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Restaurantes e Bares

Restaurantes e Bares

Ao ponto

José Orenstein

O simples é complexo

Veja como é o restaurante Bona

02 setembro 2015 | 18:04 por José Orenstein

De fora, mal se vê a placa com o nome: Bona.  Sobressai o verde das plantas que cobrem a fachada. Lá dentro, o pé direito é alto, tesouras de madeira sustentam o teto.

Confortável, com bossa e bom gosto, o restaurante parece uma casa de praia. Tem no ar uma simplicidade elegante, discreta. O que sai da cozinha tenta espelhar esse clima. Dá certo algumas vezes, alguns pratos – se desse certo sempre, eu viraria freguês. Mas o problema é um descompasso entre concepção e refeição.

FOTOS: Fernando Sciarra/Estadão

É que o Bona criou uma palavra para se definir: gastrosimplicidade, com um “s” só, mesmo. Acho desnecessário restaurante com subtítulo, melhor quando a comida dá o recado. Mas até aí, tudo certo, mastigo o neologismo e corro o cardápio para captar a ideia. Coisas simples: croquete, manjubinha, massas, estrogonofe, picadinho…

Ficou com água na boca?

A simplicidade, no entanto, não vem assim tão fácil. Em seu lugar, abraçada à bacalhoada da sexta-feira, veio a irmã complexidade, que parece mais difícil – mas só parece. Em vez de farto e generoso prato de bacalhau, como nas receitas portuguesas maravilhosamente simples, chegou à mesa um círculo montado com algumas camadas de peixe, cebola, encimado por um ovo com gema mole. No detalhe, o prato não estava ruim – o bacalhau tinha o ponto certo, temperos equilibrados. Mas é um exemplo do desajuste entre a anunciada simplicidade e a firula da apresentação.

 Batatinhas bravas

Fiquei na dúvida se era um restaurante em que sei o que esperar dos pratos, simples, clássicos, caseiros, ou se é autoral, com a mão mais pesada do chef… A dúvida voltou à mesa com a entrada de manjubinha, o polvo à feira com batata cremosa ou o filé mignon a cavalo.

O serviço ainda um tanto atrapalhado e certa demora na saída dos pratos (tanto no almoço como no jantar) quebram um pouco aquele clima criado pelo ambiente. Mas, ainda assim, recomendo o Bona. O cardápio é do tipo que abarca gostos variados e convida a outras visitas: tem boas saladas, peixe, carne, massa, risoto, polvo.

Na média, a execução dos pratos é competente. A cozinha brilha na costela de porco e no talharim com lagostim. Os preços são razoáveis pelo que se oferece.

Ir ao Bona é agradável, afinal: come-se bem (embora não inesquecivelmente bem), passa-se bem. Ah, e é bom saber: quarta à noite tem sempre música ao vivo.

História – O PONTO

O Bona fica numa rua tranquila, instalado no lugar onde funcionou há alguns anos o Le Tan Tan. Já vinha abrindo para o almoço desde o ano passado. Mas o cardápio foi reformulado recentemente pelo restaurateur Kike Moraes e pelo chef espanhol Raúl Floranza, também responsável, com Marina Moraes, pela cozinha do Gardênia. Com o novo menu, o restaurante passou a abrir também para o jantar.

O MELHOR E O PIOR

Prove

A costela de porco cozida à perfeição: crocante por fora, úmida e desmanchando por dentro. No macio purê de batata do acompanhamento, até o aroma trufado, que amo odiar, ornou.

As batatinhas bravas, que embora fiquem furiosas com o ketchup ultrapicante que lhes recheia, são viciantes.

 A sopa de frutas vermelhas com iogurte, que vem ainda com sorvete de coco e um interessante bolo de curry.

Evite

O couvert. O pão esfarinhado não está à altura da manteiga e coalhada que o acompanham.

O arroz de pato, cremoso demais, lembra mais um risoto e esconde o sabor da carne.

Bona

Estilo de cozinha: é o famoso “estilo variado”, com sotaque espanholado.

Bom para: Jantar a dois, almoço com amigos e famílias no fim de semana.

Vinho: a carta é variada nos estilos e preços. Vai de Sauvignon Blanc chileno por R$ 50 ao Catena Malbec a R$ 125. Boas opções de R$ 60, R$ 70, R$ 80… Poderia ter mais vinho em taça (há só um tinto e um branco, por R$ 14)

Cerveja: lista concisa e certeira agrada iniciados e iniciantes.

Água e café: Com e sem gás custam R$ 4,90. Minha campanha é: sirvam água do filtro de graça! O café Bravo expresso, correto, é R$ 4,10.

Preços: Entradas de R$ 14 a R$ 39. Pratos de R$ 37 a R$ 69. Sobremesas: R$ 7 a R$ 16.

Vou voltar? Não cruzaria a cidade para comer lá. Mas se estiver por perto…

Onde: R. Álvaro Anes, 43, Pinheiros. 3812-8400. 12h/15h (qua., qui. e sex., 19h30/23h; sáb.,13h/16h30; dom., 13h/16h30). Estacionamento: R$ 20 (valet, só à noite e nos fins de semana). Ciclovia: na Faria Lima (a 200 m). O bicicletário é uma árvore magrinha na frente.

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 3/10/2015

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