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Restaurantes e Bares

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Guia Michelin chega ao Brasil

Pareceu uma gafe: o site do Michelin vazou a lista de restaurantes brasileiros estrelados vinte dias antes da data marcada para a apresentação oficial do primeiro guia Michelin Rio de Janeiro & São Paulo. Mas foi de caso pensado. Uma decisão aparentemente muito acertada: o guia centenário apostou no seu prestígio e ganhou.

08 abril 2015 | 21:38 por patriciaferraz

Nós, iniciantes em matéria de Michelin por aqui, achamos que chefs e donos de restaurantes, que esbravejavam contra a lista, não teriam mais motivos para ir à festa. Erramos feio: passados vinte dias, deu tempo de assimilar a classificação, contemporizar e comparecer em massa à coletiva, na manhã de ontem no Mube, em São Paulo. Entre as poucas ausências registradas, os donos do Maní, Helena Rizzo e Daniel Redondo, e o sushiman Jun Sakamoto. Rogerio Fasano também não foi, mas mandou o chef Luca Gozzani. Os demais estrelados ou apenas listados na publicação estavam lá, na maior felicidade.

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Uma estrela. Chefs que receberam uma estrela Michelin posam com a primeira edição brasileira do guia criado em 1900 na França. FOTO: Iara Morselli/Divulgação

A lista foi publicada no site do Michelin no dia 20 de março e divulgada em primeira mão pelo site do Paladar. E causou intensa polêmica. Os inspetores profissionais, espanhóis e franceses, que circularam pelas duas cidades no ano passado fazendo avaliações e entregando seus cartões de visita para registrar a presença, consideraram que o país não tem nenhum restaurante de excelência. Ou seja, não há no Rio e em São Paulo uma casa à altura da cotação máxima de três estrelas da publicação. Além disso, conferiram duas estrelas a apenas um restaurante, o paulistano D.O.M., de Alex Atala.

A partir daí, o Michelin nivelou para baixo, com uma estrela, alguns dos restaurantes mais premiados nos guias nacionais e que figuram no ranking dos 50 melhores restaurantes do mundo ou da America Latina, a 50 Best. É o caso do Maní, do Fasano, do Olympe, do Roberta Sudbrack e de Jun Sakamoto.

“Estou feliz de o Brasil ter sido o primeiro país a ter Michelin na América Latina, antes do Peru. Sensacional”. Roberta Sudbrack, do Restaurante Roberta Sudbrack

Os inspetores cometeram grandes enganos na categoria uma estrela, igualando casas de perfis muito distintos. No caso dos japoneses de São Paulo, é difícil entender as razões que levam o guia a colocar no mesmo nível os moderninhos e descolados Huto e Kosushi, com seus rolls com cream-cheese, e Jun Sakamoto e Kinoshita, que têm mestres na arte do sushi atrás do balcão. Cadê o Kan, do respeitado Egashira Keisuke?

E a comida brasileira, eles provaram e não gostaram? Por que o Esquina Mocotó, restaurante autoral do Rodrigo Oliveira, figura apenas na categoria Bib Gourmand (“boa comida a preços moderados”), junto de L’Entrecôte de Paris e Brasserie Victória? E o Tordesilhas, de Mara Salles, e o Brasil a Gosto, de Ana Luiza Trajano, por que não foram sequer citados?

“Exceto o D.O.M, eles colocaram todo mundo no mesmo patamar. Estranhei, entendo que há grandes diferenças”. Rogerio Fasano, do Grupo Fasano

Logo que a lista saiu, as redes sociais bombaram com reclamações e reações indignadas. Até que os chefs começaram a trocar e-mails entre eles e, passados alguns dias, o clima mudou. Em vez de reclamar, resolveram que tinham de comemorar um “momento histórico”, que é a chegada ao País do mais célebre guia gastronômico e seu mítico sistema de classificação por estrelas, iniciado em 1926, na França. E decidiram desfrutar de uma vitória – foi o Brasil – e não o Peru– o destino escolhido para a primeira edição do Michelin na América Latina. Os chefs também estão apostando na força das estrelas e no poder que elas têm de atrair novos negócios. E contam com o aprimoramento da próxima edição, em 2016.

A repercussão positiva das estrelas Michelin já começa a ser sentida. Alberto Landgraf, do Epice, diz que nunca recebeu tantos parabéns. “Ligou gente do mundo todo, vários amigos chefs cumprimentando pela estrela. O movimento do restaurante aumentou e tenho visto gente que nunca esteve lá antes.

A publicação é bilíngue (português-inglês) e estará à venda a partir desta sexta-feira, 10, por R$ 80. O conteúdo também estará disponível gratuitamente para tablets e smartphones.

DUAS ESTRELAS

São Paulo

UMA ESTRELA

São Paulo

Attimo (Jefferson Rueda)

Epice (Alberto Landgraf)

Tuju (Ivan Ralston)

Maní (Helena Rizzo, Daniel Redondo)

Fasano (Luca Gozzani)

Huto (Fábio Honda)

Jun Sakamoto (Jun Sakamoto)

Dalva e Dito (Alex Atala, Luiz Gustavo Galvão)

Kinoshita (Tsuyoshi Murakami)

Kosushi (George Koshoji)

Rio de Janeiro

Oro (Felipe Bronze)

Le Pré Catelan (Roland Villard)

Roberta Sudbrack (Roberta Sudbrack)

Olympe (Claude Troisgros, Thomas Troisgros)

Mee (Rafael Hidaka)

Lasai (Rafael Costa e Silva)

BIB GOURMAND

São Paulo

Mocotó

Esquina Mocotó

L’Entrecôte de Paris

Tian

Brasserie Victória

Sal Gastronomia

Antonietta Empório

Jiquitaia

Mimo

Ecully

Zena Caffè

Miya

Tartar & Co

Arturito

Casa Santo Antônio

Marcel

La Cocotte

Rio de Janeiro

Lima Restobar

Miam Miam

Entretapas

Oui Oui

Restô

Artigiano

Pomodorino

Cais

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 9/4/2015

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