trilha. Os sócios Beto Tempel e Daniel Bekeirman

Trilha. Os sócios Beto Tempel e Daniel Bekeirman Foto: JF Diorio|Estadão

Nas torneiras. Wild Sour Morango (sour com morango), Melonrise Cantaloup (NeIPA) e Sundance (double NeIPA), R$ 60 o litro. Blackrose (russian imperial stout), R$ 85 o litro. Status Quo (barley wine), R$ 41 (375 ml).

TRILHA

R. Apinajés 137, Perdizes.

17h/22h (sáb., 12h/23h e dom., 12h/22h; fecha seg. e ter.)

Mais sobre a Dogma.

Nasceu da fusão de três marcas, Serra das Três Pontas, Prima Satt e Noturna e se tornou uma das cervejarias mais interessantes e consistentes (e, vá lá, caras) do cenário brasileiro. Tem em sua história alguns rótulos históricos, como a Cafuza (black IPA) e a Rizoma (NeIPA). A abertura do novo espaço tem inclusive a intenção de trazer as cervejas a um preço menos doído para o consumidor (a carga de impostos sobre a cerveja vendida da cervejaria direto ao consumidor é mais baixa). Serão 20 torneiras na casa, localizada estrategicamente perto do metrô. À frente da Dogma estão três ex-cervejeiros caseiros, Bruno Monteiro, Leonardo Satt e Luciano Silva. E a ideia é usar a fábrica de Santa Cecília para fazer muita experimentação (e quando se trata dessa turma, experimentação pouca é bobagem). Além de servir cerveja em copo e ter crowler, a Dogma vai também engarrafar, mas só pra vender ali.

Dogma. Direto da fonte, dá para tomar ou levar growler

Dogma. Direto da fonte, dá para tomar ou levar growler Foto: Heloisa Lupinacci|Estadão

Nas torneiras. Exclusivas do tasting room: Dankest (double IPA), Hopster (IPA), Lupulin (APA) e Cecília (kölsch fixa, para dar boas-vindas, fácil de beber, amargor e corpo mais baixos, mas bem lupulada). Ainda: Cake (imperial stout com coco), Altazor (saison com levedura brasileira) e St. Fortunato (belgian dark strong ale com tâmara). O preço ainda não está totalmente definido, mas deve variar de R$ 40 a R$ 70 o litro, dependendo da cerveja. 

DOGMA

R. Fortunato, 236, Santa Cecília.

Em soft-opening a partir da última semana do mês. 

Outros lugares

Pioneira: Cervejaria Nacional

O brewpub mais querido de São Paulo continua firme e forte ali na Pedroso de Moraes, servindo os rótulos que já viraram clássicos (como a Mula) e sazonais experimentais fruto de boas parcerias.

Av. Pedroso de Morais, 604, Pinheiros. 17h/0h (sáb. 12h/0h, dom. 12h/18h. Fecha seg.). Tel. (11) 3034-4318

Hypada: Goose Island Brewhouse

Inaugurada no fim do ano passado, trouxe a marca norte-americana que simboliza a onda de aquisições de craft pela Ambev para mais perto de São Paulo. Contratou o talentoso cervejeiro Gustavo Hoffman, revelado na Nacional, para comandar as panelas.

R. Baltazar Carrasco, 191, Pinheiros. 18h/1h (sáb., 12h/1h; dom., 12h/22h; fecha seg.)

Do bairro: Casa Avós

Uma casa antiga com clima de interior na Vila Romana serve de tasting room  dessa cervejaria que é uma das boas novidades do último ano. É um superprograma de fim de semana, até pra quem não liga muito para cerveja. As cervejas não são produzidas ali (vêm da fábrica da Dádiva, em Vargem Grande), mas o clima de apertar a mão do cervejeiro está no ar.

R. Croata, 679, Vila Romana. 17h30/21h30 (sáb. 11h/15h. Fecha dom. e seg.)

Interiorana: Tábuas

Surpresa campineira, a Tábuas tem seu tasting room em Barão Geraldo, distrito bacana da cidade interiorana. Tem sete torneiras, de cervejas próprias e convidadas, tem crowler e foodtrucks estacionados.

R. Tereza Zogbi Geraij Mokarzel, 33, Barão Geraldo, Campinas. Tel.  (19) 3289-0930. 17h/0h (sáb., 12h/0h, fecha dom. e seg.)

 

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