Paladar

Restaurantes e Bares

Restaurantes e Bares

Food trucks engatam a primeira marcha

Food trucks engatam a primeira marcha

04 fevereiro 2015 | 19:22 por mariliamiragaia

Uma iniciativa experimental da Subprefeitura de Pinheiros permite, desde o início do ano, que food trucks circulem na região administrativa – que abrange áreas como Pinheiros, Jardim Paulista e Itaim Bibi.

A mobilidade é a reivindicação central de donos de food truck. E desde que a comida de rua foi regulamentada, há quase um ano, estava sem solução prática. Na regulamentação, a autorização é para o uso de um ponto estático. Ou seja, o caminhão ficaria estacionado sempre nos mesmos lugares.

O modelo proposto pela Subprefeitura de Pinheiros é baseado no revezamento desses pontos: os trucks seguem uma grade com dias e horários estabelecidos para cada ponto. A grade foi feita em conjunto entre a subprefeitura e proprietários. São 54 caminhões que se alternam entre dez pontos (veja ao lado) – entre eles, um na Rua Fradique Coutinho e um na Av. Brigadeiro Luís Antônio.

Flanelinhatruck. Para Márcio Silva, do Buzina Food Truck, a falta de sinalização nas ruas pode criar uma máfia para segurar as vagas. FOTO: Hélvio Romero/Estadão

Ficou com água na boca?

“Com essa iniciativa conseguimos manter nossa essência, que é ser itinerante, ter mobilidade. Não adianta ter rodas se você não pode circular”, diz Pedro Paulo Faria, dono do food truck Dapraia.

Cada um dos dez pontos comporta de dois a cinco food trucks, que se revezam, inclusive, no tipo de comida servida. “A presença de mais de um food truck e a variedade do que é servido ajuda a atrair pessoas”, diz Gustavo Rodrigues, do La Embarcación, que tem permissão para atuar em cinco dos dez pontos previstos.

O acordo nasceu em audiências feitas em 2014 entre donos de food truck e a subprefeitura. A circulação dos trucks foi vista como uma forma de “maximizar a ocupação dos pontos de rua”, afirma o subprefeito Ângelo Salvador Filardo Junior. Para a Secretaria das Subprefeituras, o sistema é visto como teste e “poderá eventualmente ser adotado por outras subprefeituras”.

Reclamação. Ainda que animados, donos de food truck relataram ao Paladar dificuldades em trabalhar na rua, mesmo com a licença (chamada de TPU) em mãos. É o caso de Adolpho Schaefer, que não pôde estacionar o food truck Holy Pasta no ponto próximo à Av. Berrini porque o espaço, sem sinalização especial, estava ocupado. “Temos a permissão para trabalhar, mas na prática estamos disputando com carros”, diz . Para José Carlos Canonero, do Bigorna, é preciso “chegar muitas horas antes de começar a funcionar se quiser usufruir da licença”, o que, segundo ele, inviabiliza o trabalho.

Para Márcio Silva, do Buzina Food Truck, a falta de sinalização pode criar “uma máfia para segurar as vagas” e acabar afugentando os trucks das ruas.

Procurada, a Prefeitura de São Paulo afirmou que “a lei e o decreto não contemplam a demarcação do espaço para estacionamento dos food trucks”.

Baixa procura. Na cidade, a Subprefeitura de Pinheiros foi a que mais emitiu licenças para a categoria food truck – são 54, de um total de 75. Desde que a comida de rua foi regulamentada em São Paulo, em maio do ano passado, a procura dessas permissões pelos proprietários de food truck tem sido baixa.

Uma das principais reclamações é que os pontos de atuação são fixos e determinados pela Prefeitura. Enquanto as licenças não decolavam, muitos donos de food truck apostaram em praças de alimentação, eventos e parceria com empresas.

Com a possibilidade, ainda que restrita, de circular, alguns proprietários acham que o quadro pode mudar. “Food parks são uma coisa legal para o final de semana. Tem comodidades que na rua não tem, mas pagamos quase o aluguel de um restaurante”, diz Javier Arturo Herrera, do La Buena Station.

Donos de food truck consultados pelo Paladar afirmaram que o valor desembolsado em um final de semana em food parks pode custar o equivalente ao valor anual da licença municipal.

Onde encontrar os food trucks

Praça Rafael Sapienza 

Perto da escola técnica estadual Carlos Maximiliano Pereira dos Santos

R. Fradique Coutinho

Entre as Ruas Artur de Azevedo e dos Pinheiros

Praça Alexandre de Gusmão

Nos arredores do Parque Trianon, perto da Av. Paulista

Cruzamento da Al. Jaú com a Av. Brigadeiro Luís Antônio

Perto da Av. Paulista

R. Evandro Carlos de Andrade

Entre a Av. das Nações Unidas e a Av. Doutor Chucri Zaidan

Cruzamento da R. Beira Rio com a R. Gomes de Carvalho

Na altura do nº 1.844, perto do Shopping JK Iguatemi

R. Ferreira de Souza

Perto da R. Ministro Jesuíno Cardoso

Praça Professor José Lanes

Entre a Av. Eng. L. Carlos Berrini e R. Sansão Alves dos Santos

R. Antônio José da Silva

Perto da Av. Brigadeiro Faria Lima

R. Matias Valadão

Perto da Av. Brigadeiro Faria Lima

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 5/2/2015

Ficou com água na boca?