Alerta de treta! Dry martini, o coquetel mais problematizado da história

Era para ser simples: gim e vermute seco. Mas cabe muita polêmica dentro da receita deste drinque clássico. Analisamos uma a uma

Gilberto Amendola

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Não é por falta de polêmica que a gente vai morrer de tédio.

Assim como em todos os cantinhos da nossa existência, a coquetelaria também tem as suas “questões” mais delicadas, as famosas “tretas”.

Não tem nada mais polêmico do que um dry martini. Quer ver?

Dry martini. FOTO: Whitten Sabbatini/NYT

1. Gim ou vodca?

Esse é o primeiro “ser ou não ser” provocado pelo coquetel em questão.

Apesar do 007, essa é uma briga difícil para a vodca. O que não significa que você não possa pedir um The Kangaroo (mais conhecido como vodca martini) ou até pedir um Vésper (que mistura gim, vodca e vermute branco, mas sobre ele vamos problematizar mais adiante).

Ainda assim, alguns bartenders consideram uma ofensa a substituição do gim pela vodca nesse coquetel. Então, para iniciar nossa conversa, vamos assumir que o dry martini é preparado com gim e vermute seco, ok?

2. Qual gim usar?

Os estilos conhecidos como London Dry e Playmouth são aceitos sem muita confusão. Gins produzidos fora do Reino Unido e com características diferentes costumam ser olhados com desconfiança. Não é difícil encontrar quem só aceite beber dry martinis com um tipo ou marca específica de gim.

3. E o vermute?

O mais usual é o vermute seco. Mas… Juro, tem quem prefira o vermute branco. Isso costuma ser motivo de briga (convém esconder as facas no bar).

Ok, vamos supor que o vermute seco venceu essa briga. Então, acabou a discussão? Não. Qual vermute seco usar?

Entre os vermutes de origem francesa, há quem defenda o Noilly Pratt (mais encorpado). Ou que exija um Dolin (mais delicado).

Além disso, você vai encontrar os defensores dos vermutes italianos – que, embora mais proeminentes em versões doces, também produzem os secos e brancos.

E de Lillet, você já ouviu falar? No início desta semana, o mestre destilador da Plymouth, Sean Harrison, deu uma master class no Frank Bar sobre martinis. Na aula, ele declarou gostar muito da versão com Lillet. Tecnicamente, o Lillet não é um vermute – está mais para um licor à base de vinho.

Os puristas, claro, vão subir pelas paredes (nada contra os puristas; às vezes, sou um deles também). Com Lillet, o martini deixa de ser “dry” e se transforma em um coquetel diferente, mais suave e palatável para quem não está acostumado (ou não gosta) do estilo tradicional. Na aula de Harrison, tomei a versão 50/50 (mesma quantidade de gim e de Lillet). Mas o próprio Harrison disse gostar de uma versão com quatro partes de gim para uma de Lillet.

Bom, resolvida a questão de qual vermute (ou Lillet) usar, passamos para a maior problematização de toda…

4. Qual a proporção certa?

Essa é uma discussão sem fim.

Quem gosta do martini radicalmente seco segue os preceitos de Winston Churchill – nada de vermute. Para um verdadeiro dry basta que o bebedor dê uma olhadinha para a garrafa de vermute ou deixe a taça descansando na sombra dele… Claro, se você quiser tomar só gim gelado não tem problema.

Mas, normalmente, as proporções podem variar de 10 partes de gim para 1 parte de vermute; 6 partes de gim para 1 de vermute; 5 partes de gim para 1 de vermute; 4 partes de gim para 1 de vermute… Quem prefere um martini bem menos seco, costuma pedir o famoso 50/50 (partes iguais de gim e vermute).

O meu preferido vai com 75 ml de gim e 15 ml de vermute.

5. Mexido ou batido?

Resposta em caixa alta: MEXIDO.

Mas não tem nada pior do que ser o “chato dos drinques”. Se a pessoa quiser batido, paciência. (Mas, por favor, não bata o seu dry martini).

Agora, quando o assunto é o Vésper (3 partes de gim, 2 de vodca e 1 de Lillet) não cabe um “MEXIDO” com caixa alta. O drinque tem sido batido em muitos, muitos bares bacanas. Aliás, aqui no Balcão fizemos uma versão “batida” e com vermute branco.

6. Azeitona ou morte!

Não, a azeitona não é obrigatória. Mas já se tornou um clássico. Tem quem prefira uma casca de limão-siciliano ou uma cebolinha em conserva (aí o drinque ficou mais conhecido como Gibson). Muitos preferem abdicar de qualquer complemento.

Ah, tem a turma do dirty martini. Eles derramam o líquido da azeitona no martini. Tem que ame. Tem quem ache um desperdício.

7. Vai bitter?

Não precisa. Mas tem quem defenda uma gotinha de Angostura. Ou ainda um toque de bitter de laranja. Experimentei uma versão com bitter de cardamomo e achei que ficou incrível.

Ufa, acho que é isso! Escolha a sua causa e compre sua briga etílica.

Beijos!

Ah, hoje não tem vídeo novo 🙁

 

Notícias do mundo da coquetelaria

Shot 1. Termina no dia 15 de junho a inscrição para bares e restaurantes que ainda quiserem participar da sétima edição do Negroni Week.  Os interessados devem se inscrever  pelo site negroniweek.com. Para participar existe uma taxa de inscrição de US$ 25 (aproximadamente R$ 100). O valor será doado para instituições de caridade. Esse ano, centenário do negroni, o evento será realizado entre os dias 24 e 30 de junho.

 

Shot 2. Não deve demorar muito para o Bar dos Arcos e o Frank Bar lançarem suas novas cartas. Fique de olho…

 

Shot 3. Você gosta de sazerac? Tem uma versão levemente salgada e imperdível no bar Seen. O Arpeggio, uma criação do barman Guilherme Ferrari, é um dos semifinalistas do Chivas Masters Brasil. Na receita vai uísque 12 anos, licor de framboesa, Benedictine, Angostura e flor de sal. O coquetel vai ficar disponível por tempo limitado (uma pena). Ele custa R$ 35. No Frank Bar, tem outra criação semifinalista do concurso, o Apó, do barman Rafael Domingues. Nesse caso, além do uísque, a receita leva Cynar 70 em ânfora de cerâmica com cumaru. O drinque também sai por R$ 35.

 

Shot 4. Neli Pereira, responsável pelo Espaço Zebra, em São Paulo, é quem assina a carta de drinques do ARP, novo bar do hotel Arpoador, no Rio de Janeiro.

 

Shot 5. Esta semana, eu assino a capa do Paladar, com uma matéria sobre os melhores bares de drinques de Nova York (pelo menos na minha opinião). Confira aqui.

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