Paladar

A hora e a vez dos drinques com cachaça

Balcão do Giba

Drinques para fazer em casa

A hora e a vez dos drinques com cachaça

Em tempos de dólar nas alturas e bebidas importadas caríssimas, molhe o bico com coquetéis onde a 'marvada' é protagonista

13 de março de 2020 | 10h00 por Gilberto Amendola
A reportagem sobre o novo ranking da Cúpula da Cachaça me deixou com sede. São tantos produtos de qualidade que a cabeça já fica imaginando o bem que eles fazem (e ainda podem fazer) para a coquetelaria brasileira – ainda mais em tempos de dólar nas alturas e bebidas importadas caríssimas. Por isso, destaquei os melhores ‘palcos’ para uma bela cachaça brilhar. Vamos aos coquetéis.
Cachaça vai além da caipirinha e brilha em coquetéis autorais. FOTO: Werther Santana/Estadão

 

Macunaíma

O Macunaíma é um clássico moderno criado pelo Arnaldo Hirai, um dos sócios do Boca de Ouro. Trata-se de um marco na coquetelaria brasileira  e que, hoje, pode ser encontrado em diversos bares da cidade. O drinque leva cachaça branca, xarope de açúcar, suco de limão e fernet branca. Na minha opinião, a grande sacada desse coquetel é o toque de fernet. Fácil de beber e cai bem quando acompanha uma cervejinha gelada. Tome o original lá no balcão do Boca.
Onde: Boca de Ouro. R. Cônego Eugênio Leite, 1121

 

Rabo de Galo

Há muitos anos, o mestre Derivan, um dos bartenders desbravadores da coquetelaria brasileira vem divulgando o Rabo de Galo para o mundo. Felizmente, é possível encontrar boas versões do clássico que leva cachaça, vermute e cynar. Por isso, vou indicar duas casas em que o Rabo de Galo é altíssima coquetelaria. Quer experimentar? Minha sugestão é o Rabo de Galo do  Sylvester Bar ou do Guarita.
Onde: Sylvester Bar. R. Maria Carolina, 745; Guarita Bar. R. Simão Álvares, 952

Caipirinha

Pensou em cachaça, lembrou da caipirinha. Problema nenhum. Implico um pouco com o excesso de açúcar que muitas casas colocam nela. Mas, ainda assim, é inegável a qualidade e a explosão de sabor das caipirinhas do Souza. Desde 2018, Souza tem seu próprio bar, o Esquina do Souza – depois do sucesso de sua passagem pelo bar Veloso (que continua com ótimas caipirinhas também).
Onde: Esquina do Souza. R. Coronel Melo de Oliveira, 1066

Flor da Paraíba e Suburbano

Já falei do bar do Jiquitaia nesse espaço, mas volto a ele porque a carta de coquetéis do lugar abre um espaço privilegiado para a cachaça. Por lá, tente experimentar o Suburbano (que leva cachaça, Cynar e ginger ale) e um primo-irmão do dry martini, o Flor da Paraíba (que leva cachaça e jerez).
Onde: Jiquitaia. R. Antônio Carlos, 268

Negroni Saccharum

A carta do Apothek tem mudado bastante, mas desconfio que se você pedir esse negroni feito com cachaça no lugar de gim e amaro Lucano a surpresa será tremenda.  Pra quem gosta de negroni, rabo de galo e outros drinques mais amargos.
Onde: Apothek cocktails & Co. R. Oscar Freire, 2.221

Dead Habit

Dead Habit é um dos drinques autorais que sobreviveu a recente mudança de carta feita pelo Frank Bar.  O drinque leva uísque irlandês, cachaça, cointreau, limão galego, bitters e hortelã. Embora a estrela do coquetel não seja a cachaça, ela é usada aqui com sabedoria. Vale muito.
Onde: Frank Bar. R. São Carlos do Pinhal, 424

Macariotes

Tomei uma única vez no Guilhotina, mas quero voltar para uma segunda rodada. Aqui, a grande sacada é o encontro entre a cachaça e a tiquira (bebida feita a partir da destilação da mandioca).
Onde: Guilhotina. R. Costa Carvalho, 84

D’Oliveira

Criação de Diogo Sevilio para o Cateto, leva uma cachaça da casa, vermute seco, limão Taiti, salmora de azeitona, azeitona azarro e curado da casa. Primo distante (e mais sofisticado e gostoso) do clássico botequeiro conhecido como “C#$% de Burro” – que consiste em lamber sal, tomar um gole de cachaça e chupar um limão (não façam isso em casa).
Onde: Cateto. R. Francisco Leitão, 272

Grana dos Laura

Coquetel encorpado e defumado da nova carta do Subastor. Outro exemplo de ótimo uso da cachaça. Bom para terminar os trabalhos no bar. Ele leva single malt talisker, cachaça, queijo grana dos laura e mel de abelha nativa tubi.
Onde: Subastor. R. Delfina, 163

