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Restaurantes e Bares

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Jamie Oliver: o chef de £ 150 milhões

Chef, showman, empresário, polido, grosso... Jamie Oliver mal cabe na bancada em que dá aulas de cozinha, que dirá em rótulos. Ele dedicou 14 de seus caros minutos ao Paladar e confirmou: o Brasil que aguarde, que ele vem com tudo!

04 dezembro 2013 | 21:35 por joseorenstein

De Londres

Ele está mais rechonchudo do que nas imagens da TV a cabo que chegam ao Brasil. E linhas horizontais bem delineadas vincam sua testa. O corpo dá sinais dos 38 anos, mas a fala e o gestual eletrizados ainda são de um moleque de 18, hiperativo.

Chacoalhando os joelhos e se movendo de um lado para o outro como se dançasse twist, Jamie Oliver apresenta os ingredientes que vai usar. “Lovely!”, exclama o chef, ao agarrar chiles, folhas de curry e um lagostim ainda vivo, agitando as patinhas. Ele está a meio metro de distância, atrás da bancada de sua escola de cozinha Recipease, no bairro de Notting Hill. É uma noite de frio moderado e céu aberto, atípica para o novembro londrino.

Antes da chegada de Jamie, assessores e um fotógrafo exclusivo da equipe dele zanzavam pelo segundo andar do Recipease preparando o terreno. Este repórter e um grupo de mais nove brasileiros – composto pela equipe do Shoptime, canal de vendas pela TV, e dois funcionários da Phillips – aguardavam o chef para cozinhar com ele. Jamie iria apresentar uma panela multiuso que mantém a temperatura e mexe a comida sozinha. Utensílio que chega ao Brasil, em janeiro, ao preço de R$ 2 mil, com a assinatura de Jamie.

Ficou com água na boca?

Hiperativo. O chef mostra como se faz um curry, conta histórias e cozinha, tudo ao mesmo tempo. FOTO: Dylan Thomas/Divulgação

O jeitão despojado do chef, de jeans e camisa, quase faz esquecer que ele é um magnata da comida e uma celebridade internacional. Naquela noite, Jamie surgiu do nada: veio pelos fundos do prédio, pois, segundo os assessores, se entra pela porta da frente é parado por todo mundo para tirar fotos. E, de fato, antes de começar a cozinhar, posou para retratos com todo o time de brasileiros, ganhou presentes e fez piada.

Os assessores que estavam no Recipease fazem parte do grupo de 4 mil pessoas que trabalha para o chef inglês, dono de uma fortuna estimada em £ 150 milhões, mais de meio bilhão de reais. Alguns outros números do seu império: 27 programas de TV distribuídos em mais de 40 países, 24 livros lançados (com best-sellers com mais de 1 milhão de cópias), quatro redes de restaurantes (a marca Jamie’s Italian está em toda a Inglaterra e em Dubai, Cingapura, Rússia, Turquia, Irlanda), quatro aplicativos para celular, um canal no YouTube, uma revista mensal de receitas, uma rede de escolas de cozinha, uma empresa de catering, uma fornecedora de fornos, uma linha de produtos de cozinha, uma linha de ingredientes. A lista prossegue. Para não falar na fundação que promove diversas campanhas na Inglaterra e no mundo todo pela alimentação consciente nas escolas.

Jamie, na Inglaterra, é figura muito popular, que está na TV aberta e volta e meia figura nos tabloides sensacionalistas, que perscrutam a vida de sua mulher Jools e dos quatro filhos – Poppy, Daisy, Petal e Buddy. Seu negócio não é a cozinha de vanguarda; ele quer é descomplicar. Mal comparando, está mais para Olivier Anquier das massas que para Alex Atala.

Pois é essa celebridade-multinacional-benemerente que pica uma pimenta em segundos, sem olhar para a tábua. E começa a se empolgar com o que está cozinhando, jogando os ingredientes na panela meio desabaladamente. Jamie é espontâneo e fica extremamente à vontade com câmeras e com o fato de ser o centro das atenções. Parece ser um cara simples, às vezes até simplório. Enquanto cozinha, desvia-se nos assuntos, é dispersivo, exatamente como parece na TV. Diz ser disléxico e nunca ter terminado um livro.

A inteligência de Jamie manifesta-se menos na teoria e mais na ação: magnetiza o público, tanto para grandes audiências como para aquela dezena de pessoas para quem fez e ensinou a fazer um curry com lagosta – bem apimentado, diga-se.

Jamie então autografa seu mais novo livro, um por um. E, da mesma forma como chegou, desaparece – sem alarde, pelos fundos. Não sem antes conceder a entrevista exclusiva, “ler” a edição da semana do Paladar e parar para abraços e fotos com o pessoal do backstage, que se aglomerava na entrada da cozinha de produção – todos ansiosos por uma lasquinha do mestre-celebridade.

* Viagem feita a convite da Philips

CONTINUE LENDO:

+ Entrevista exclusiva com Jamie Oliver

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 5/12/2013

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