Botecos Brasileiros

Luciano Ricarte Silva, barman e proprietário do Mundibar, fez uma bonita homenagens aos botecos brasileiros. Ele criou um coquetel tendo como base produtos facilmente encontrados nos tais botecos. A receita do ‘Botecos Brasileiros’ está nesse vídeo. Ela leva cachaça branca, Campari, Cynar, limão taiti, clara de ovo e xarope de açúcar.
Onde: MundiBar. R. Itapicuru, 828

Rabo de galo do Tuju

Esse entra na lista do “preciso experimentar”, o restaurante Tuju tem uma excelente carta de coquetéis. E alguns deles feitos com cachaça. Fiquei curioso com esse rabo de galo que leva  cachaça Weber Haus, vermute Carpano Antica Fórmula com infusão de alcachofra e bitter de laranja caseiro.
Onde: Tuju. R. Fradique Coutinho, 1.248

Banzeiro

Esse coquetel criador pelo bartender Laércio Zulu também já é um clássico. Para tomá-lo você precisa procurar os guests do Zulu ou pedir para algum bartender que conheça a receita. Depois que o bar Candeeiro fechou, não sei mais onde encontra o coquetel. Se alguém souber, grite aqui. Ele leva cachaça envelhecida em amburana, sumo de limão, xarope de açúcar, vinho e espuma de gengibre.

Notícias do mundo da coquetelaria

Shot 1 – O Beefeater Secret Spot seria aberto ao público nessa sexta-feira, mas por conta dos crescentes casos de coronavírus, a estreia foi adiada. Leia a nota: “A Pernod Ricard Brasil, dona da marca Beefeater anuncia o adiamento do evento Beefeater Secret Spot, em São Paulo, para uma data ainda não confirmada. Essa medida foi adotada por questões de segurança em função do aumento de casos de Covid-19  na cidade e é baseada nas diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda evitar a aglomeração de pessoas em eventos. A Pernod Ricard Brasil ressalta que continua acompanhando as orientações de órgãos públicos competentes em relação à doença e reforça o seu comprometimento com a saúde e o bem-estar de clientes e consumidores em primeiro lugar.”
Shot 2 – Alerta de carta nova no Espaço 13: nesta sexta-feira, Stephanie Marinkovic apresenta suas novas criações. Vou lá conferir e conto pra vocês o quanto antes. O Espaço 13 fica na Rua 13 de Maio, 798.

Shot 3 – O Fat Cow acaba de estrear uma carta de drinques feita pelo chefe de bar, Danilo Rodrigues (ex-Tan Tan Noodle Bar). São doze criações, entre elas o BeeCool (seco e levemente adocicado), preparado com vinho jerez com infusão de mel, camomila e baunilha, vermute branco, bitter aromático e de laranja e óleo de gergelim e o Manauara (cítrico e refrescante), que leva Bourbon com infusão de bacuri, xarope de pimenta-do-reino e club soda.

Shot 4 – É sempre triste quando um bar fecha. Na semana passada, o Praia interrompeu suas atividades. Agora, quem também fechou as portas foi o Benzina. Nota da assessoria de imprensa: “O Benzina encerrou suas atividades no dia 28/2, depois de dois anos de muito sucesso. Um aumento repentino no valor de aluguel inviabilizou a continuidade do negócio no local e modelo atuais. O barman Gabriel Santana irá se dedicar a novos projetos, enquanto o grupo Bullguer seguirá investindo na expansão de sua principal marca.”
Shot 5 – A Baltic Negroni recebeu a medalha de ouro no Festival Brasileiro da Cerveja, na categoria Experimental Beer. Criada especialmente para a Negroni Week 2019, com apoio da Campari e da Jungle Gin, ela é uma colaboração entre a cervejaria Avós e o Difford’s Guide Brasil.
Shot 6 – A Ginteria reabre as portas nessa sexta-feira (12) com nova ambientação nos seus três andares e novidades no menu de drinques. Por trás da execução das novidades segue o bartender Alex Azarias. A Ginteria fica na Rua Amauri, 284.
Shot 7 – Alerta de bar novo: O The Punch Bur (um Japanese Style Cocktail Bar) está quase pronto. A expectativa de abertura é finalzinho de março ou começo de abril. O bar vai ficar na Rua Manuel da Nobrega, 76 – Loja 17.
Shot 8 – O Caledonia Whisky & Co. inaugurou o seu espaço para cursos e degustações com duas engarrafadoras independentes, a ACEO e a Murray McDavid. Vale ficar de olho na programação da casa. O Caledonia fica na Vapabussu, 309.
Shot 9 – O Subastor iniciou o projeto Set The Cocktail. A ideia é combinar música e coquetelaria brasileira. Toda a primeira terça-feira do mês, vai rolar um drinque inédito, uma criação da equipe do subastor – acompanhada por um DJ da cena paulista. O coquetel da noite permanecerá na carta por um mês. O drinque da vez é o Sugar Cane Highball, criação do bartender Japores. Ele leva:Rum escuro, cachaça, limão Taiti, melaço de cana, mate e cana de açúcar. O sub fica na Rua Delfina 163.

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